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Poemas reunidos, de Ivan Junqueira

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Por Rafael Kafka Ivan Junqueira. Foto: Fábio Seixas. O livro Poemas reunidos  (Editora Record) de Ivan Junqueira reúne uma boa parte da obra poética desse ser humano fascinado pela morte, pelo simbolismo, pelo devir e pela vida. No volume que tenho em mãos, podemos encontrar sete livros de poemas, todos girando em torno do passar irremediável do tempo. A poesia de Junqueira é bela, mas em certos momentos se torna cansativa devido ao vocabulário pesado utilizado pelo autor, que além de poeta é ensaísta e tradutor de célebres nomes da literatura mundial para o português, como Charles Baudelaire e T. S. Elliot. Antes de falar especificamente de minhas impressões de leitura sobre o conjunto de livros acima citado, vale ressaltar que esta é a primeira resenha que faço tanto para este blog quanto para qualquer espaço sobre algum livro de poesia. E falar de poesia é difícil por ser aparentemente fácil. A poesia é muito imagética, mexe mais com nossas sensações do que com ...

Philomena, de Stephen Frears

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Por Pedro Fernandes Quantos crimes a Igreja terá cometido (e ainda comete) em nome da manutenção de seus dogmas? Não há números precisos para isso, mas a resposta bem poderia ser: tantos que a história do horror, do ódio, da intolerância – se possível fosse historiá-los – se confunde com a história da Igreja. E não entram nessa linha imaginária do tempo os crimes individuais, aqueles cometidos contra a vida das pessoas. Philomena é um filme cujo solo aparece sedimentado dessa sorte de horrores, embora não seja um ajuste de contas (porque isso parece impossível) com a instituição. Mesmo diante dessa impossibilidade, já adianto que este terá sido o grande erro proposital da produção; muito embora saiba que, baseado em fatos reais, a direção tivesse que seguir os protocolos de ação da história original. O título do filme é o nome da protagonista, uma senhora que procurou seu filho durante mais de cinco décadas e só o encontrou depois desse tempo graças ao interesse de um j...

Os muitos materiais misturados com precisão em “Nosso grão mais fino”

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Por Alfredo Monte “Não consultes dicionário”, nos diz Bentinho a respeito do significado do seu apelido, D. Casmurro. Hoje em dia sabemos: o relato do protagonista do clássico de Machado de Assis tornou-se tão suspeito que devemos fazer justamente o contrário do aconselhado.   A consulta de dicionários acaba sendo também uma consequência da leitura de José Luiz Passos (vou utilizar um chavão — perdoe-me, leitor, mas se trata da mais pura verdade: ele é uma das maiores revelações literárias dos últimos anos), não que ele tenha nada de preciosista do idioma: em  Nosso grão mais fino , o protagonista é um químico, cuja família acabou perdendo as terras de que era proprietária, e nas quais se produzia açúcar. Entre outras “esquisitices”, por assim dizer, ele nos impinge um irmão imaginário (Zelino), com quem manteve intensa relação, para além da infância. Suas reminiscências são pontuadas, alternando-se com estranhos diálogos com Ana Corama, a amada, que amiúde parecem m...

Poética, de Ana Cristina Cesar

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Por Pedro Fernandes Fala-se sobre uma Geração Marginal; depois, fala-se igualmente de uma geração que assumiu, quando de sua constante manifestação na web (desde sempre, o que também é um gesto de vanguarda), a posição central na poesia contemporânea. O que esta geração produziu e o que essas produções passaram a significar atestam para o constante movimento que é a literatura. Que ela não é uma instituição fossilizada, morta, ou posta como santa no altar. Mas é luta constante, via de ser . Movimento que poderíamos conceituar como infinito. Os daquela geração abriam a possibilidade para outras vias da literatura. Num processo que custou o esforço da negação de determinadas estéticas, a rebeldia da imposição de sua estética em muitos casos, mas a convicção, talvez até prepotente, de que neles estava a novidade. Fato é que não havia um movimento mais ou menos estruturado assim como foi, por exemplo, o modernismo. Sobravam certezas, mas rumos nenhum. Ou mesmo as certezas nã...

Obscuro Domínio, de Eugénio de Andrade

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Por  Pedro Belo Clara O retorno à análise, neste espaço de edição quinzenal, de um trabalho de Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, justifica-se pela significativa diferenciação de abordagem de conteúdos (uma espécie de isotopia mais vincada) que os anteriores títulos apresentados detêm em comparação directa com este último. Crê-se, por isso, que uma nova visita ao universo do autor é da maior relevância e interesse para todo o leitor que se dispõe a explorar outros trilhos que, no fundo, compõem a imensa e preciosíssima estrada poética por Eugénio desenhada - o seu grandioso legado literário. Este trabalho prima notoriamente pela diferença e talvez esse seja o prelúdio  da via de justificação do título que ostenta, uma vez que a obra se adorna de motivos, formas e imagens que, embora não sejam estranhas à temática de Eugénio, são aqui apresentadas de um modo distinto - quase como se o autor se decidisse a não restringir mais algo que até então havi...

Boletim Letras 360º #56

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Para relembrar Rimbaud. Rimbaud na África. Um dia depois da maratona poética pelo Dia Nacional da Poesia, ainda há muita poeira de palavras esperando a leitura de nossos leitores. Há uma série de 18 poemas que está em votação para dar um título à escolha dos participantes aos três primeiros lugares. No domingo divulgaremos os nomes dos ganhadores. Fiquemos com as notícias que circularam durante a semana em nossa página no Facebook e outros adendos. Votem aqui . Segunda-feira, 10/03 >>> Brasil: Novo romance de Milan Kundera chega em agosto Desde 2002 que não é publicado do escritor nenhum título do gênero. O longo jejum terá seu fim. A Companhia das Letras publica em agosto A festa da insignificância . No novo romance do autor de A insustentável leveza do ser , Alain vagueia por Paris num dia de verão, se depara com a última moda (calça de cintura baixa e barriga à mostra) e reflete sobre como a sociedade contemporânea colocou o umbigo no centro do ...