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Anseios e cobranças em A contagem dos sonhos

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Por Vinícius de Silva e Souza Chimamanda Ngozi Adichie. Foto: Jared Soares Dez anos depois, Chimamanda Ngozi Adichie cumpre, enfim, um retorno à ficção, e não apenas, mas à forma com a qual se fez reconhecida: seus volumosos romances. Sim, pois desde Hibisco roxo , nenhuma obra da autora possui menos de 300 páginas, o que a coloca na posição de romancista de mão cheia, sempre disposta a entregar trabalhos complexos e extremamente articulados, em temática, personagem e enredo-narrativa.  Depois de Americanah e seu longo passeio pelos anos da vida de Ifemelu (e também de Obinze), A contagem dos sonhos se debruça sobre quatro protagonistas, todas conectadas entre si: Chimaka, uma mulher “bem de vida”, que vive a escrever livros de viagem e tem sua rotina totalmente revirada com a pandemia da covid-19; Zikora, amiga advogada que passa por uma gravidez indesejada e um parto solitário; Omelogor, prima de Chimaka, uma mulher autônoma e também bem sucedida; e por fim, Kadiatou, a empregad...

Raça, identidade, e sobretudo, Amor, em Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

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Por Vinícius de Silva e Souza   Ifemelu, uma mulher comum, entra em um cabelereiro para trançar seus cabelos, em Princeton, Estados Unidos. Assim inicia-se uma jornada quase épica e profundamente moderna por 520 páginas, na edição comum da Companhia das Letras, onde Chimamanda Ngozi Adichie nos conduz com bastante idas e vindas pelos anos de formação da protagonista.   Sempre gosto de começar os anos lendo algum calhamaço (algo com mais de trezentas páginas), pensando que a folga do mês de janeiro me dará o fôlego necessário para devorar os longos romances que o restante do ano não me permite consumir. E em 2025, o escolhido foi o Best-Seller da escritora nigeriana, na minha prateleira aguardando sua vez de ser lido desde 2021. O romance foi traduzido no Brasil sete anos antes.   Logo entendi o porquê dessa obra ser aceita universalmente. Sua linguagem quase cinematográfica, sem muitos floreios, seduz, como um encantador de serpente; mesmo o leitor mais desavisado, quand...

Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

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Por Guilherme de Paula Domingos Chimamanda Ngozi Adichie. Foto: Stephen Voss   Hibisco roxo é um livro sobre como o poder se exerce do mais forte sobre o mais fraco. Dispondo de estruturas como a Igreja, a colonização e as famílias patriarcais, brancos dominam negros, homens dominam mulheres, pais dominam filhos e governos dominam cidadãos.   Racismo   Os nigerianos sofreram um apagamento de sua cultura pelos colonizadores britânicos. Kambili, nossa protagonista, aprende com o pai — um fanático religioso — que a cultura dos brancos é superior. Culpa da obra missionária, que trouxe a religião católica como a correta. O pai de Kambili assimila para si os preconceitos trazidos pelos missionários e os reproduz sem ter a noção de que seu discurso se volta contra si mesmo.   Em casa é permitido falar o idioma igbo, mas em público, apenas o inglês, que “é mais civilizado”. Não se pode cantar nas Igrejas, porque “não é algo que um branco faria”. Os cantos na igreja também ...

No seu pescoço, de Chimamanda Ngozi Adichie

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Por Jéssica Accioly Lins Chimamanda Ngozi Adichie, uma das vozes africanas mais reconhecidas e premiadas atualmente na cena literária mundial, vencedora do Orange Prize, pelo romance Meio sol amarelo , ganhou notoriedade em uma conferência da organização TED (Tecnologia, Entretenimento e Design), no ano de 2009. Na ocasião, ela proferiu o discurso intitulado O perigo de uma história única , em cujo escopo questiona os perigos da disseminação de uma única visão sobre a África e propõe, em sua fala, uma reflexão acerca da generalização de uma ideia preconcebida do continente africano. Em No seu pescoço , livro de contos traduzido por Julia Romeu e publicado pela primeira vez no Brasil pela editora Companhia das Letras em 2017, Chimamanda explora a ideia de “lugar de fala” ao abordar temáticas relacionadas à visão estereotipada do continente africano e, consequentemente, às experiências vivenciadas pelos seus pares. As doze narrativas que compõem o livro trazem à tona tema...