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Daniel Mordzinski e a construção de um atlas humano da literatura

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A já clássica imagem de Jorge Luís Borges, por Daniel Mordzinski, um de seus primeiros trabalhos. Click... Click... e quando Javier Cercas se dá conta está no meio de sua piscina portátil em Gerona, com a água ao redor de si, lendo um Hamlet . Foi para um único fotógrafo que o escritor quis posar dessa maneira. E, assim, Daniel Mordzinski terá produzido mais uma galeria de imagens para uma coleção que tem pelo menos quarenta anos. O autor de Soldados de Salamina não supõe em qual momento o fotógrafo argentino o embarcou e fez com que ele sozinho se metesse numa piscina entre sorrisos e piadas. “Mordzinski tem a vantagem de ser muito cordial”, relembrou o escritor na ocasião, “sua conversa flui de maneira natural sobre literatura e outras coisas. Ele não força a nada e quando dás conta estás em pose para fotografias impensáveis”. A fotografias literárias. A retratos que complementam a vida do escritor e sua obra. As imagens que são ponto de partida ou final de uma história...

Os conselhos de Tolstói para uma vida equilibrada

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Possivelmente. Se olharmos a vida do escritor russo em comparação com a de outros nomes podemos dizer que, sim, teve equilíbrio. Mas, a questão pode passar por ângulos diversos e o principal desses é que Tolstói, de fato, como todo simples mortal, tinha seus impulsos e fez o que pôde para canalizá-los noutra direção. Nesse rol de cuidados pode estar a resposta para isso e pode estar o caminho para os romancistas aspirantes ou perseverantes em seguir os passos do autor de Guerra e Paz , afinal impossível admirar a obra e não admirar o modo de vida de quem a escreveu. Equilibrada ou não, as biografias revelam uma abundância de acontecimentos sobre o autor que viveu 82 anos lutando com suas próprias forças para ser/ viver como Liev Tolstói. No Brasil mesmo há duas em circulação: Tolstói – a biografia , de Rosamund Bartlett com tradução de Renato Marques e publicada em 2003 pelo selo Biblioteca Azul da Globo Livros e Tolstói, a fuga do paraíso , de Pável Bassínski com tradu...

Eduardo Galeano

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Quando no dia 13 de abril de 2015 nos chegou logo cedo nos chegou a notícia sobre a morte de Günter Grass não tardou minutos para sabermos da morte de Eduardo Galeano. Logo nos demos conta que as vozes lúcidas do entre-século estão se calando. E a pergunta que sempre nos fica em situações de luto como essas é, que outras vozes poderão dizer o que só eles puderam dizer. É pergunta que nos vem desde quando em 2010 ficamos sem José Saramago, outro nome de forte intervenção no amplo debate político sobre a comunidade humana. Eduardo Galeano sempre será lembrado como o escritor de uma só obra: As veias abertas da América Latina . A obra é testemunha um dos períodos mais negros na formação do continente. Na década de 1970, quando da sua primeira edição, a maioria dos países era sustentada pela ditadura, o que logo o fez um texto libertário. Mas eram também um livro-denúncia sobre a vassalagem desde que aqui aportaram os europeus no final do século XV até o momento em que passamo...

Günter Grass

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O mundo das letras acordou mais pobre no dia 13 de abril de 2015. Morreu o escritor Günter Grass. A notícia chegou-nos cedo pelo Twitter da editora Steidl, responsável pela publicação da sua obra. O autor de O tambor ganhou, em 1999, o Prêmio Nobel da Literatura; no mesmo ano, o Príncipe de Astúrias. Nascido em 16 de novembro de 1927 em Gdansk, Polônia, o escritor sempre foi lembrado pela marca a Caim que carregou durante toda a vida: já sabíamos que em 1944 fora recruta na Força Aérea Alemã, mas em 2006 ele confessou, por ocasião da apresentação de sua autobiografia Nas peles da cebola , que tinha sido voluntário na unidade de elite da Alemanha nazi Waffen-SS quando tinha 17 anos. De então, o autor foi quisto como um traidor e senhor do desserviço à Europa. José Saramago, muito amigo de Grass, foi uma das poucas vozes que se atreveu absolvê-lo da marca: “Ele tinha 17 anos. E o resto da vida não conta? Parece-me uma reacção hipócrita, de muita gente que talvez não c...

Boletim Letras 360º #112

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Aqui estão as notícias que circularam durante mais uma semana de informação em nossa página no Facebook; é esse o propósito desse boletim.  Um conjunto inédito de cartas de Frida Kahlo vai a leilão em Nova York. Mais informações ao longo deste boletim. Segunda-feira, 06/04 >>> Brasil: Novidades sobre a reedição dos livros da coleção Vaga-Lume Em 2014 noticiamos aqui algo que mexeu com a boa lembrança dos leitores: a coleção Vaga-Lume, a mais famosa com mais de 100 títulos infanto-juvenis teria reedição. Pois bem, no cinquentenário da Ática, 10 desses títulos chegam com novas ilustrações e capas que brilham no escuro. A aldeia sagrada , Os barcos de papel , Tonico , O feijão e o sonho , Spharion , A ilha perdida , O escaravelho do diabo , A turma da Rua Quinze , Deu a louca no tempo  e Açúcar amargo . É só aguardar. >>> Brasil: Ela tem 7 anos e o que gostaria de ter: uma biblioteca que pudesse ser espaço para leitura e diversão Imp...

Jack Kerouac, modernismos e o desvairismo beat

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Por Rafael Kafka Atualmente, tenho lido bastante Jack Kerouac. Li e resenhei Anjos da desolação neste ano e atualmente estou a ler as cartas trocadas entre ele e Allen Ginsberg. Na minha lista de espera já se encontram outros dois títulos dele pelo menos: Tristessa , o qual penso ler em algum fim de semana regado a café preto forte, jazz e blues; e seus diários, os quais já comecei a ler algumas vezes, mas quero ler em um momento de concentração profunda. Vejo em Kerouac muito do espírito antropofágico que caracterizou o espírito de nossos poetas modernistas. Os ideiais do pensamento do Modernismo brasileiro são algo muito caro para mim, mesmo eu ainda não tendo lido como deveria a obra desses importantes intelectuais brasileiros. Até o momento do advento da literatura de Mário de Andrade e seus condiscípulos, o fazer literário brasileiro era feito por e para a classe burguesa. Víamos uma língua preocupada em criar uma identidade nacional falsamente europeia, pretensão ...