Postagens

Boletim Letras 360º #4

Imagem
Colocamos fim em mais uma promoção daquelas na nossa página no Facebook; achamos que foi o melhor sorteio que já fizemos. Completamos assim uma lista em que já foi para as mãos dos nossos amigos Resina , de Diva Cunha, Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago , de Pedro Fernandes, Antologia poética , de Carlos Drummond de Andrade, A confissão da leoa , de Mia Couto, Orgulho e preconceito , de Jane Austen, Fazes-me falta , de Inês Pedrosa, Um útero é do tamanho de um punho , de Angélica de Freitas; a da vez, foi Poesia Completa , de Paulo Leminski, e foi para as mãos de uma mineira. O fato é que já estamos bolando outra promoção. Enquanto não vem, vamos ver o que se passou na dita página nesta semana? Segunda-feira, 11/03 >>> Brasil: Cleonice Berardinelli na FLIP Depois de divulgar o nome de John Banville como o primeiro estrangeiro a compor a programação da Festa Literária Internacional de Paraty, outro nome, agora nacional, entra n...

Auto dos Danados, de António Lobo Antunes

Imagem
Por Pedro Fernandes Este é o sexto romance de António Lobo Antunes. E chegou-nos ao Brasil pela Editora Best Seller possivelmente em 1985 (a referência à data de publicação por aqui é coisa dura de achar pelos dados no livro e rodando a web o máximo que encontrei foi esta, 1985, portanto,  que é mesmo, isso sabe-se verdadeiramente, a data de publicação em Portugal). A própria editora nem mais existe como figura independente; pelo que sondei está integrada como um selo do grande grupo editorial Record. Fato é que o livro anda esgotado nas prateleiras das livrarias brasileiras, sendo possível encontrá-lo nos santos sebos que salva (e crucifica quando o preço é salgado o que não é este o caso). Foi com este romance que o escritor português ganhou por essa época o Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Apesar de não este um dos livros que poderia considerar sendo o ponto alto da sua carreira, esse reconhecimento vem provar não a escrita individ...

Poesia: a paixão da linguagem

Imagem
Por Paulo Leminski Trago pra vocês uma porção de raciocínios que fiz lá no meu silêncio, na Cruz do Pilarzinho, em Curitiba, um silêncio tão denso que dá pra cortar com a faca. De noite, quando um cachorro late, os outros cachorros fazem psiu. A FUNARTE e o Adauto me convidaram para dizer alguma coisa dentro desse Ciclo, e eu fiquei pensando, por que essa mania pela palavra paixão hoje? Os livros têm paixão no nome, os filmes têm paixão no nome: o Domingos Pelegrini editou um livro chamado  Paixões ; a Alice Ruiz, um livro de poemas chamado  Paixão chama paixão ; o Affonso Romano de Sant' Anna, um livro chamado  Paixão e política ; um filme do Bruno Barreto se chama  Além da paixão . Por que a palavra paixão está na moda? Acho que não é a paixão que está na moda, é a palavra paixão que está na moda.  Como detetive, cheguei à conclusão, às avessas, de que não é que a nossa época seja muito apaixonada. Se a gente está valorizando tanto isso aí, é p...

Fausto, de Alexandr Sokurov

Imagem
Por Pedro Fernandes Não será desnecessário repetir a origem de Fausto , obra já clássica da literatura ocidental que ganhou este status quando Goethe compôs o longo poema cuja primeira parte foi publicada em 1806 e a outra, já às vésperas da morte do autor, em 1832.  No mesmo ano em que o filme de Sokurov teve sua estreia por aqui a Editora 34, inclusive, vez uma nova edição com outra tradução para o poema. Goethe toma por base uma lenda alemã nascida da figura histórica do Dr. Johannes Georg Fuast que viveu entre 1480 e 1540; obcecado pelo advento do poder da ciência e logo desencantado dele, Faust teria assinado um pacto com diabo a título de reencontrar o sentido pela técnica e pelo progresso. O filme do diretor russo, é uma adaptação do livro de Goethe, mas os que já tiveram oportunidade de ler o poema têm, como é já comum no jogo das adaptações, impressões opostas: uns dizem que o filme distorce o poema e, apesar das muitas cenas ‘pesadas’ não chega ao limite do q...

Os desenhos de Elizabeth Bishop

Imagem
Já tem algum tempo que prometemos apresentar os desenhos da poeta Elizabeth Bishop por aqui. Demorou, mas aqui estamos para isso. Antes de falarmos desses trabalhos é importante lembrar as situações em que foram produzidos. Boa parte de seus trabalhos do gênero foram produzidos na sua estadia no Brasil por quase duas décadas – Bishop veio para cá em 1951, com o objetivo de ficar só duas semanas num itinerário pela América do Sul para depois ir a Europa. Ficou por aqui em circunstâncias casuais: reencontrou-se e apaixonou-se por Lota de Macedo Soares e só foi embora quando do suicídio da amante em 1967. Do Brasil, manteve uma intensa correspondência com o seu país de origem. Escreveu constantemente para o The New Yorker e em 1956 recebeu o Pulitzer pelo seu livro North & South – a cold spring . Viveu intensamente os extremos: o próprio país foi lugar de amor e ódio; sentia-se livre por está longe de tudo e todos, sem raízes, na companhia de Lota, e sentia-se presa pel...

Bernardo Guimarães

Imagem
Bernardo Guimarães. Foto sem data. Do arquivo pessoal da filha, Constança Guimarães. Supomos que A escrava Isaura seja o título ainda mais lembrado por brasileiros de várias faixas etárias quando o assunto é novela. E antes de ir para a TV e ser exibida quase que no mundo inteiro e logo um dos produtos da Globo que mais rende vendagens, o pequeno livro de Bernardo Guimarães também já alcança números espantosos se levarmos em consideração o país e o período de onde vem. O escritor foi um dos primeiros que não hesitou em fazer uso da escrita como espaço para denúncia do modo de estar dos da margem. O texto de 1875 é fruto do contato de Bernardo com uma cena muito comum na sua época: numa das muitas fazendas de café em Minas Gerais, já nas proximidades de Ouro Preto, um ano antes, o escritor presencia a um canto do pátio, em frente à porta da senzala, dois escravos amarrados pelos pulsos a receberem do algoz banhado de suor um dos castigos a que eram submetidos muitos dos ...