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Os Lusíadas, de Camões

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Detalhe do frontispício de Os lusíadas , edição de 1572. Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal. Como todo clássico é uma experiência única, encontrar-se pelo caminho das leituras com este texto de Camões não será diferente. Afinal, Os lusíadas é a obra que mais repercute nas literaturas de língua portuguesa. Basta pensar aqui alguns títulos de alguns dos mais conceituados escritores para ter uma clara noção e logo atribuir razão a esse entendimento. Do lado de lá do Atlântico, a epopeia de Camões é eco forte na obra de Fernando Pessoa, que repetiu a proeza de canto ao povo português no seu Mensagem ; José Saramago terá feito o mesmo com A jangada de pedra ou com a intertextualização de episódios e citações diretas do clássico camoniano em boa parte de seus romances.  Do lado cá, ecoa Camões por Carlos Drummond de Andrade se formos reparar o episódico poema “A máquina do mundo”, do livro Claro enigma . E se formos sair à cata, daremos, com certeza, com novos e...

Amor, Michael Haneke

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Por Pedro Fernandes Precisamos esperar a premiação do Oscar para que Amor chegasse às telas do cinema brasileiro. Menos mal; há muito deles que por aqui nem passam. E se este filme não tivesse vindo às grandes telas seria uma grande perda para os olhos dos que estão enfadados da pirotecnia hollywoodiana. É um filme brilhante. E mesmo não tendo assistido a atuação de Jessica Chastain em A hora mais escura e nem a de Quvenzhané Wallis em Indomável sonhadora é possível afirmar com clareza uma coisa: a Academia cometeu a maior gafe. Mais que aquela de ter feito cara feia para a produção de Ben Affleck e depois ter tapado o desconcerto com o prêmio de Melhor Filme. Foi ter dado o prêmio de Atriz para Jennifer Lawrence de  O lado bom da vida – ainda que a produção preencha o quesito de bem feitinha porque tem um enredo bem construído (redondinho, como é comum dizer). Mas, o prêmio era para atriz e, desculpem, Lawrence ainda deve andar muito para conseguir esse status. É p...

Sorteio de dois exemplares de "Arqueologias do Olhar", de Fred Spada

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Frederico Spada (Belo Horizonte - MG, 1982) tem já sua experiência com o verso. Premiado em várias colocações em diversos concursos de poesia, sua estreia se dá com Arqueologias do Olhar , livro publicado em 2011 pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage. Reúne 60 poemas escritos entre 1999 e 2011. O Letras sorteia entre os amigos da fan page dois exemplares autografados pelo poeta. O sorteio é livre e concorrem apenas amigos que têm residência no Brasil; ocorrerá no fim do dia 29 de março e o vencedor será contatado por mensagem pela equipe da fan page. 1. Curtir a fan page do Letras ; 2. Compartilhar na sua time line duas vezes a imagem dapromoção (só é válido compartilhamentos direto da fan page do Letras); 3. Inscrever-se na aba “ Promoções> Quero Participar ” – situada abaixo da imagem de capa da fan page. 

A atualidade renovada de Graciliano Ramos

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Por Pedro Fernandes Em carta enviada por Graciliano Ramos em novembro de 1937 a seus tradutores argentinos Benjamín de Garay e Raúl Navarro, o escritor se pronuncia sujeito desprovido de biografia. E acresce: “Nunca fui literato, até pouco tempo vivia na roça e negociava. Por infelicidade, virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desgraçaram. Veja o senhor como coisas aparentemente inofensivas inutilizam um cidadão. Depois que redigi esses infames relatórios, os jornais e o governo resolveram não me deixar em paz. Houve uma série de desastres: mudanças, intrigas, cargos públicos, hospital, coisas piores e três romances fabricados em situações horríveis – Caetés , publicado em 1933, S. Bernardo , em 1934, e Angústia , em 1936. Evidentemente, isso não dá uma biografia. Que hei de fazer? Eu devia enfeitar-me com algumas mentiras, mas talvez seja melhor deixá-las para romances.” ( Cartas inéditas de Graciliano Ramos a seus tradutores argentinos . Salv...

Philip Roth, 80 anos

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Philip Roth em 1987. Foto de David Montgomery. Desde que o anúncio de sua aposentadoria feito em outubro, mas só ganhado destaque a partir de em novembro de 2012 (comentamos aqui ), e já contradita neste ano, quando disse não saber existir sem escrever, Philip Roth, que chega hoje aos 80 anos, ganha destaque na literatura universal e volta a ser cogitado entre os apostadores como um escritor que merece levar o Prêmio Nobel este ano. Volto, duas linhas, por achar que talvez nem seja tanta contradição assim: assumir que parou de escrever pode ser um reconhecimento de que a fonte esgotou, não há mais nada a dizer, e o que resta, este não saber existir sem escrever, não passa de vício de quem levou uma vida nesse universo complexo, o da palavra. Recentemente a revista New York Magazine perguntou a trinta nomes envolvidos com a literatura (personalidades como Salman Rushdie) se o escritor poderia ser considerado o maior romancista estadunidense vivo, ao que 77% respondeu que sim. ...

Rodrigo de Souza Leão

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Rodrigo Souza Leão em fotografia de Cristina Carriconde Desde 2010 que a Editora Record tem editado a obra de Rodrigo de Souza Leão. Principiou com me roubaram uns dias contados , livro pelo qual iniciei a descoberta do escritor que ainda me é integralmente inédito - seja porque o que li foram poemas e textos esparsos na web , seja porque os livros que dele adquiri ainda fazem parte da longa lista de espera de materiais para leitura. Não é, portanto, que Rodrigo seja um desconhecido. Não. Qualquer um que se aventurar pela própria  web verá que foi um pioneiro na utilização desse suporte para apresentação de seu trabalho, tendo contribuído muito para a cena literária contemporânea.   Formou-se em Jornalismo com 22 anos; queria ser locutor de rádio e entrou na literatura, atestou em entrevistas,  por acaso: "Meu negócio era ouvir rádio e ser DJ. Meu irmão comprou uma bateria e começaram os ensaios aqui em casa. Comecei a querer cantar. De locutor, passei sonha...