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Boletim Letras 360º #103

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José Saramago: um escritor sempre no centro das atenções. Nas celebrações pelos 35 anos do romance Levantado do chão  a Fundação que leva seu nome relembra pontos importantes sobre esse que é um dos principais romances do escritor português; no Brasil, os leitores recebem a primeira edição eletrônica da Revista de estudos saramaguianos . 100 publicações dessas; 100 semanas desde que decidimos preencher a vasta rede social com informação sobre um trabalho que dignifica o homem por sua criatividade: a literatura e as demais expressões artísticas. Que esses 100 boletins sirvam de impulso para fazer ainda muito sobre os temas aos quais se dedica o Letras.   Segunda-feira, 02/02 >>> Brasil: A vida criativa de Philip Roth em português A Companhia das Letras apresenta em fevereiro Roth libertado . Escrito por Claudia Roth Pierpont, a obra é um relato envolvente, capaz de mergulhar na complexidade do trabalho de um dos maiores nomes da literat...

A obviedade da frase “O Machismo mata”

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Por Rafael Kafka Há uma frase que leio demais em redes sociais. Tal frase diz que machismo mata. Demorei a entender o seu real sentido até começar a seguir mais páginas feministas e ver relatos de mulheres sendo mortas por namorados e maridos ciumentos em relações que vinham há muito tempo caindo em uma loucura possessiva e sem sentido e das quais, por motivos vários, elas não conseguiam se libertar. Na verdade, bastava abrir o jornal e ver a quantidade de “crimes passionais”, ou feminicídios mesmo, que eram cometidos por homens que não aceitavam se verem longe de mulheres que sofriam demais em relações desumanas e ainda assim, por puro ego ferido, não tinham a sua liberdade dada por aqueles que outrora foram os seus príncipes encantados. Com o passar do tempo, comecei a ver nessas páginas uma série de relatos de moças que postavam em seu Facebook marcas de sua violência pessoal. Moças muitas vezes não crentes que a lei faria algo efetivo por elas e que mais procuravam o...

Damião Nobre e sua trilha sonora literária

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Por Thiago Gonzaga Antes de qualquer coisa, música. Paul Verlaine Se existe um gênero literário que pode ser classificado quase que exclusivamente como de origem brasileira é a crônica. Deixando de lado o aspecto de erudição do ensaio ou a objetividade do artigo, a crônica nos relata assuntos cotidianos, principalmente de fatos mais pessoais, relacionando-os a contextos locais, como política, futebol, carnaval e música. Não é de admirar que, no Brasil, tenhamos  tantos cronistas ilustres como Machado de Assis,  Carlos Drummond de Andrade,  Rubem Braga, Rachel de Queiroz, Luis Fernando Verissimo e  outros grandes nomes. No Rio Grande do Norte, na seara da crônica, há uma tradição relativamente nova, se comparada, por exemplo, à poesia. Temos excelentes cronistas, como Newton Navarro, Berilo Wanderley, Dorian Jorge Freire, Manoel Onofre Jr, Vicente Serejo, Clotilde Tavares, Sanderson Negreiros e Woden Madruga, este último, um ícone da crônica ...

O panteão texano dos escritores

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Gabriel García Márquez revisa Cem anos de solidão. Foto: Guillermo Angulo Todas as memórias de Gabriel García Márquez ocupam 2,6m cúbicos. São umas 40 caixas de papelão atadas com plástico sobre dois apoios de madeira. Era sua coleção pessoal, as coisas que guardava em sua casa na Cidade do México. Uma vida. Assim chegou em 16 de dezembro de 2014 ao Harry Ransom Center, no campus de Austin da Universidade do Texas, Estados Unidos. Dezoito pessoas ajudaram a abrir as caixas. Tardará um ano para catalogar todo material e, muito possivelmente, dois anos para estudá-lo. García Márquez morreu no dia 17 de abril em sua casa no México aos 87 anos. Teve a entrada proibida nos Estados Unidos durante décadas por sua atividade pró-comunista, embora logo tenha se reunido, por exemplo, com o presidente Bill Clinton em 1994. E, no dia 24 de novembro, o Harry Ransom Center anunciou a compra do arquivo pessoal do Nobel colombiano . Uma pergunta percorreu a América Latina nessa ocasião: Te...

Alegorias dramáticas do herói romântico (Parte 1)

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Por Leonardo de Magalhaens No contexto do Iluminismo e da ascensão burguesa ao poder, um movimento artístico – não apenas literário – se destacou na Europa – principalmente Alemanha, França e Inglaterra – antes de influenciar as colônias americanas. Trata-se do movimento romântico. Advindo do chamado Século das Luzes, o sentimento romântico contrapõe-se à contenção lírica  do Classicismo com a idealização do poeta original a expressar de forma original um sentimento pessoal. É o início do hodierno culto ao Indivíduo, que passa a expressar sua consciência íntima e estética na obra que recebe enfim uma assinatura (e não apenas tenta se adequar  a uma tradição e/ou convenção poética). Abordarei a obra de dois poetas que acompanharam a minha juventude – Lord Byron e Álvares de Azevedo. E, num segundo plano, tecerei comparações com outros literatos – Milton, Wordsworth, Coleridge, Keats, Shelley, Goethe, Schiller, Victor Hugo, dentre outros. (Antes des...

Pedro Lemebel

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Na madrugada de sexta-feira (23) em Santiago do Chile morreu o escritor Pedro Lemebel aos 62 anos; trazia consigo um câncer de laringe contra o qual lutava desde 2011. Apesar disso, a notícia foi recebida com certa surpresa pelos mais íntimos e pelos leitores e admiradores de sua obra. Sim, a morte dos que dedicam sua vida à construção de outras possibilidades de habitar o mundo será sempre uma surpresa. E triste surpresa. Ainda mais quando leva de nós alguém que poderia estar ainda apenas no princípio de uma travessia. O estado de saúde de Pedro já o impossibilitara de ir à Feira do Livro de Santiago, em outubro; e o fim de ano foi num hospital entre a recuperação de cirurgias e tratamentos medicamentosos. Parecia, entretanto, que o escritor estivesse nas mãos com a capacidade de decidir quando partiria – essas foram, mais ou menos, as palavras usadas pelo amigo e porta-voz da notícia que correu o mundo em língua espanhola, Héctor Núñez González. Lemebel informara sobre sua ...