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A cidade inteira dorme e outros contos, de Ray Bradbury

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Por Pedro Fernandes A cidade inteira dorme e outros contos , de Ray Bradbury, célebre autor de títulos como As crônicas marcianas (título sobre o qual tivemos o privilégio de esboçar umas tantas notas por aqui ) e Fahrenheit 451 (título mais conhecido do escritor), foi publicado pela primeira vez em 2008; agora, a Globo Livros, através do selo Biblioteca Azul recupera a edição. Embora, tenha chegado por aqui junto com a reedição de As crônicas ... e boa parte da crítica tenha   se debruçado de imediato sobre os dois títulos em questão, achei por bem tratar das duas obras em separado porque elas possuem especificidades que ficariam melhor apresentadas dessa forma. Embora sejam obras em que se verifica a presença marcante do estilo ficcional do autor, do ponto de vista temático e da forma, os dois livros são, por assim dizer interdependentes. Ao dizer isso, ressalto as semelhanças mantidas entre as obras, mas cobro um olhar astuto sobre cada uma. Por exemplo: em A cida...

Boletim Letras 360 #57

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David Foster Wallace. Um escritor em ascensão. Nos Estados, um filme; no Brasil, a tradução de Infinite Jest , um dos seus romances mais conhecidos.  Cumprimos mais uma data especial, diríamos, para o Letras – mais um Dia Mundial da Poesia. Isso ontem, 21 de março. E, repetimos a dose da semana anterior quando celebramos o Dia Nacional da Poesia. De hora em hora um poeta. Herberto Helder, Ana Cristina Cesar, Manoel de Barros, Paulo Leminski, Ferreira Gullar, Pablo Neruda, Valter Hugo Mãe, Gregorio Duvivier, Paulo Mendes Campos, Fernando Pessoa, Murilo Mendes, Paulo Henriques Britto, Lau Siqueira, Samuel Beckett, Fiama Hasse Pais Brandão, Alice Ruiz, Jorge de Lima, Maria Teresa Horta, Mia Couto, João Cabral de Melo Neto, José Saramago, Adélia Prado e Octavio Paz. Segunda-feira, 17/03 >>> Estados Unidos: O escritor de 2 milhões de dólares Dinheiro não é problema para Garth Risk Hallberg. O romance de estreia do jovem escritor foi comprado pela editora...

Poemas reunidos, de Ivan Junqueira

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Por Rafael Kafka Ivan Junqueira. Foto: Fábio Seixas. O livro Poemas reunidos  (Editora Record) de Ivan Junqueira reúne uma boa parte da obra poética desse ser humano fascinado pela morte, pelo simbolismo, pelo devir e pela vida. No volume que tenho em mãos, podemos encontrar sete livros de poemas, todos girando em torno do passar irremediável do tempo. A poesia de Junqueira é bela, mas em certos momentos se torna cansativa devido ao vocabulário pesado utilizado pelo autor, que além de poeta é ensaísta e tradutor de célebres nomes da literatura mundial para o português, como Charles Baudelaire e T. S. Elliot. Antes de falar especificamente de minhas impressões de leitura sobre o conjunto de livros acima citado, vale ressaltar que esta é a primeira resenha que faço tanto para este blog quanto para qualquer espaço sobre algum livro de poesia. E falar de poesia é difícil por ser aparentemente fácil. A poesia é muito imagética, mexe mais com nossas sensações do que com ...

Philomena, de Stephen Frears

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Por Pedro Fernandes Quantos crimes a Igreja terá cometido (e ainda comete) em nome da manutenção de seus dogmas? Não há números precisos para isso, mas a resposta bem poderia ser: tantos que a história do horror, do ódio, da intolerância – se possível fosse historiá-los – se confunde com a história da Igreja. E não entram nessa linha imaginária do tempo os crimes individuais, aqueles cometidos contra a vida das pessoas. Philomena é um filme cujo solo aparece sedimentado dessa sorte de horrores, embora não seja um ajuste de contas (porque isso parece impossível) com a instituição. Mesmo diante dessa impossibilidade, já adianto que este terá sido o grande erro proposital da produção; muito embora saiba que, baseado em fatos reais, a direção tivesse que seguir os protocolos de ação da história original. O título do filme é o nome da protagonista, uma senhora que procurou seu filho durante mais de cinco décadas e só o encontrou depois desse tempo graças ao interesse de um j...

Os muitos materiais misturados com precisão em “Nosso grão mais fino”

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Por Alfredo Monte “Não consultes dicionário”, nos diz Bentinho a respeito do significado do seu apelido, D. Casmurro. Hoje em dia sabemos: o relato do protagonista do clássico de Machado de Assis tornou-se tão suspeito que devemos fazer justamente o contrário do aconselhado.   A consulta de dicionários acaba sendo também uma consequência da leitura de José Luiz Passos (vou utilizar um chavão — perdoe-me, leitor, mas se trata da mais pura verdade: ele é uma das maiores revelações literárias dos últimos anos), não que ele tenha nada de preciosista do idioma: em  Nosso grão mais fino , o protagonista é um químico, cuja família acabou perdendo as terras de que era proprietária, e nas quais se produzia açúcar. Entre outras “esquisitices”, por assim dizer, ele nos impinge um irmão imaginário (Zelino), com quem manteve intensa relação, para além da infância. Suas reminiscências são pontuadas, alternando-se com estranhos diálogos com Ana Corama, a amada, que amiúde parecem m...

Poética, de Ana Cristina Cesar

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Por Pedro Fernandes Fala-se sobre uma Geração Marginal; depois, fala-se igualmente de uma geração que assumiu, quando de sua constante manifestação na web (desde sempre, o que também é um gesto de vanguarda), a posição central na poesia contemporânea. O que esta geração produziu e o que essas produções passaram a significar atestam para o constante movimento que é a literatura. Que ela não é uma instituição fossilizada, morta, ou posta como santa no altar. Mas é luta constante, via de ser . Movimento que poderíamos conceituar como infinito. Os daquela geração abriam a possibilidade para outras vias da literatura. Num processo que custou o esforço da negação de determinadas estéticas, a rebeldia da imposição de sua estética em muitos casos, mas a convicção, talvez até prepotente, de que neles estava a novidade. Fato é que não havia um movimento mais ou menos estruturado assim como foi, por exemplo, o modernismo. Sobravam certezas, mas rumos nenhum. Ou mesmo as certezas nã...