Boletim Letras 360º #709
DO EDITOR
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| Ibrahim Al-Koni. Foto: Basso Cannarsa. Reprodução de Lifo.gr |
A editora Tabla apresenta aos leitores brasileiros dois novos livros do autor líbio Ibrahim Al-Koni, autor do já conhecido entre nós O tumor.
1. O tibar se passa no coração do Saara, onde a sobrevivência exige coragem e o deserto revela tanto quanto oculta. Um homem e seu mahri — o lendário camelo dos tuaregues — estabelecem um vínculo de lealdade absoluta. Quando a cobiça, a honra e as antigas tradições colocam essa união à prova, ambos são arrastados para uma jornada em que a liberdade tem um preço e o amor se mede pelo sacrifício. Este é considerado um dos grandes romances de Al-Koni; transforma o deserto em protagonista e faz dele um território de revelação espiritual. Com uma escrita de rara beleza, inspirada na tradição oral tuaregue e na mística do Saara, esta é uma fábula poderosa sobre amizade, destino e o eterno conflito entre a natureza indomável e os desejos humanos. A tradução é de Safa Jubran. Você pode comprar o livro aqui.
2. Em A pedra que sangra, nas montanhas do Saara, Assuf vive em comunhão com o deserto, guardando um dos últimos muflões selvagens, animal sagrado para os tuaregues. Quando caçadores estrangeiros atravessam as dunas em busca de sua presa, a antiga ordem do deserto é rompida, desencadeando um confronto entre duas formas irreconciliáveis de habitar o mundo. Misturando mito, espiritualidade e tradição oral, Ibrahim Al-Koni, representante por excelência da literatura do Saara, constrói uma narrativa de rara intensidade poética, transformando o deserto em protagonista de uma história sobre liberdade, pertencimento e os limites da condição humana. A tradução é de Beatriz Negreiros Gemignani. Você pode comprar o livro aqui.
Federico García Lorca reflete sobre a força criadora nas artes.
Poucos textos exerceram influência tão duradoura sobre a imaginação artística contemporânea quanto Jogo e teoria do duende. Nesta conferência, Federico García Lorca investiga a presença de uma força criadora que desafia a técnica e a inspiração convencional, propondo uma visão da arte fundada no risco e na intensidade das experiências humanas. Ao longo das décadas, sua reflexão inspirou músicos, poetas, dramaturgos, cineastas e artistas visuais em diversas partes do mundo, tornando o duende uma das ideias mais fecundas da cultura do século XX. A presente edição pela editora Bortolotto oferece ao leitor brasileiro um marco editorial: trata-se da primeira edição anotada publicada no país e da primeira elaborada a partir do texto datilografado e corrigido de próprio punho por Lorca. As notas explicativas iluminam personagens, obras, acontecimentos e tradições mencionados pelo autor, permitindo acompanhar com precisão a riqueza de referências que sustenta sua reflexão sobre a criação artística. Tradução de Benhur Bortolotto. Você pode comprar o livro aqui.
Deborah Levy, uma certa Paris e uma certa Gertrude Stein.
Paris, outono de 2024. Uma escritora tenta redigir um ensaio sobre Gertrude Stein e fracassa deliciosamente. À sua volta, a vida insiste em interromper a literatura: a amiga Eva procura desesperadamente seu gato desaparecido, enquanto a inquieta Fanny, do mercado financeiro, está enrolada com nada menos que três amantes. Entre caminhadas no cemitério Père-Lachaise, jantares de raclette e reflexões sobre linguagem e identidade, a narradora mergulha na vida da genial e inclassificável autora de A autobiografia de Alice B. Toklas: os anos de psicologia em Harvard e medicina na Johns Hopkins, a paixão avassaladora por Alice, a amizade com Picasso, o desejo de “matar” o século XIX com a própria caneta. O resultado é uma obra tão inclassificável quanto sua protagonista — parte biografia, parte memórias, parte pura invenção —, uma celebração inteligente e comovente da amizade, da arte e da difícil tarefa de “se compor” como pessoa. Um livro que rompe os limites do gênero para formar algo absolutamente novo, imaginativo, divertido e erudito, à altura do gênio que lhe dá forma. Meu ano em Paris com Gertrude Stein é publicado pela Autêntica Contemporânea. Tradução de Rodrigo Seabra. Você pode comprar o livro aqui.
Um regresso à Alemanha dividida através da história de duas mulheres. É o mote do romance de estreia de Luísa Sobral publicado no Brasil.
Um regresso à Alemanha dividida através da história de duas mulheres. É o mote do romance de estreia de Luísa Sobral publicado no Brasil.
Romance de estreia da portuguesa Luísa Sobral, Nem todas as árvores morrem de pé percorre as décadas mais sombrias da Alemanha do século XX através da história de duas mulheres, Emmi e M., unidas pela desilusão e por uma relação marcada pela distância e pelo silêncio. Emmi nasce na Alemanha Ocidental, pouco antes da ascensão de Hitler ao poder, e perde o pai ainda na guerra, tendo uma adolescência difícil, em que precisa trabalhar cedo para ajudar em casa. Certa noite, conhece Markus, um homem de Berlim Oriental que passa a lhe escrever cartas. Daí nasce uma história de amor, e, apesar da desaprovação da mãe, ela vai viver com ele na RDA, em pleno auge da Guerra Fria. M., por sua vez, nasce na Alemanha Oriental, dois anos depois do levantamento do Muro de Berlim, e cresce à sombra de uma mãe emocionalmente distante e idolatrando o pai — até que descobre a verdadeira faceta dele como membro da STASI, a polícia política da Alemanha Oriental. Narrado de forma não linear e com desfecho impactante, o romance tece uma história de amor, de perda e de sobrevivência em ambos os lados do Muro de Berlim, revelando aos poucos como as vidas das personagens se entrelaçam e se espelham através do tempo. Publicação da editora Record. Você pode comprar o livro aqui.
O que acontece quando a solidão nos tira de órbita?
O que acontece quando a solidão nos tira de órbita?
Nos contos de Se não souber o que fazer, a noite e seus mistérios são a moldura para retratos de desejo, medo, violência e liberdade, que irrompem no cotidiano como forças capazes de tirar tudo do lugar. Uma menina descobre as consequências de ter um corpo próprio; uma mulher casada se apaixona por outra e precisa decidir o que fazer com o futuro que havia imaginado; uma mãe, entre o jantar da família e as lembranças do passado, percebe o que deixa para trás todos os dias — e o que gostaria de deixar. De diferentes maneiras, escapar das formas que lhes foram dadas é o que põe essas vidas em movimento. Organizadas em torno de imagens da formação, degeneração e morte das estrelas, essas histórias aproximam a escala imensa do universo da experiência íntima de seus personagens. Mas aqui não há destino escrito no céu: há corpos que buscam, temem, ferem e são feridos, tentando inventar algum sentido para aquilo que lhes acontece. Com uma escrita vertiginosa, física e marcada pelo humor, Carina Bacelar constrói um livro sobre os momentos em que já não é possível continuar sendo quem se era. E sobre aquilo que talvez reste quando não sabemos o que fazer. O livro é publicado pela editora Bazar do Tempo. Você pode comprar o livro aqui.
Blanca Lacasa nos provoca a pensar sobre dinâmicas amorosas, frustrações e limites entre razão e fantasia.
É uma noite qualquer quando ela conhece ele. Gosta dele, mas os dois têm namorado. Ela nem sabe se ele se interessa por mulheres, mas não para de pensar nele. E então outros encontros acontecem. Mesmo que pareça impossível, uma conexão se estabelece, desencadeada por um mecanismo imparável — aquele que, muitas vezes, move o desejo. Uma novela envolvente, leve e atual. Com tradução de Júlia Dantas, O acidente sai pela Dublinense. Você pode comprar o livro aqui.
Entre a observação antropológica, a crítica política e a meditação filosófica, o romance acompanha a lenta transformação de um homem que já não se sente completamente em casa em lugar algum.
Entre a observação antropológica, a crítica política e a meditação filosófica, o romance acompanha a lenta transformação de um homem que já não se sente completamente em casa em lugar algum.
Depois de vinte anos trabalhando como agente de desenvolvimento em Angola, Moçambique e no sertão brasileiro, perfurando poços e levando água potável a comunidades rurais, Wassermann retorna à Alemanha para um exame psicológico de rotina. O que deveria ser apenas uma formalidade transforma-se em uma investigação muito mais profunda: afinal, o que acontece com alguém que passa tanto tempo vivendo entre línguas, culturas e modos de pensar distintos? O que permanece de sua identidade quando até as palavras parecem mudar de significado? A partir de um simples exercício proposto pela psicóloga — escrever livremente sobre cem palavras —, Franz J. Brüseke constrói um romance singular, composto por breves capítulos em que cada termo desencadeia lembranças, reflexões e episódios vividos pelo protagonista. Água, democracia, saudade, desenvolvimento, pátria, loucura, amor: nada permanece exatamente igual depois de tantos anos de distância. As palavras continuam sendo as mesmas, mas já não dizem as mesmas coisas. Escrito originalmente em alemão, publicado na Alemanha e traduzido pelo próprio autor para esta edição brasileira, Wassermann combina memória, ensaio, humor e ficção numa narrativa de extraordinária originalidade. Entre a observação antropológica, a crítica política e a meditação filosófica, o romance acompanha a lenta transformação de um homem que já não se sente completamente em casa em lugar algum. Wassermann, “Homem da Água” — apelido recebido por perfurar poços artesianos — acaba adquirindo um sentido simbólico: o de alguém cuja verdadeira pátria talvez seja o próprio deslocamento. Com uma escrita ao mesmo tempo irônica e melancólica, Franz J. Brüseke faz do desenraizamento não apenas um tema, mas um modo de olhar o mundo. E mostra que, às vezes, a viagem mais longa não acontece entre países, mas entre uma palavra e outra. O romance é publicado pela editora 7Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Romance japonês de Kiyoko Murata, vencedora do Prêmio Akutagawa, desfia as múltiplas camadas da condição feminina em uma sociedade que naturalizava a exploração sexual de meninas adolescentes.
A trama se passa no início do século XX e acompanha Ichi Aoi, uma jovem de quinze anos, tirada de uma vila de pescadores no sul do Japão e vendida pelos próprios pais a um bordel de prestígio no distrito de prazeres de Kumamoto, em Kyushu — prática comum entre famílias que viam nessa decisão uma saída para a pobreza extrema. Lançada em um mundo cujas regras desconhece, Ichi passa a ser preparada para a vida como cortesã e, pouco a pouco, descobre as dinâmicas de poder de um universo regido por sexo e dinheiro. Esta não é, no entanto, uma narrativa que descamba para o melodrama. Pelo contrário, somos envolvidos pela inocência e pela força de Ichi, por seus percalços e sua rebeldia, assim como pelas sagazes e complexas personagens femininas que a cercam. Kiyoko Murata não fez deste romance um manifesto, mas também está longe de abandonar a crítica social. É nesse emaranhado de opressão e sobrevivência que surge Tetsuko, professora da Escola das Mulheres do Ofício. Com sua determinação silenciosa, ela tenta, a seu modo, desafiar a estrutura machista do distrito de prazeres, ensinando às prostitutas que a instrução é a única chave para preservar, mesmo dentro daquele cosmo, um fio de autonomia. São essas lições — e a união que nasce entre as trabalhadoras — que levarão as mulheres do bordel a um ato de ousadia e resistência. Mulher de prazer, de Kiyoko Murata, é, acima de tudo, uma celebração da capacidade humana de preservar a dignidade, criar vínculos e transformar a dor em força. Publicação da Estação Liberdade. Tradução de Karen Kazue Kawana. Você pode comprar o livro aqui.
Romance de formação às avessas, este livro é uma história múltipla, contada sob diferentes pontos de vista.
Nos anos 1930, em um galpão que cheira a madeira molhada, sentado num banquinho de tirar leite, um pai quer que os quatro filhos pequenos matem, um de cada vez, quatro galinhas que se debatem em sacos de juta trazidos por um peão. Um dos meninos fracassa na tarefa, paralisado de medo e nojo, e ali aprende — que “só tem que matar galinha quem não é dono de galinheiro”. Décadas mais tarde, o menino é conhecido como doutor Santos. O intervalo entre o ritual ambíguo de iniciação e o sucesso econômico e político do personagem, cuja trajetória acompanha o crescimento de Brasília desde a sua construção, é o tempo de uma mudança íntima radical. Em paralelo, o cenário da nova capital concentra alguns dos paradoxos brasileiros: modernidade e atraso, lei para uns e barbárie para o resto. Expoente da nova ficção nacional, Dan volta ao universo de seu primeiro romance para descrever esse mundo em que “nunca vence quem só joga” e a consciência é um “lugar dentro da gente que talvez nem exista”. A riqueza de detalhes de sua prosa faz o panorama social colorir e ser colorido pela psicologia de quem experimenta seus efeitos, em tons que variam entre o documental e o íntimo, a secura das frases curtas e o aluvião dos fluxos de consciência, onde o horror nasce dos desejos, e isso mostra o poder — igualmente paradoxal — das fragilidades humanas: “Passa o tempo, rei de nada, e vem mais sede”. Fora o pasto, tudo é granja é publicado pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
Com uma prosa direta, de franqueza estarrecedora, Alexandre Vidal Porto mergulha fundo nas delícias e sofrimentos de uma paixão que, por sorte ou azar, muitos de nós já vivemos.
Quem não viveu um amor impossível, argumenta o narrador do novo romance de Alexandre Vidal Porto, está em desvantagem na vida, pois aprende-se muito ao olhar para o passado e refletir sobre uma relação que poderia ter sido, mas por diversos motivos não foi. Mesmo que só depois de muitos anos — décadas, às vezes — sejamos capazes de dar os contornos adequados ao que aconteceu. O protagonista de Só depois entenderei possui um emprego respeitável no Itamaraty, mas em meados dos anos 1990, o amor entre homens ainda é algo que se ocultava e era tratado com tabu em cargos públicos. Por isso, deslumbra-se com as possibilidades anônimas dos princípios da internet. Se, a princípio, tudo o que buscava era sexo, logo ele terá sua vida virada do avesso por uma paixão avassaladora por um homem casado e com filhos. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Perquirições de Serguei Eisenstein pela psicanálise e a psicologia.
A figura de Serguei Eisenstein se tornou emblemática para apreciadores de cinema e arte por suas inovações artísticas e conceituais, percebidas em filmes como O encouraçado Potemkin (Potiómkin). Apesar de ser menos discutida, uma das suas principais referências foi a psicanálise, que, no começo do século XX, era centro de um acalorado debate na Rússia. Em Serguei Eisenstein: a psicanálise e a psicologia, o pesquisador italiano Alberto Angelini apresenta e discute a influência dessa área do conhecimento sobre a perspectiva crítica e criativa do diretor, principalmente no diálogo com as ideias de Lev Vigótski. Em tradução direta feita por Aurora Fornoni Bernardini, agora o livro chega às livrarias brasileiras pela Kalinka. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
Este é um relato sobre dois homens singulares que, em meio à adversidade, encontraram um no outro um possível antídoto para a desesperança e para a consciência da própria mortalidade.
Viena, 1967. Em alas separadas de um mesmo hospital, dois homens jazem acamados. O narrador, Thomas Bernhard, sofre de uma doença pulmonar; Paul, sobrinho do célebre filósofo Ludwig Wittgenstein, enfrenta mais uma de suas crises emocionais. A coincidência do encontro era motivo de esperança para Bernhard: “Sabia que, desde muitos anos, meu amigo passava várias semanas ou vários meses em Steinhof e que sempre tornava a sair, razão pela qual pensei que também eu sairia, embora não fosse possível compará-lo a mim em nenhum aspecto”. A amizade começara anos antes, graças à paixão comum pela música: Paul Wittgenstein demonstrava conhecimento excepcional de Mozart e Schumann e era fanático por ópera, o que despertou de imediato a admiração de Bernhard. Mas a excentricidade de Paul superava os interesses pessoais. Herdeiro de uma das famílias mais abastadas da Áustria, distribuía sua fortuna livremente entre amigos e pobres, até ele próprio acabar na miséria.
Mistura de memória e ficção, O sobrinho de Wittgenstein reflete sobre a luta do artista para preservar seu ponto de apoio em um mundo irremediavelmente desgovernado, além de se erguer como uma impressionante elegia a uma amizade real. Publicação da Companhia das Letras; a tradução é de Sergio Tellaroli. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
Grande sertão na outra margem do Atlântico. A filial da Companhia das Letras prepara também uma edição especial para marcar os 70 anos do romance de João Guimarães Rosa em Portugal. Grande sertão: veredas sai com a capa original da primeira edição e prefácio de Clara Rowland.
Mais Starnone do lado de cá. A Todavia publica em novembro, com tradução de Mauricio Santana Dias, Mensagens. No romance, um homem envia sem querer para uma colega de trabalho uma mensagem que seria para a esposa, o suficiente para se formar um imbróglio em crescendo bem à maneira dos interesses do escritor italiano.
O teatro de João das Neves. A Temporal, casa especializada na publicação do teatro, prepara a publicação em cinco volumes das dez peças do teatrólogo. O primeiro livro a sair é O último carro, peça da década de 1960 censurada e só encenada dezesseis anos mais tarde.
OBITUÁRIO
Morreu Aracy Amaral.
Aracy Amaral nasceu em 22 de fevereiro de 1930 e viveu toda a vida, depois de uma longa passagem em Buenos Aires, em São Paulo. Tornou-se professora de História da Arte na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e exerceu vários cargos importantes no meio cultural paulista. Foi também pela mesma instituição onde trabalhou como professora que fez a formação acadêmica, destacando-se, a partir daí como um dos nomes singulares nos estudos da arte modernista derivada do grupo de São Paulo. Deixou extensa e rigorosa sua obra nessa seara. Destacam-se títulos como Artes plásticas na Semana de 22, Tarsila: sua obra e seu tempo, Arte e sociedade no Brasil (trabalho publicado em dois tomos, um dedicado ao período de 1957 a 1975 e outro de 1976 a 2003), Textos do Trópico de Capricórnio (3 volumes), Blaise Cendras no Brasil e os modernistas e Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burger. Organizou a correspondência entre Mário de Andrade e Tarsila, as crônicas da artista e escreveu inúmeros ensaios à volta da obra de autores como Waldemar Cordeiro, Ianelli, entre outros. Aracy Amaral morreu no dia 14 de setembro de 2026.
DICAS DE LEITURA
1. Memórias de um urso-polar, de Yoko Tawada (Trad. Lucia Collinschonn de Abreu, Todavia, 272p.) Três gerações de artistas no mundo da literatura, do circo e do zoológico apresentam as memórias de um urso-polar bebê rejeitado pela mãe e criado por um tratador do zoológico de Berlim. Você pode comprar o livro aqui.
2. Tristezas, de Ovídio (Trad. Pedro Schmidt, Mnēma, 352p.) O poeta no exílio e as saudades do lar. É este o motivo de um dos poemas dentre as obras sobreviventes de um dos principais nomes da poesia romana antiga, sempre lembrado pelas Metamorfoses e A arte de amar. Você pode comprar o livro aqui.
3. Ritos de passagem, de William Golding (Trad. Roberto Grey, Alfaguara, 216p.) A vida a bordo de um navio da marinha inglesa quando um jovem atrai a antipatia e animosidade dos marinheiros. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Bernardo Carvalho está com novo romance na praça: Xilocosmos. O escritor foi o entrevistado no 213º episódio do podcast 451 MHz, da revista 451. Ele passa em revista sua trajetória com as letras, desde o jornalismo e examina algumas das obsessões que retornam no livro a ser publicado em outubro, algumas pistas que o conduziram na feitura da obra, além de discutir o acréscimo de outras questões caras neste trabalho, como o racismo.
BAÚ DE LETRAS
Deborah Levy, autora que tem assumido uma presença constante entre as obras traduzidas recentemente no Brasil e que já esteve duas vezes em destaque em edições deste Boletim, teve duas de suas obras resenhadas por Fernanda Fatureto: Coisas que não quero saber, aqui em agosto de 2017; e Nadando de volta para casa, em fevereiro de 2019.
DUAS PALAVRINHAS
Se o livro não tiver uma força de linguagem, uma complexidade das relações humanas, ele desaparece.
— Milton Hatoum
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