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Marguerite, de Marianne Farley

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Por Maria Louzada   Nem sempre um prêmio do Oscar é a garantia de que você irá se encontrar diante do que pode realmente lhe agradar. Mas sobre Marguerite  ―  sendo um dos cinco finalistas do Oscar 2019 de Melhor Curta-Metragem de Ficção  ―  penso que a indicação se justifica plenamente, e tomara que leve mais pessoas a assistirem este belo momento da cinefilia. O curta-metragem canadense de 2017, quase que modulado em cena pelo silêncio nos seus 19 minutos de projeção que vai se desenrolando diante de nossos olhos, nos fala da delicadeza de sentimentos. É um tema sutil, intimista, reflexivo.  Trata-se de uma mulher idosa (Béatrice Picard) que está se reconhecendo na identidade interna de sua jovem enfermeira domiciliar (Sandrine Bisson). Um amor entre mulheres que não pôde ser reconhecido no passado e que no presente já pode se expandir mais. A identificação humana através do sofrimento das regras de uma sociedade vai desaguando numa pr...

Nossas noites, de Ritesh Batra

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Por Maria Louzada Kent Haruf escreveu o livro (a propósito deste autor, a renomada, inteligente e arguta autora Ursula K. Le Guin escreveu: “Pelo que eu saiba, a coragem e o nível que Haruf alcançou em sua exploração das formas simples de amor — o eterno estado de frustração, o custo de um longo prazo de lealdade, o conforto do carinho cotidiano — não têm iguais na ficção contemporânea.”). A Netflix produziu o filme.  Mais de cinquenta anos depois de terem estado juntos no sucesso das telas  Barefoot in the Park (Descalços no parque, 1967), Jane Fonda e Robert Redford se reencontram neste Our Souls at Night (Nossas noites, 2017). Ele aos 81, ela aos 79 anos. Eles haviam atuado juntos pela última vez em 1979, em um filme de Sydney Pollack, o western The Electric Horseman . Nossas noites é um filme para saudosistas? Ora, não se deve menosprezar o mérito maior do filme que é o de retratar um envolvimento entre duas pessoas que são viúvos, septuagenários e sol...

A viúva, de Pierre Granier-Deferre

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Por Maria Louzada Simone Signoret tinha 50 anos na época. Alain Delon estava com 36. Duas lendas do cinema francês se encontram em La Veuve Couderc , de 1971, filme baseado em livro de uma lenda literária: Georges Simenon. Simone vinha de outro sucesso,  também  baseado em Simenon, Le chat , ao lado de Jean Gabin, dirigida pelo mesmo Pierre Granier-Deferre deste aqui. La Veuve Couderc  foi escrito por Georges Simenon, aos 35 anos, em abril de 1940. Outro famoso escritor, o francês Andre Gide, considerava este livro de Simenon como o “ápice da arte”; achava que possuía semelhança com: L’étranger (O estrangeiro), de Albert Camus (publicado em 1942). Um canal, barcaças, uma ponte levadiça, um rio com altas e velhas casas de cada lado contracenam com Alain Delon e Simone Signoret. Ela é uma mulher do campo, amadurecida pela vida e sofrimentos passados, amarga, cabelos grisalhos à vista e um corpo longe dos dias de sua juventude. Mas ainda desejável...

Seduzida e abandonada, de Pietro Germi

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Por Maria Louzada Pietro Germi, o grande realizador italiano, volta a se encontrar com a sua centelha de criatividade original que deriva nos anos 1960 neste Sedotta e Abbandonata . Trata-se de uma comédia, mas o assunto é sério, muito sério, e a visão do diretor italiano também, que ousa filmar uma comédia de costumes sobre a obstinada hipocrisia humana nos lugares mais remotos. Situações ao mesmo tempo hilariantes e que nos coloca cara a cara com a cruel realidade das mulheres num vilarejo da Sicília. Sem voz, sem direito ao próprio desejo ou às próprias escolhas, prisioneiras de pai, mãe, da sociedade patriarcal, de todos ao redor.  Agnese (Stefania Sandrelli), uma siciliana de dezesseis anos apenas, é seduzida por Peppino (Aldo Puglisi), noivo de sua irmã mais velha. Ela acaba engravidando. Quando a mãe (Lola Braccini) descobre conta logo para o marido don Vincenzo (Saro Urzì) que obriga o rapaz a se casar com Agnese, mas ele foge. O pai se esforça então para, a...