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O teatro do mundo (Parte 3)

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Por Felipe de Moraes  © John Nicholson Arte sem Arte (?) Vimos como pode ser sofisticada a malha de imagens que padre Antônio Vieira constrói em seus textos, servindo-se dos mais requintados e complexos artifícios retóricos que a condição de seu tempo histórico facultava praticar. Vimos como seus sermões estão moldados segundo uma ótica que além de adotar uma forma estética “culterana” e ornamentada, está imbuída de um pragmatismo que, no século XVII, podemos chamar de “modelo sacramental”. Alcir Pécora comenta da seguinte forma: “Considerado em seus termos básicos, o sermão católico que organizava a fé do Novo Mundo atinge seu apogeu ao longo do século XVII e ordena-se segundo um modelo sacramental, que supõe a projeção permanente de Deus nas formas de existência do universo criado. Aqui, não se pode interpretar o mundo nem recusando-se a sua natureza particular, nem supondo a autonomização da história face ao divino.” (PÉCORA, 2014, p. 62) Como di...

O teatro do mundo (Parte 2)

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Por Felipe de Moraes Como explicitado na primeira parte deste texto , essa “categoria histórica”, externada como forma de práticas elocutivas das sociedades de cultura, formulou padrões que foram assimilados por uma nobreza que reagia aos avanços da burguesia ascendente (que também desenvolveria e imprimiria essa nova velocidade à literatura, desaguando no romance como gênero moderno) 1 e de uma série de movimentos religiosos que se impunham contra os dogmas do catolicismo; dogmas estes que eram completamente alicerçados pela retórica e pelo cultismo. Claro fica que esse bom falar é prática dos homens dos grandes salões, distantes que estão dos plebeus e da sua linguagem mais vulgar (aqui no sentido lato da palavra): “Mas não somente pela virtude desta divina Pito, o falar dos Homens Engenhosos tanto se diferencia daqueles da Plebe , quanto a fala dos Anjos se diferencia da dos Homens; mas por milagre dele [o falar dos Homens Engenhosos] a coisa Muda fala, o não sent...

Vieira, vida, engenho e arte

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Por Pedro Fernandes O céu estrela o azul e tem grandeza. Este, que teve fama e a glória tem, Imperador da língua portuguesa, Foi-nos um céu também. Fernando Pessoa Os versos de Fernando Pessoa que epigrafam este texto já trazem em si as dimensões inabarcáveis dessa personagem magnânima, que ano passado completou exatos 400 anos de seu nascimento. Português de nacionalidade, jesuíta, Vieira foi maleável aos espaços por onde esteve, foi a personagem que a circunstância o exigia ser: professor de tupi e de retórica, missionário, diplomata, serviçal do rei, teólogo e, inclusive, padre. Viveu em terras brasileiras por exatos 42 anos, até quando da sua morte no Colégio dos Jesuítas, em Salvador, em 18 de dezembro de 1697, aos 89 anos. Sua vida é uma grande epopeia. A começar pelo tempo de vida, numa época em que viver tudo isso era sinônimo de eternidade. Personagem intrigante pela não menos intrigante rede de influências em que esteve metido, a ponto de ser condenado pe...