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Onze livros para ler na estrada

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Reiteradas vezes, o Letras visitou o tema literatura e viagem para compor listas como estas (veja o final desta postagem). Mas, depois de nos concentrar tanto nos livros que nos situam em trajetórias, vividas fisicamente ou pela imaginação e sobretudo naqueles que dizem de um lugar e-ou de uma cultura, gostaríamos de dedicar atenção aos livros de itinerários, aos livros que foram escritos em viagem ou aqueles cuja narrativa se constitui itinerário por estradas diversas. Sim, o trânsito e as viagens por estradas têm sido fonte de inspiração para muitos escritores. Está na base de um segmento de obras literárias conhecidas como road trips ou road novel  e tem sua origem, adivinhem, nos Estados Unidos. Os dos títulos aqui citados oferece um panorama que atravessa desde a primeira geração das viagens em carros, aos do tempo de um sonho de singrar o país ou mesmo continentes numa boleia e aos itinerários de perdição dos sujeitos em perquirição na narrativa contemporânea. ...

O. Henry: um escritor de pena branca

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Por José M. Ramos O. Henry, pseudônimo de William Sydney Potter, foi um escritor estadunidense na transição do século XIX para XX que cultivou o gênero do conto com final surpreendente e inesperado. Como não chegou a escrever uma obra de amplo alcance narrativo que o incluísse no panteão dos escritores mais reputados, a crítica literária o relegou a um segundo plano, apesar da aceitação unânime do público. Como a maioria dos escritores de seu tempo, O. Henry se deu a conhecer nas páginas dos jornais, exercendo a profissão que seria um trampolim para muitos deles: o jornalismo. A imprensa, veículo de transmissão da narrativa curta e inclusive não tão breve como o folhetim ou a publicação em fascículos, lhe permitiu, posteriormente, a viver de seu trabalho como criador de fantasias ao gosto de um público que começava a forjar os destinos de uma grande nação. Original de Greenboro, um povoado da Carolina do Norte, passou os últimos anos de sua vida em Nova ...

Boletim Letras 360º #216

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No dia 3 de abril abrimos mais um sorteio no âmbito das celebrações dos 10 anos do blog Letras in.verso e re.verso. Depois de sortearmos dois exemplares de A montanha mágica , de Thomas Mann (Companhia das Letras), vamos presentar um leitor com a edição que reúne toda poesia de Hilda Hilst, Da poesia  (também editada pela Companhia). Ainda falta alguns dias para o sorteio, mas só restam, até a hora em que fechamos a edição deste Boletim, oito inscrições.   Se correr, ainda dá tempo .  Romance de Dalton Trumbo que se tornou um potente texto contra a guerra ganha nova tradução no Brasil. Segunda-feira, 03/04 >>> Brasil: Os dois novos lançamentos da Editora Rádio Londres O primeiro deles é Instrumental , um livro escrito pelo pianista inglês James Rhodes e que fez barulho no Reino Unido em 2015. Trata-se de uma autobiografia na qual ele repassa um histórico de violência sexual na infância, e como superou o trauma com ajuda da música clás...

João Gilberto Noll, voyeur de todos nós

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Por Pedro Fernandes João Gilberto Noll. Foto: Fernando Gomes Alguém escreveu que João Gilberto Noll foi um cronista da intimidade humana e revelou, com sua obra, os nossos recalques e o que, mesmo inconscientemente costumamos negar que somos. É uma definição muito apropriada. Se o mundo literário do escritor é o do que se esconde, esse mundo também chegou a ultrapassar as fronteiras da obra: Noll, ele próprio, não foi o escritor que, mesmo incensado pela crítica acadêmica, quis estar à frente dos holofotes. Se alguns podem atribuir esse interesse à timidez ou mesmo ao zelo da imagem, que esta seja sobreposta pela obra produzida, com a afirmativa sobre seu interesse literário, esse não-estar na impulsão da fama tem, logo, outra dimensão. É que, concordemos ou não, há entre o universo ficcional e o de fora da ficção, vasos comunicantes que inter-relacionam um e outro ao ponto de confundir-se fronteiras. Talvez porque essas fronteiras não existam, como é preferível acreditar num te...

A marca humana, de Philip Roth

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Por Pedro Fernandes Philip Roth. Foto: Bob Peterson. As informações sobre A marca humana colocam este romance ao lado de Pastoral americana e Casei com um comunista entre os livros de Philip Roth sobre a vida na América do pós-guerra – “um painel impressionante em que indivíduos de grande vigor moral e intelectual são assolados por forças históricas fora de controle”, diz a contracapa da edição publicada no Brasil com tradução de Paulo Henriques Brito pela Companhia das Letras. A citação desses termos aqui tem um interesse: o de repensá-los. Que este é um romance sobre as interpenetrações sócio-históricas no processo de constituição das identidades dos sujeitos não há dúvidas. Aliás, pode-se mesmo dizer que toda a obra do escritor circula essa perspectiva sobretudo quando são as identidades deslocadas do padrão defendido pelos estadunidenses mais radicais, como é o caso do negro e do judeu especificamente.  Mas que as personagens sejam meramente “assoladas por ...

Dostoiévski, um romântico desgarrado entre a revolução e Deus

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Por Rafael Conte A figura de Fiódor Dostoiévski tem chegado para nós repleta de equívocos em parte devido sua esmagadora celebridade. Considerado durante muito tempo como um dos titãs do romance universal, ao lado dos maiores, sua obra tem produzido toneladas de exegeses e interpretações, nem sempre desprovidas dos ataques tão apaixonados como se ditirambos e em sua maior parte tão injustificadas que o único valor, muitas vezes, é só empecilho para seu verdadeiro conhecimento. Contra isso só existe uma solução: lê-lo, relê-lo deixando de lado todo prejuízo causado por essas leituras transversais, todo apriorismo, toda impressão superficial, própria ou alheia. A revolução soviética condenou Dostoiévski ao limbo e ao esquecimento, pois o revolucionário juvenil que até foi condenado à morte e sofreu o exílio e os trabalhos forçados na Sibéria, abominou, na sua velhice os pecados juvenis e transformou sua obra numa criação mística. A crítica progressista para salvá-lo – ...