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Ai, saudades da palmatória!

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Por Pedro Fernandes “Ó palmatória, terror dos meus dias, tu que foste o compelle intrare  com que um velho mestre, ossudo e calvo, me incutiu no cérebro o alfabeto, a prosódia, a sintaxe, e o mais que ele sabia, benta palmatória, tão praguejada dos modernos, quem me dera ter ficado sob o teu jugo, com a minha alma imberbe, as minhas ignorâncias, e o meu espadim, aquele espadim de 1814, tão superior à espada de Napoleão!” – Memórias póstumas de Brás Cubas , de Machado de Assis. O caso se deu nesta semana. Uma professora da rede estadual do Rio de Janeiro foi condenada a pagar uma multa de R$ 5 mil por um puxão de orelha num aluno. O fato me chama atenção por dois motivos: a bancarrota de uma pedagogia do cetim fez do aluno uma figura intocável. Fato humano – quando não é oito é oitenta. Houve o tempo em que apanhar de palmatória era útil para a formação educacional. Era um corretivo necessário à docilização dos corpos. Depois desse motivo primeiro, é fato que a pedagogia ...

Raduan Nassar

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Raduan Nassar nasceu em Pindorama, cidade do interior do Estado de São Paulo. Seus pais, João Nassar e Chafika Cassis, haviam se casado em 1919 na aldeia de Ibel-Saki, no sul do Líbano e em 1920 imigraram para o Brasil; a família junta-se a parentes que já estavam no país e começam a trabalhar no ramo do comércio, no interior do Rio de Janeiro. Um ano depois, mudam-se para a cidade de Itajobi, interior de São Paulo e mais tarde, em 1923, para Pindorama. Na cidade onde nasceu, o pai do escritor abriu uma venda que logo seria transformada numa loja de tecidos, a   C asa Nassar. Em 1943, Raduan inicia seus estudos no Grupo Escolar de Pindorama. Expansivo e de ótima memória, o aluno é freqüentemente chamado para recitar poemas nas datas comemorativas, mesmo com sua dificuldade em pronunciar corretamente o r  fraco. Segundo ele, neste ano tem "uma das melhores alegrias da infância" de que se lembra, ao ganhar um casal de galinhas-de-angola do pai. Como é de...

Fernando Pessoa e a Coca-Cola

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Fernando Pessoa, Moitinho de Almeida e um casal de estrangeiros apreciadores da ideia do refrigerante estadunidense. Foto: Jornal de Letras Fernando Pessoa foi um homem de ideias – ninguém duvidará disso. Mas, realizá-las, bem, realizá-las é outra história. Ganhou a vida mais como tradutor de inglês para o português, numa época em que Portugal mantinha uma profunda dependência com a Inglaterra. E como sujeito tido para ideias poderia, se tivesse jeito com elas se tornado um homem de negócios? Possivelmente. Sabe-se que foi um dos inventores da famosa revista responsável pela consolidação do modernismo em terras portuguesas, a Orpheu ; esta talvez um dos seus primeiros empreendimentos, mas que só durou três edições, uma delas não publicada. Antes, havia criada a editora e tipografia Íbis, instalada em 1907 no Bairro da Glória e mal funcionou; no mesmo ramo, criou em 1921, a Editora Olisipo que só publicou três antologias de poemas em língua inglesa, A invenção do dia cla...

Marguerite Yourcenar

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Durante toda sua vida, Marguerite Yourcenar se esquivou de qualquer tipo de confidência, inclusive quando escreveu sua autobiografia,  O labirinto do mundo . O primeiro volume,  Recordações de família  (1974) está dedicado à figura de sua mãe e à sua família, e o segundo,  Arquivos do norte  (1977) à família de seu pai, um homem aventureiro. Segundo muitos críticos, a ideologia, as paixões e a concepção de mundo da escritora devem ser buscadas nos seus livros e não nos acontecimentos de sua biografia, que ela simplesmente cuidou de manter em silêncio por considerar, provavelmente, que não tinham o menor interesse para os seus leitores. Em meio século de literatura, Marguerite Yourcenar compôs uma obra breve e de alta qualidade: catorze livros em prosa, dois de poemas, seis peças de teatro e seis volumes de traduções. Nunca deu nenhum por terminado e toda sua obra foi reescrita uma e outra vez. A escritora deixava que as edições esgotassem e impe...

2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick

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Ficção científica revolucionária discute a aventura do homem para compreender o mistério da criação A Odisséia no Espaço narrado em 1968 pelo genial Stanley Kubrick pode parecer tediosa quando vista por olhos acostumados ao ritmo incessante das aventuras intergaláticas de Guerra nas Estrelas (1977). Mas, desde seu ponto de partida, trata-se de uma obra surpreendente: o diretor filma um grupo de hominídeos da pré-história disputando domínios à base de paus e pedras. Por perto, um enigmático monólito, que reaparecerá em outra etapa do filme como seu símbolo mais marcante. Até que um pedaço de ferramenta arremessado para o alto funde-se com a imagem de uma espaçonave cruzando o cosmos. Assim, neste famoso plano que esboça um salto no tempo de milênios, está dado o tom filosófico que só cresce ao longo da narrativa. Sabe-se que os astronautas terão de enfrentar um computador que assumiu o controle da nave, HAL 9000. Construído para gerenciar a missão a Júpiter, ...

John Steinbeck no cinema

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cena de As vinhas da ira , um dos filmes a partir de uma obra de John Steinbeck mais conhecidos. O cinema foi generoso como Steinbeck e ele com o cinema. Foram feitas, desde que alcançou a notoriedade ainda jovem (publicou em plena efervescência liberal rooseveltiana As vinhas da ira em 1937 e havia nascido em 1902, tinha, portanto, 35 anos) 17 filmes sobre obras suas e não seria estranho ver outras nos próximos anos. O sucesso cedo levou também a ser quisto para a escrita de alguns roteiros – tarefa que levou ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme Um barco e nove destinos , de Alfred Hitchcock. Da extensa leva de títulos há quatro filmes mais famosos cuja narrativa é produto de uma adaptação da obra de Steinbeck. Além de As vinhas da ira , adaptada por John Ford em 1940, houve Boêmios errantes , dirigido pela solvência e sutileza com que Victor Fleming representava as ambiguidades sexuais nas relações entre amigos – Spencer Tracy e John Garfield exec...