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Literatura, poesia, educação

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Por Pedro Fernandes As avaliações tradicionais em sala de aula ainda existem e deverão existir sempre (ao que parece); ainda engatinhamos nas discussões sobre uma possibilidade de ver como e o que poderemos fazer, como professores, para contribuir com um aprendizado em que o método avaliativo mude. Não é o caso de apagamento total do chamamos de método tradicional avaliativo . Mesmo, porque a depender dos saberes, tal método é indispensável. Mas é, pensar alternativas outras. As avaliações do ensino, tal qual concebemos, falham porque entre outros motivos contribuem para o arraigamento de um ensino mecanizado, afinal de contas, o aluno pode levar o semestre ou bimestre como quer , se matar de estudar nas vésperas da prova (o que, em grande parte, significa memorizar conceitos e relações conceituais) e, mesmo assim, ser aprovado com conceito A. Não é apenas isso, mas também vão de encontro ao ensino pregado nos documentos oficiais, como os Parâmetros Curriculares Nacional (PCN's)...

A Regra do Jogo, de Jean Renoir

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“Drama alegre” traz a modernização no modo de narrar e influencia a geração que criou a nouvelle Com tal sobrenome de peso (ele era filho do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir), Jean Renoir não teria passado despercebido pela história do cinema. Além disso, como o pai, ele trouxe para os filmes um frescor de imagens e de expressão, uma abordagem encantadora da natureza e despudorada do comportamento humano. Na época, Renoir definiu seu trabalho como um “drama alegre”. A trama se concentra numa festa num castelo, onde os nobres se divertem num andar, e a criadagem se ocupa nos afazeres em torno da cozinha, no subsolo. Entre os integrantes desses grupos circula uma versão maliciosa de cupido, que promove seduções, traições e recombinações de pares. Uma cena de caça a coelhos funciona como anúncio de tragédia iminente e como prenúncio de uma crise da civilização (pouco depois explodiria a Segunda Guerra Mundial na Europa). O que torna A Regra do Jogo tão impor...

Ana Cristina Cesar ou Ana C.

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Acreditei que se amasse de novo esqueceria outros pelo menos três ou quatro rostos que amei Num delírio de arquivística organizei a memória em alfabetos como quem conta carneiros e amansa no entanto flanco aberto não esqueço e amo em ti os outros rostos Em Contagem regressiva - Inéditos e Dispersos Ana Cristina Cesar. Fotografia: Cecilia Leal. 1976 Ana Cristina Cruz Cesar nasceu no Rio de Janeiro em 2 de junho de 1952. Desde cedo, demonstrou talento e gosto pela arte de escrever. Já aos sete anos de idade, tinha os primeiros poemas publicados num jornal, o  Suplemento Literário da Tribuna da Imprensa .  Tamanha força e precocidade não deixou escapar outra formação para a jovem que se licenciou em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde conheceu nomes como Heloísa Buarque de Hollanda, uma das primeiras no meio acadêmico a reparar no talento daquela que se tornaria nome singular na poesia marginal. Depois do curso de Letras,...

Aula de Português

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Por Pedro Fernandes A situação tal qual como exposta é típica de uma escola pública ou particular; não se admitem distinções na maioria dos pontos anteriormente especificados. Até que as teorias lingüísticas por aqui despertem, em meados da década de 1960, o tradicionalismo vigora no espaço dedicado às aulas de Português; a partir de então, duas curiosas correntes de opinião se formam entre os professores de Língua Portuguesa, ambas enfeitiçadas por essas reviravoltas no modo de compreensão da língua, conseqüentemente na compreensão dos estudos gramaticais, uma vez posto ser este indissociável daquele. Uma vertente entenderá o ensino de gramática da língua como um total liberalismo das normas postas, outra, se manterá no tradicionalismo ferrenho e enxergará as teorias lingüísticas como baleleísmo. No interior desta última ainda surgirá uma subcorrente que preocupada com o que ensinar sente-se perdida no âmago das discussões.  Inicialmente faz-se necessário uma espécie de ra...

Troca de pele, de Carlos Fuentes

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Por Maria Antonieta Gomez Um dos aspectos mais significativos em Troca de pele , de Carlos Fuentes é a peculiaridade em seu acesso à “cultura do signo”, própria do gênero romanesco. É Julia Kristeva quem afirma em termos gerais que o romance denuncia a passagem do símbolo (característica da epopeia) ao signo. Nesta afirmativa, ela distingue, tanto no símbolo como no signo, duas dimensões básicas: uma vertical e outra horizontal. Por um lado, o símbolo em sua dimensão vertical possui uma função de “restrição” enquanto mostra-se como o monovalente e unívoco. E, em sua dimensão horizontal (a articulação das unidades significantes entre si), o símbolo é disjuntivo; isto é, em sua lógica se excluem mutuamente duas unidades opositivas. No campo do símbolo, na epopeia, o mal e o bem, por exemplo, são incompatíveis. Caso contrário no ideograma do signo; em sua dimensão vertical não opera, como no caso do símbolo, uma função de restrição que acumula no unívoco ou em referênci...

A figura (divina) de Jesus (des)construída - o mito

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Por Pedro Fernandes Há discussões das mais variadas em torno da figura de Jesus, talvez pelo carisma histórico (isso é o que analisaremos), que ainda alimenta multidões e até então líder político algum conseguiu. Logo se percebe que adotaremos aqui a perspectiva de um Jesus como figura política daquela sociedade, tomando por base uma das discussões que gira em torno de sua falsa divindade uma vez que historicamente esta divindade teria sido construída ao longo dos séculos e sido uma decisão política sobre uma renovação do cristianismo. Para tanto admitiremos que a história de Jesus enquanto ser santo tem algo de mítico, uma vez partirmos do pressuposto de que o mito explica a ordem social cósmica vigente e preocupa-se com as origens e a fixação de valores. A imagem de fábula, mentira, tida hoje como sinonímia comum para o termo mito fora estabelecida ainda no mundo greco-romano e, no entanto, sabe-se que o mito narra um fato verdadeiro em busca de uma verdadeira razão par...