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Paradiso em seu labirinto

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Por Arturo Arango Paradiso , o grande romance de José Lezama Lima, cumpriu meio século e ninguém parece recordar o nascimento de uma das obras mais deslumbrantes, ricas e complexas já escritas em língua espanhola. De acordo com o colofão de sua primeira edição, os quatro mil exemplares terminaram de ser impressos no dia 16 de fevereiro de 1966; a obra foi publicada pelas Edições Unión e com capa desenhada por um grande nome das artes cubanas, o poeta e pintor Fayad Jamís. A partir desse momento, esse enorme corpo textual que se estendia por mais seis centenas de páginas começou a percorrer um intrincado caminho cujas pegadas podem ser vistas até hoje. Segundo relata Cintio Vitier, na “Nota filológica preliminar” para a edição crítica preparada para a Coleção Arquivos da UNESCO, em 1988, os mais de setecentos erros de impressão que aparecem no livro editado pela Unión deixaram Lezama profundamente chateado. O manuscrito de Paradiso é composto de vários c...

José Lezama Lima: o peregrino imóvel

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Por Eliseo Alberto José Lezama Lima (1910-1976), poeta universal do século XX cubano morou apenas em duas casas em 66 anos e só viajou três vezes ao estrangeiro – quando criança, aos Estados Unidos, e adulto, ao México e à Jamaica. Ao recordá-lo, além da admiração, não posso deixar de perguntar-me se será certo que na hora de sentarmo-nos a relatar a história de nossos povos órfãos, ao menos nas versões emocionais do acontecido, a contundência da “verdade” resulta mais importante que a vibração do “mito”. A vida e a obra de Lezama logram um equilíbrio de aparência muito forte: desde a descoberta de sua vocação literária, feitiço que terá convertido em seu próprio talismã, sua idolatria, o escritor enclausurou o nome José entre quatro paredes de verbos e sonoridades; essa submissão, sem dúvida, foi o estímulo suficiente para realizar a façanha de nos propor um mundo tão deslumbrante como real, uma Cuba, uma Havana, um espaço onde a imagem devia estar à frente aos feitos, na c...