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Obras-primas perdidas e felizmente recuperadas

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Walt Whitman: nos últimos anos, dois textos resgatados A história da literatura está cheia de casos de obras destruídas, censuradas ou extraviadas. Por exemplo, Huckleberry Finn , de Mark Twain, foi objeto de repetidas proibições nas escolas estadunidenses devido ao uso da palavra nigger (negrada), vocábulo que nos Estados Unidos adquiriu um peso semelhante ao que começa a se trilhar nas discussões sobre racismo no Brasil dos últimos anos. Além da censura, outra pilha de milhões de livros serviu de alimento para o fogo. Nem mesmo nós, de história tão recente, deixamos de ter nosso Fahrenheit 451. Foi assim, no nosso país naqueles anos infernais da Ditadura com obras de Jorge Amado. Mais de mil exemplares de livros seus foram queimados em praça pública pela polícia do regime, em Salvador, enquanto o escritor era levado para a cadeia. Mas é sobre outra lista igualmente extensa que este texto precisa citar: a de obras que nunca foram sequer publicadas porque foram perdidas...

Baudelaire & Poe, Ltda.

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Por Rafael Ruiz Pleguezuelos ilustração: Falk Nordmann Leia-me e saberás me amar. Assim adverte Baudelaire seus leitores. E faz, além disso, num dos melhores livros da história da literatura: As flores do mal . Isto de leia-me e saberás me amar sempre me pareceu um convite mágico, desafiante e até corajoso, mas sobretudo triste. Baudelaire foi acima de tudo um necessitado de amor. Desde seu sentimento de dândi, desde seus poemas retorcidos, desde sua fama de depreciar tudo e todos, dá continuamente a impressão de buscar amor no artifício das letras, no jogo de inteligências da palavra escrita. O mesmo ocorre com Poe, um que alguém aprende a amá-lo como pessoa lendo-o. Não leia sua biografia, nem mergulhe em seu anedotário e muito menos no que os seus contemporâneos afirmam que fez ou deixou de fazer. Apenas leia-o e saberá amá-lo. Baudelaire e Poe forjaram um tipo de leitor que poderia entendê-los e estavam seguros de que se alguém os lessem adequadamente os amariam de mane...

Boletim Letras 360º #214

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Os leitores que acompanham o Letras desde tempos remotos sabem do nosso esforço por oferecer conteúdo de qualidade e a prova disso está no reconhecimento que silenciosamente galgamos dia após dia. Em 2017, marca-se a passagem de 10 anos online. E já agora apresentamos a primeira das novidades para marcar essa data: inauguramos uma nova interface. Ainda na construção dos ajustes, mas com conteúdo integralmente acessível (quer dizer, quase, que ainda há postagens em revisão). Breve anunciaremos a chegada de novos colaboradores. E assim seguimos – até quando formos possível seguir. Aproveitamos para assinalar duas outras boas notícias: sai hoje o resultado da promoção que sorteia um exemplar de  A montanha mágica , de Thomas Mann (Companhia das Letras); e a nossa página no Facebook ultrapassou os 61 mil seguidores! Somos muito gratos. Bertolt Brecht: ganha edição um texto inédito do escritor no Brasil Segunda-feira, 20/03 >>> Brasil: Um livro, dois inéditos: edi...

A situação humana, de Aldous Huxley

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Por Pedro Fernandes O livro mais conhecido de Aldous Huxley é, sem dúvidas, Admirável mundo novo , considerado nas listas das melhores narrativas distópicas de sempre. Mas, o inglês é autor de uma extensa e variada obra que inclui, entre outros textos, ensaios intervencionistas como os que estão reunidos em A situação humana . Os textos serviram a um conjunto de conferências oferecidas nos Estados Unidos entre fevereiro e dezembro de 1959 e são de extrema valia por vários aspectos: uma compreensão sobre o pensamento de Huxley sobre o homem e a sociedade; a revelação de uma consciência à frente de seu tempo ao se referir a temas que ainda são muito caros nas pautas políticas contemporâneas; um legado para as gerações futuras sobre novas maneiras de pensar o homem e a sociedade perfazendo o perfil necessário aos novos tempos do intelectual engajado, capaz de responder determinadas questões embaraçosas cujas respostas tratadas pelos especialistas parecem não alcançar um li...

Dez livros escritos sob a influência de drogas

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William Burroughs. Toda uma literatura sob efeito de drogas. Existe um velho debate se o uso de drogas psicoativas pode potencializar a inspiração de um escritor, favorecendo sua prosa ou sua poesia, levando-o a jardins alternativos de realidade onde pode fluir o Logos de forma cristalina (língua crisálida) ou se alterar os sentidos é sempre um entorpecimento da lucidez consciente e permanente de quem encontra a claridade na essência inalterável das coisas. A resposta pode se guiar pela primeira alternativa. Utilizar substâncias químicas ou naturais pode aguçar o hemisfério cerebral encarregado de processar a linguagem, chegando por vezes ao aumento da percepção das palavras. Também é evidente que, para muitas pessoas, consumir drogas pode distorcer sua percepção e o abuso inclusive pode fazer-lhes perder a magia natural. De qualquer forma, a relação entre as drogas e a literatura é estreita e por si mesma historicamente estimulante. As palavras, como o cigarro ou os remédios, ...

A gênese de O velho e o mar, de Ernest Hemingway

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Ernest Hemingway e o seu filho Gregory. Sun Valley, Idaho, outubro de 1941. O velho e o mar é, certamente, um dos textos mais conhecidos da obra de Ernest Hemingway. Foi publicado pela primeira vez em 1952 na revista Life e logo se converteu numa das obras-primas do século XX para a literatura estadunidense e valeu ao escritor o Prêmio Pulitzer no ano seguinte. O conto também recebeu três adaptações cinematográficas. O conto imortalizou os mares de Cuba e os pescadores do povoado cubano de Cojímar. “Ele era um velho que pescava sozinho em seu barco, na Gulf Stream. Havia oitenta e quatro dias que não apanhava nenhum peixe. Nos primeiros quarenta, levara em sua companhia um garoto para auxiliá-lo.” Disse-se que a personagem de Hemingway — Santiago — foi inspirada em Gregorio Fuentes Bethecurt, ou Goyo, lendário proprietário do iate Pilar, com quem o escritor saía para pescar. Outros, por sua vez, preferem acreditar que o seu verdadeiro modelo foi um velho pe...