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As melhores leituras de 2017 na opinião dos leitores do Letras

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– O som e a fúria , de William Faulkner. Foi uma experiência de leitura inexplicável. É tudo forte, intenso. (Hugo Trajano, Fortaleza – CE) – A cabra vadia , de Nelson Rodrigues. Um livro que, desde a elaboração dos personagens até as tramas de enredo, desconcerta clichês da brasilidade... Nelson merece ser lido, pelo menos de duas formas: como um exímio contador de histórias sobre o homem “civilizado” e como um pensador conservador, no sentido de que não temos no Brasil tantos pensadores assim, que nos apresentam uma contrapartida ao que predomina em nossa cultura a fim de estabelecermos um diálogo... Merece a leitura de todos, mas sem as reservas de quem é muito politicamente correto. Ainda que torça o nariz, leia até o fim! Afinal, o Brasil vislumbrado por Nelson existe! Não consigo negar isso. (Luiz Eduardo Mendes, Brasília – DF) – A sombra do vento , de Carlos Ruiz Zafón. Um livro que fala sobre o amor aos livros. Todo o ambiente literário do livro é um co...

Os melhores de 2017: cinema

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–  Lady Macbeth , de William Oldroyd. O livro do russo Nikolai Leskov Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk já inspirou diversos trabalhos grandiosos, como a ópera de mesmo título do compositor Dmitri Shostakóvitch. No cinema, antes da adaptação de William Oldroyd, o cineasta polonês Andrzej Wajda já havia realizado na década de sessenta uma leitura intitulada Lady Macbeth siberiana . A narrativa fílmica explora ao limite toda uma sorte de elementos que deflagram das pequenas às grandes violências impostas à mulher: Katherine se casa por conveniência – marca comum de seu tempo – com Alexander. Seu envolvimento com o empregado Sebastian é um dos pontos da trama favoráveis à montanha-russa de sentimentos que embalam a narrativa. E partir daqui, engana-se quem acredita que ela é apenas mais uma mulher passiva aos desmandos do macho. –  Elle, de Paul Verhoeven. Este filme lida com emoções difíceis e busca expor o lado oposto daquilo que socialmente preferim...

Os contos natalinos de Charles Dickens

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Por Gilbert K. Chesterton A literatura quase sempre fracassou quando tentou descrever o estado da felicidade. A tradição, a cultura e o folclore (embora muito mais verdadeiros e confiáveis que a literatura, em geral) poucas vezes acertou com os símbolos de um autêntico ambiente de camaradagem e alegria. Mas aqui e ali sempre se produz a vibração da vox humana . Na tradição, essa essência se produziu sobretudo nas antigas celebrações de Natal. Na literatura, se produziu sobretudo nos contos natalinos de Charles Dickens. Na celebração histórica do Natal, tal como se observa desde os tempos católicos em certos países nórdicos (e recordemos que nos tempos católicos os países nórdicos eram mais católicos que nenhum outro) existem três qualidades que explicam, no meu entendimento, sua influência sobre o sentido humano da felicidade, especialmente em homens como Dickens. Existem três notas de Natal, digamos, que também são notas da felicidade, e que são esquecidas pelos p...

Boletim Letras 360º #253

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E, como anunciamos no nosso Twitter, chegou o nosso recesso de final de ano; também, como repetimos todos os anos: não se trata de uma parada definitiva, só desaceleramos; estes boletins, por exemplo, continuam a sair nos sábados. Vale lembrar ainda que no dia 29 de dezembro divulgaremos as listas de melhores do ano; o dia comum dessas publicações é o último dia do ano, mas em 2017, se repete algo do ano anterior: a data cai num final de semana. Por isso remanejamos para a sexta-feira. No mais, vamos ao que viemos: eis as notícias desta semana que circularam no nosso Facebook. Fernando Pessoa, a história de um novo amor. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 18/12 >>> França: Os 120 dias de Sodoma  como patrimônio nacional a fim de evitar o leilão do célebre manuscrito do marquês de Sade O mesmo gesto já havia sido realizado em relação aos Manifestos do Surrealismo , de André Breton. Os dois textos fazem parte de...

Pretérito imperfeito, de Bernardo Kucinski

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Por Pedro Fernandes Dos modos verbais, o pretérito imperfeito é um passado que não se realizou totalmente; é, dessa maneira, um passado que – como raízes que se deslocam e invadem outros territórios – se prolonga sobre outros tempos: o passado que poderia ter acontecido e o presente. E essa compreensão é oferecida ao leitor neste romance de Bernardo Kucinski do ponto de vista temático e formal. As ações de Pretérito imperfeito embora estejam situadas num passado qualquer do narrador se apresentam como uma sombra sobre o presente da rememoração e em estágio de se concluir, porque afinal, a atitude central desse narrador – a de renegar o filho adotivo – só se concretiza à distância e através da escrita. E não adianta o leitor procurar por trás ou no texto o acontecido. Este romance se filia a uma linha que em 2018, na literatura brasileira, ganhou outras duas representações de grande fôlego: em A noite da espera , o primeiro título da trilogia “O lugar mais sombri...

Elizabeth Bishop, a poeta que nos ensinou a perder

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Por Marta Rebón Elizabeth Bishop quando da sua estadia em Ouro Preto. Em 1951, quanto tinha 40 anos, a poeta estadunidense Elizabeth Bishop saiu de Nova York num cruzeiro desejosa de dar uma volta ao mundo. Não é uma simples turista em busca de prazeres e inspiração. Ao sair de seu país natal, almeja um porto seguro, fugir de um passado pesado e cheio de episódios marcados pela depressão e pelo alcoolismo, alternados com fortes ataques de asma e surtos de eczemas, que ameaçam acabar sua carreira como escritora. A competitiva cena literária nova-iorquina, somada à solidão que ali lhe invade, choca com sua extrema timidez e fragilidade emocional marcadas pela ausência de um pai que morreu prematuramente e não conseguiu sequer alcançar o primeiro aniversário da menina Bishop e de uma mãe que, marcada pela dor da perda, logo foi internada num manicômio e desapareceu por completo da sua vida. A partir de então, Elizabeth ficará às vezes sob responsabilidade da famí...