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Há dois tipos de livros: os ilustrados e os não ilustrados por Gustave Doré

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    Por E. J. Rodríguez   “Gustave Doré teria sido um grande diretor de fotografia. Via as coisas a partir do ponto de vista uma câmera.” (Ray Harryhausen, profissional da área de animação stop motion )   “[O trabalho de ilustração de Gustave Doré para uma edição do Dom Quixote ] foi descrito como o ato de ilustrar uma obra. Eu acredito que foi ato de reescrevê-la. Ao invés de ter uma obra-prima, a humanidade tem agora duas.” (Émile Zola) O célebre registro de Gustave Doré para as duas personagens principais do livro de Cervantes: Sancho e Dom Quixote.      No século XIX, Dom Quixote foi a obra literária mais vendida do mundo, perdendo apenas para a Bíblia. Destas duas obras existiam muitas edições utilitárias lançadas por empresários oportunistas que buscam produzir de qualquer forma o que era uma demanda eterna. Mas, para os grandes editores, para os mais ambiciosos, a Bíblia e Dom Quixote foram as pedras de toque sobre as quais pode construir seu ...

O verdadeiro criador de tudo, de Miguel Nicolelis

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Por Davi Lopes Villaça   A ciência teve, nos tempos modernos, um papel importante no processo de desmitologização e dessacralização do mundo. Ela nos mostrou que o homem não ocupa o centro do universo e que a natureza, essa entidade impessoal, se desenvolve de acordo com leis próprias, insensível ao destino de suas crias. Foi um duro golpe para o nosso ego, que se amparava na ideia de que éramos os protagonistas da história universal ou, pelo menos, de que os astros não eram de todo indiferentes às nossas façanhas. A perda dessas ilusões contribuiu também para a ruptura de um vínculo precioso com o mundo exterior, outrora garantido pelo simbolismo de mitos e religiões, que determinavam nossa interação com o que acreditávamos ser algum tipo de ordem natural e divina ― mas que era, acima de tudo, uma ordem humana, engendrada em nós mesmos para dar forma mais compreensível à realidade. Depois, quanto mais passávamos a conhecer o mundo, menos familiar ele se tornava para nós. Entre o i...

Escritores suicidas frustrados

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Por Manuel Vicent Hermann Hesse. Foto: Gret Widmann  A lista de escritores que preferiram tomar o caminho rápido para o outro mundo a continuar escrevendo é magnífica e praticamente interminável. Desde os clássicos Sócrates, Sêneca e Petrônio, passando pelos famosos Salgari, Jack London, Virginia Wolf, Stefan Zweig, Sylvia Plath, Cesare Pavese, Walter Benjamin, Hemingway, a lista não está concluída porque se trata de um ofício sempre à beira de um despenhadeiro precipício, que nada mais é do que o ego do escritor sempre prestes a cair. Mas existiram dois importantes escritores que entraram para a grande história da literatura graças ao fato de que em sua juventude atormentada, apesar de tentado, não conseguiram se suicidar: Joseph Conrad e Hermann Hesse.   Na hora de embarcar, os marinheiros se dividem em dois ajuntamentos: alguns se tornam melancólicos porque deixam para trás mulher, filhos, amigos e prazeres sedentários; outros embarcam felizes por terem conseguido se livrar...

Boletim Letras 360º #403

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DO EDITOR   1. Saudações, caro leitor! Numa magra edição do Boletim Letras 360º publicada recentemente cheguei a sublinhar sobre a escassez de novidades no resto de um ano tão atípico como este que agora se encaminha para o fim. Mas, o que essa publicação e as que se seguiram depois daquela afirmativa fazem é desmentir um pouco a perspectiva ― o não é nada mal.   2. Abaixo você pode conferir um pouco disso recordando as notícias divulgadas durante a semana em nossa página no Facebook. E, claro, as seções correntes com dicas de leitura para alguns títulos da nossa literatura. Obrigado pela companhia por aqui e noutros canais do blog. Boas leituras! Karl Ove Knausgård. Foto: Robi Rodriguez. Último título de sua obra mais reconhecida chega ao Brasil.   LANÇAMENTOS   O esperado volume que encerra  Minha Luta , a monumental série em seis partes do norueguês Karl Ove Knausgård . Neste sexto e último livro, Knausgård examina a vida, a morte, o amor e a literatura com u...

O Odu de Waldo Motta

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Por Wagner Silva Gomes Com poemas em redondilha maior, redondilha menor, decassílabos e poesia visual, percebe-se que a métrica e a forma poética na poesia de Waldo Motta são usadas para revelar o conteúdo oracular. O poeta, descendente de negros praticantes da cabula, evoca poeticamente a ancestralidade dos elementos secretos muçulmanos malês, os quais a religiosidade insere sincreticamente a este o candomblé e cultos indígenas; Waldo insere para além um viés judaico-cristão de interpretação da Bíblia e numerologia. Como deuses do candomblé que tiveram a descoberta de seu poder na vivência com elementos da natureza, Waldo revela em uma entrevista concedida ao programa ViceVerso , da rádio universitária da UFES, que na infância, ao tomar um banho de assento banhado com ervas medicinais que lhe curaram os males que sofria, descobriu que, o seu poder, elemento de visão, um tipo de terceiro olho (fazendo aproximação com a tradição hinduísta), estava em como iria lidar a partir daí com o C...