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Avatar, de James Cameron

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Por Pedro Fernandes Um filme de riqueza visual sem precedentes. O cenário fictício de Pandora, onde se processam as cenas de Avatar , do diretor de Titanic , James Cameron, é a marca central do filme. Não há um enredo muito elaborado; do contrário, é leve, simples e comum - típico de roteiros hollywoodianos para pequenos filmes: a rivalidade entre bem e mal, sem lugares delimitados; um romance que desabrocha do meio para o fim da película; e só. Mas o que chama atenção no filme além da avalanche visual e também sonora está fora dos efeitos especiais e do caudal de cenas de aventura. Reside no que muitos chamarão de mensagem pedagógica  e que eu prefiro chamar de alerta  que este filme transmite: num eventual fim de nossa civilização, como cada vez mais se confirma, o grande responsável de tudo é o próprio homem. Avatar  é uma narrativa sobre a descrença na capacidade humana de reversão de seu estágio atual. Num momento em que parte da ciência não acredit...

Notas sobre o encontro com O dom, de Jorge Reis-Sá

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Por Pedro Fernandes A primeira vez que encontrei o livro do Jorge Reis-Sá estava numa das minhas visitas à livraria em busca de novos nomes da literatura portuguesa contemporânea. Tem sido, assim, desde quando leitor apaixonado pela obra de José Saramago, decidi-me não apenas ficar restrito à obra do Prêmio Nobel de Literatura. Pode ser um gesto de curiosidade do pesquisador, sempre atento a alguma novidade (outro possível Nobel de língua portuguesa) ou ainda certo esforço por encontrar, depois de ter lido grande parte da obra saramaguiana, outro nome da sua envergadura. Até agora não encontrei. É bem verdade que enredo-me (e mais adiante talvez mais ainda tão logo venha me adequar  à nova forma) por António Lobo Antunes, outro que, merece, sem pestanejar receber o galardão mais importante na vida de um escritor. Mas, tenho encontrado surpresas agradáveis, além desse autor. Jorge Reis-Sá é uma delas. Ao topar com este  O dom  fiz o teste de reconheci...

Chico Xavier, de Daniel Filho

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Por Pedro Fernandes Seguindo a moda do cinema brasileiro (que quando não põe nas telas um filme sobre a condição marginal, ou uma comédia, põe cinebiografias) eis que chegou às telas  Chico Xavier , de Daniel Filho. O que veio agora, como escrito no título, é uma leitura sobre a biografia (ou uma encenação dela) do maior líder do Espiritismo no Brasil. Este foi um título que tomei um interesse de vê-lo porque, queimando a tarde na visita rotineira à livraria no shopping, fui catar se havia algum filme na programação. E pelo conteúdo do que já tinha assistido (de novo o trailer!) e diante das opções bisonhas que tinha fui, como voto numa eleição dos dias de hoje, no que parecia menos ruim. Bom, se meia-palavra basta, então sabem do resultado dessa decisão. Confesso que esperava mais do filme (sempre esperamos!), mas, novamente, me deparei com um drama simples, sem enredo, e povoado de diálogos clichê. Como se Daniel Filho apenas tivesse transposto uma de suas sopas ralas...

Ana Luísa Amaral: sentou-se ao meu lado e subiu à tribuna

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Por Pedro Fernandes 1. Os leitores que por acaso gostarem de frequentar este espaço já deverão está cansados de ler essas notinhas sobre nomes da literatura ou dos estudos literários com os quais travei contato ou pude apreciar durante o Congresso da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa realizado em setembro de 2009, em Salvador. Sim, porque antes de Ana Luísa Amaral falei aqui sobre Maria Teresa Horta, Cleonice Berardinelli e Manuel Rui. 2. Assim, como os dois primeiros nomes sobre os quais redigi notas para o Letras , já conhecia alguma coisa da poeta portuguesa a partir da obra Entre dois rios e outras noites. Mas, sempre desatento a associar obra à face dos autores, o encontro com Ana Luísa Amaral diferiu do contato com Maria Teresa Horta e Manuel Rui. É anedótico até, mas vou registrar porque se trata de uma grata surpresa. 3. Num dos dias do congresso uma senhora me pergunta, gentilmente, se na cadeira do meu lado não havia alguém. N...

Um Lugar ao Sol, de George Stevens

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O que seria apenas um melodrama tornou-se uma história de amor mesclada com tragédia social Eis um caso de imagens que se tornaram míticas sem razões definidas, fazendo deste Um Lugar ao Sol  um dos grandes filmes da história do cinema. Parte do encanto deriva da beleza do par central, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor, glamourizados pela luz branca refletida em seus rostos, mas a direção de George Stevens construiu outras imagens fortíssimas. Baseado em Um Tragédia Americana , romance de Theodore Dreiser publicado 1925, o conteúdo conservador desse clássico não atinge a crítica social proposta pelo texto original. Por outro lado, o que seria apenas melodrama resulta em um filme inesquecível, história de amor mesclada com tragédia social, cuja intensidade é ampliada pela trilha sonora do polonês Franz Waxman. Na história, George Eastman (Montgomery Clift) é um operário que procura ascender socialmente, namora outra trabalhadora da fábrica, Alice Tripp (Shelley ...

Duas obras fundamentais de Albert Camus

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Por Pedro Fernandes 1.  Ontem, 04 de janeiro de 2010, fez 50 anos que morreu o escritor e filósofo Albert Camus. É possível que pelas letras brasileiras tenha a figura passado praticamente despercebida, apesar de algumas iniciativas estarem em curso para a celebração de seu centenário. Mas, em terras francesas, mesmo numa data sobre a qual não deve figurar comemoração alguma, o escritor é bastante lembrado como se os seus leitores ou admiradores o mantivessem mais vivo do que nunca. 2. Como escreve José Mário Silva no blog  Bibliotecário de Babel , contemporaneamente, a obra de Albert Camus "tem servido de mote quer a intelectuais de todos os quadrantes, quer aos oportunismos retóricos de Sarkozy". 3. No ano do cinquentenário sobre sua morte, Grégoire Leménager, da Nouvel Obs (uma revista que dedica na edição desta semana um dossiê sobre a obra do escritor nascido na Argélia), afirma que Camus (e sua obra) já "conhece uma apoteose que, para ...