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Boletim Letras 360º #168

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Marcel Proust numa das fotografias do conjunto de objetos últimos do escritor que vai a leilão. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Foto: Soteby's. Antes de passar às notícias que fizeram a semana do Letras in.verso e re.verso nas redes sociais, gostaríamos de deixar os leitores na expectativa sobre nossa próxima promoção. Depois do sorteio da edição de Todos os contos , de Clarice Lispector, já temos novas ideias. Fiquem atentos! No mais, uma visita às novidades do rico universo literário. Segunda-feira, 02/05 >>> Brasil: Toda obra de Katherine Mansfield ganhará publicação por aqui Uma das edições mais recentes da obra de Mansfield no país foi publicada numa coleção editada pela Cosac Naify, a Mulheres Modernistas; era uma antologia de contos. Agora, toda bibliografia da escritora neozelandesa ganha edição no Brasil pela Autêntica Editora. O trabalho é do brasileiro Rogério Bettoni que foi selecionado para a edição 2016 do programa de residência d...

Sete pontos da filosofia da composição de Edgar Allan Poe

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Edgar Allan Poe sempre aparece em muitas listas e artigos literários não apenas porque alcançou elevada popularidade com os seus escritos, mas porque foi um escritor que muito teorizou sobre o que escreveu – seja o conto, seja a poesia.  Quando vivo, não apenas por isso; na época em que se casou com sua prima aos 27 anos – ela tinha 13 – já há muito circulava entre vários grupos de jornais artigos seus sobre fofocas do mundo literário. Sim, estava atento de que o universo do qual fazia parte era diverso e oferecia material de igual forma para tornar público e esse talvez seja o principal valor que o levou tornar-se quisto então. Agora, além dessa última observação em tom de fofoca, é preciso voltar a compreender o lugar desse Poe que deu forma a todo um universo literário e à maneira com a qual passou para as gerações futuras – sim, porque não foram os textos de certa pitada trivial aqueles que o fizeram a figura que se tornou para as gerações de depois. Poe é um...

Uma visita guiada ao Ulysses, de James Joyce

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Por Pedro Fernandes Quantos livros nascem a partir de uma só obra literária? Muitos. Tantos quantas forem as possibilidades de leitura e o desvelamento de situações, temas, forças, sentidos produzidos pela criação e apreendidos pelo leitor crítico. Em alguns casos, o enigma de uma obra, por mais que seja explorado – e muitas vezes até de forma repetitiva como se averigua em muitos dos trabalhos acadêmicos sobre escritores que chamaria aqui de obsessão de um público leitor –, permanece adormecido durante largo tempo. Muitas vezes é preciso que alguém distanciado desse endeusamento que acomete até o mais frio dos críticos pela figura do escritor ou pela sua obra, afinal a empatia de natureza pessoal tem se firmado como um critério de sustentação da escolha do estudioso por determinado livro e autor, para que uma leitura realmente criadora dê novo fôlego à obra em questão. Sim, a tarefa do crítico não é a de tornar palpável aquilo que o leitor comum não consegue compreend...

Truman Capote: nem a literatura e nem o jornalismo se escrevem a sangue frio

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Por Omar Nieto Se a tão conhecida narrativa jornalística tem sua origem na crônica literária do século XIX, o termo romance de não-ficção cunhado por Truman Capote tem outra conotação: a intenção de acomodar feitos reais numa estrutura dramática que altere o menos possível a verdade proporcionada pela fonte real. O mesmo Truman fez a distinção numa entrevista concedida a George Plimpton em 1966, quando se diferencia de escritores-jornalistas como John Hersey (autor da primeira grande crônica sobre a bomba atômica), Tom Wolfe, Norman Mailer, e mesmo Oscar Lewis quem em Os filhos de Sánchez explora a violência de uma família da zona de Tepito, na Cidade do México. Sobre elas, disse Capote na referida entrevista: “O livro de Oscar Lewis é um documentário, um trabalho de edição das gravações, sem dúvidas, habilidoso e comovedor, mas não é um escrito criativo. Hiroshima (de John Hersey) é criativo – no sentido que Hersey não está descrevendo algo fora de um...

Paradiso em seu labirinto

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Por Arturo Arango Paradiso , o grande romance de José Lezama Lima, cumpriu meio século e ninguém parece recordar o nascimento de uma das obras mais deslumbrantes, ricas e complexas já escritas em língua espanhola. De acordo com o colofão de sua primeira edição, os quatro mil exemplares terminaram de ser impressos no dia 16 de fevereiro de 1966; a obra foi publicada pelas Edições Unión e com capa desenhada por um grande nome das artes cubanas, o poeta e pintor Fayad Jamís. A partir desse momento, esse enorme corpo textual que se estendia por mais seis centenas de páginas começou a percorrer um intrincado caminho cujas pegadas podem ser vistas até hoje. Segundo relata Cintio Vitier, na “Nota filológica preliminar” para a edição crítica preparada para a Coleção Arquivos da UNESCO, em 1988, os mais de setecentos erros de impressão que aparecem no livro editado pela Unión deixaram Lezama profundamente chateado. O manuscrito de Paradiso é composto de vários c...

Hilda Hilst: a transgressão fundamental

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Por Neiva Dutra  "Ler é como pensar, como rezar, como falar com um amigo, como expor ideias, como ouvir música, como contemplar uma paisagem, como sair para dar um passeio pela praia..." estas palavras, do escritor chileno Roberto Bolaño, sintonizam perfeitamente com a apresentação de Hilda Hilst. A escritora brasileira, que nasceu em 21 de abril de 1930 e faleceu em 4 de fevereiro 2004, foi traduzida para o francês e o inglês desde a década de setenta, ao italiano e ao alemão desde a década de noventa, ao espanhol a partir de 2002. Viveu uma existência marcada pela emoção, a solidão e o amor, manifestando-se a favor da liberdade feminina em todos os âmbitos e no mais amplo sentido. Hilda Hilst é um dos protagonistas fundamentais da paisagem literária brasileira do século XX, com mais de quarenta livros escritos em verso, prosa poética, dramaturgia e crônica, publicados entre 1950 e 2003. É uma poetisa consciente de suas ações e de suas palavras; lúci...