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Escritores suicidas frustrados

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Por Manuel Vicent Hermann Hesse. Foto: Gret Widmann  A lista de escritores que preferiram tomar o caminho rápido para o outro mundo a continuar escrevendo é magnífica e praticamente interminável. Desde os clássicos Sócrates, Sêneca e Petrônio, passando pelos famosos Salgari, Jack London, Virginia Wolf, Stefan Zweig, Sylvia Plath, Cesare Pavese, Walter Benjamin, Hemingway, a lista não está concluída porque se trata de um ofício sempre à beira de um despenhadeiro precipício, que nada mais é do que o ego do escritor sempre prestes a cair. Mas existiram dois importantes escritores que entraram para a grande história da literatura graças ao fato de que em sua juventude atormentada, apesar de tentado, não conseguiram se suicidar: Joseph Conrad e Hermann Hesse.   Na hora de embarcar, os marinheiros se dividem em dois ajuntamentos: alguns se tornam melancólicos porque deixam para trás mulher, filhos, amigos e prazeres sedentários; outros embarcam felizes por terem conseguido se livrar...

Boletim Letras 360º #403

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DO EDITOR   1. Saudações, caro leitor! Numa magra edição do Boletim Letras 360º publicada recentemente cheguei a sublinhar sobre a escassez de novidades no resto de um ano tão atípico como este que agora se encaminha para o fim. Mas, o que essa publicação e as que se seguiram depois daquela afirmativa fazem é desmentir um pouco a perspectiva ― o não é nada mal.   2. Abaixo você pode conferir um pouco disso recordando as notícias divulgadas durante a semana em nossa página no Facebook. E, claro, as seções correntes com dicas de leitura para alguns títulos da nossa literatura. Obrigado pela companhia por aqui e noutros canais do blog. Boas leituras! Karl Ove Knausgård. Foto: Robi Rodriguez. Último título de sua obra mais reconhecida chega ao Brasil.   LANÇAMENTOS   O esperado volume que encerra  Minha Luta , a monumental série em seis partes do norueguês Karl Ove Knausgård . Neste sexto e último livro, Knausgård examina a vida, a morte, o amor e a literatura com u...

O Odu de Waldo Motta

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Por Wagner Silva Gomes Com poemas em redondilha maior, redondilha menor, decassílabos e poesia visual, percebe-se que a métrica e a forma poética na poesia de Waldo Motta são usadas para revelar o conteúdo oracular. O poeta, descendente de negros praticantes da cabula, evoca poeticamente a ancestralidade dos elementos secretos muçulmanos malês, os quais a religiosidade insere sincreticamente a este o candomblé e cultos indígenas; Waldo insere para além um viés judaico-cristão de interpretação da Bíblia e numerologia. Como deuses do candomblé que tiveram a descoberta de seu poder na vivência com elementos da natureza, Waldo revela em uma entrevista concedida ao programa ViceVerso , da rádio universitária da UFES, que na infância, ao tomar um banho de assento banhado com ervas medicinais que lhe curaram os males que sofria, descobriu que, o seu poder, elemento de visão, um tipo de terceiro olho (fazendo aproximação com a tradição hinduísta), estava em como iria lidar a partir daí com o C...

Nossas noites, de Kent Haruf

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  Por Pedro Fernandes Kent Haruf. Foto: Barry Gutierrez / Rock Mountain News O ponto de partida da narrativa de Nossas noites é inusitado; seus desdobramentos nem tanto; seu desfecho, inesperado. Para o lado que for, somos levados para observar sobre a vida naquela pequena região, onde, se a alcançarmos, funciona como seu prolongamento. Assim é que, por baixo da afirmativa suscitada por algumas das personagens já não tenho mais nada a perder , circula a pergunta: uma vez entrarmos no instante último das nossas existências, o que faríamos? É possível que, entre a maioria das pessoas, essa pergunta sequer ocorra; e, se sim, seja apenas acompanhada daqueles desejos de fim de ano, manifestados com todo fervor e esquecidos no primeiro minuto de se cumpri-los. Como toda circunstância humana, essa não é uma regra universal. E se as exceções não chegam a alterar a superfície total das coisas não se deve ao caso de serem poucas.   Neste que foi o último romance publicado de Kent Haru...

Walter Scott, um certo afeto

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Por Álvaro Cortina   Ao contemplar a história, os homens buscaram conceitos para forjar teorias e fatos para armar relatos verdadeiros. Por sua vez, artistas e poetas tentaram extrair o elemento emocional dessas histórias. É comum, e talvez inevitável, admiração ou desprezo por um governante específico, a devoção a um santo ou herói, a veneração ou rejeição de uma civilização passada: os artistas e poetas sempre trabalharam sobre os materiais do passado mais eminente para estimular estes e outros afetos. Pois bem, os manuais nos dizem que a poética da história muda, de alguma forma, no início do século XIX, quando irrompe o romance histórico. Não se havia olhado para o passado antes? Bem, já não parece tão necessário um passado eminente. Roma ou Atenas servem tanto quanto qualquer outro lugar.   Segundo esta nova afeição romântica, o principal é o passado, o que se aprofundou infinitamente como uma grande noite. No romance histórico, tudo está subordinado ao exotismo de viver ...

Curzio Malaparte

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Por Álvaro Corazón Rural   Curzio Malaparte. Foto: Kitti Bolognesi Eu poderia procurar mil desculpas para elogiar a figura do escritor italiano Curzio Malaparte, mas não vou enganar você. Este homem não entrou na minha vida por causa de seu talento e sim por causa de seu sobrenome.   Quando criança, não conseguia acreditar que na biblioteca dos meus pais tivesse um nome tão duvidoso. Ma-la-part-te. E o que me perturbou muito, ao entrar na adolescência, foi que um de seus livros se intitulava Técnicas de golpe de Estado . Parecia-me um manual sobre algo ruim, muito ruim, que as democracias inocentes e boas sofriam. Eu não podia acreditar. Que tipo de pessoa tinha que ser, me perguntava, para publicar tal coisa. Então, um dia dei uma longa olhada na capa de sua obra-prima, Kaputt , com os soldados da Wehrmacht passando por maus bocados, em vez de aparecer como vilões desafiadores como meus esquemas morais exigiam. Isso fez o resto. Fui seduzido pela incorreção, que é muito atrae...