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Augusto Cury. O segredo. Sobre a fenomenologia nova na literatura (parte II)

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Por Pedro Fernandes Em janeiro de 2007* eu falava aqui nesse espaço acerca de três escritores em moda no cenário literário - Dan Brown, J. K. Rowling e Paulo Coelho. Pois bem, volto ao subtítulo dado ao artigo desta época - "Sobre a fenomenologia nova na literatura". Agora, para analisar outra vertente literária que cada dia mais cresce no mercado editorial: a literatura de auto-ajuda, sob o prisma de dois outros fenômenos literários, o brasileiro Augusto Cury e o livro "The Secret" ("O Segredo"). Há, é bem verdade, uma lista de outros nomes ajustáveis nessa lista. Mas fiquemos com os dois, porque são antes de mais nada o sucesso de vendas , verdadeiros Best-Sellers, do momento. O fenômeno advém de uma necessidade desvairada que tomou conta do espírito dos Ocidentais e que tem raízes mais profundas do que possamos imaginar. Estamos numa sociedade que inventou um modelo de vida que, pelo que vemos, não tem em nada dado certo. Afastamos de nós a m...

Machado de Assis: Feliz ano velho

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por Carlos Faraco*   Enterro de Machado de Assis Quando Carolina Novais morreu, em 1904, a vida de Machado de Assis desmoronou. “Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo (...). Aqui me fico, por ora, na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo me lembra a minha meiga Carolina. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará.” Para Machado, o “eterno aposento” se abriria quatro anos mais tarde. O desapego à vida dá agora o tom das cartas de Machado aos amigos: “Após trinta e cinco anos de casados é um preparo para a morte”. (28 de out 1904) As únicas coisas que o mantinham vivo eram o carinho dos amigos – tantas vezes expresso em cartas –, o interesse pela literatura e pela Academia Brasileira de Letras, que ajudara a fundar em 1896, e da qual fora eleito presidente primeiro e perpétuo. “Faço o que posso, mas para mim o trabalho é distração necessária...

Amarcord, de Federico Fellini

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Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1975, o longa mescla memórias da Itália sob o fascismo e imagens de sonhos Amarcord é a tradução fonética de "eu acordo" no dialeto italiano da região de Emilia-Romagna, onde o diretor nasceu. Não se trata de um filme exatamente autobiográfico, mas de uma mistura de memórias da infância com o imaginário transbordante de Federico Fellini encenada como se fosse um espetáculo de circo, uma das mais evidentes influências no universo felliniano. O filme é uma crônica de momentos do dia-a-dia de Rimini, uma pequena cidade italiana, nos anos de 1930, época do domínio do fascismo de Mussolini no país. O diretor capta a atmosfera do período por meio da transformação da política em espetáculos, demonstrada numa cena que descreve uma parada militar. Fellini perpassa as mais representativas instituições da cidade insinuando paralelismos entre os comportamentos autoritários na escola, na igreja, na família e no poder púb...

Machado Assis: O espetáculo do tédio ou a baba de Caim

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Por Carlos Faraco* “E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; (...) como quem se retira tarde do espetáculo.” Quem fala é o narrador defunto de  Memórias Póstumas de Brás Cubas , comentando sua própria morte. Fica implícita também no trecho uma das comparações freqüentes na obra de Machado: a vida encarada como espetáculo. E que tipo de espetáculo os romances de Machado nos oferecem? A sociedade fluminense na época do Segundo Reinado. Espetáculo tratado de duas maneiras distintas ao longo da obra. Aceitando a divisão de sua literatura em duas fases – conforme já consagrado pela crítica –, os romances se distribuem dessa forma: 1ª fase:  Ressurreição  (1872);  A mão e a Luva  (1874);  Helena  (1876);  Iaiá Garcia  (1878); 2ª fase:  Memórias Póstumas de Brás Cubas  (1881);  Quincas Borba  (1891);  Dom Casmurro  (1899);  Esaú e Jacó  (1904);  Memorial de Aires  (1908). ...

Machado de Assis: muitas vezes, uma só hora é a representação de uma vida inteira...

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Por Carlos Faraco* Papéis Avulsos  (de 1882) é o nome do terceiro livro de contos de Machado. O próprio autor comenta: “ Este título de  Papéis Avulsos  parece negar ao livro uma certa unidade; faz crer que o autor coligiu vários escritos de ordem diversa para fim de não os perder. ” Nada mais falso que essa impressão, pois nesse livro revela-se a maturidade do contista Machado de Assis. Já falamos em duas fases na obra de Machado. No conto, esse livro marca a passagem para a segunda fase, a fase da maturidade artística. Papéis Avulsos  contém algumas narrativas consideradas já clássicas em nossa literatura como  “ O alienista ” ,  “ Teoria do medalhão ”  e  “ O espelho ” . O escritor tinha dado um enorme salto de qualidade. Ao lado de temas já vistos nos livros anteriores, em  Papéis Avulsos  Machado recomeça a trabalhar um dos seus temas básicos: a loucura. Nesse sentido, o conto  “ O alienista ”  é uma obra-...

Machado de Assis: alguma coisa anda no ar - um papagaio ou uma república?

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Por Carlos Faraco* Em meados do século XIX, o mapa socioeconômico do Brasil parecia um quebra-cabeças... desmontado. Diferenças regionais profundas, em todos os setores, num país gigante, com uma população estimada grosseiramente de 7 milhões de habitantes. Pouca gente para muito país. Dessa pouca gente, pouquíssimos decidiam. Quem mandava nas terras eram os cafeicultores do Sul, os criadores de gado e os donos dos extensos canaviais nordestinos. Mandavam na terra, nos escravos, no dinheiro, na política. Em tudo. Ao lado dessa restrita classe dominante, formava-se uma burguesia dedicada ao comércio, que logo logo ia começar a querer interferir nos destinos da nação. Indústria? Nem pensar! Livros, máquinas, calçados, escravos... tudo vinha de fora. E custava dinheiro. Dinheiro que os poucos privilegiados detinham. Em 1880 o Brasil era o único país do mundo ocidental que ainda admitia o trabalho sob regime de escravidão. No entanto, desde 1850, quando Machado ainda e...