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Mostrando postagens com o rótulo Elizabeth Bishop

“Zebus e feitiço” ou de que modo Bishop conta as amazonas

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Por Eduardo Galeno   Elizabeth Bishop. Foto: Yale Collection of American Literature. Só chegou a visitar o Norte em 1960, precisamente as cidades que iam de Manaus até Belém, seguindo o percurso do rio Amazonas. Com sua estadia como turista (autoexilada) na base, a maneira que Bishop exercitava a matéria literária e a visão geográfica é diádica. Conseguiu emprestar esse exílio ao acolhimento que a literatura, como significação, dá. Paralelo a isso, planejou as figuras na função que encobre certos traços da sua rede psicológica (não no moderno sentido de self , mas de pneuma , que estabelece a correlação entre psique e soma ).   As virtudes do prazer em “sair de casa” e as intempéries do gozo da escrita se unificam. Logo logo, o investimento do pensamento surge e algo passa a atuar sobre, meio consciente, meio inconscientemente. Aí a saída física significaria uma entrada poético-textual. Mas a última sairia também como abertura, se desenvolvendo pelos vacilos da vida e da ur...

Elizabeth Bishop, a poeta que nos ensinou a perder

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Por Marta Rebón Elizabeth Bishop quando da sua estadia em Ouro Preto. Em 1951, quanto tinha 40 anos, a poeta estadunidense Elizabeth Bishop saiu de Nova York num cruzeiro desejosa de dar uma volta ao mundo. Não é uma simples turista em busca de prazeres e inspiração. Ao sair de seu país natal, almeja um porto seguro, fugir de um passado pesado e cheio de episódios marcados pela depressão e pelo alcoolismo, alternados com fortes ataques de asma e surtos de eczemas, que ameaçam acabar sua carreira como escritora. A competitiva cena literária nova-iorquina, somada à solidão que ali lhe invade, choca com sua extrema timidez e fragilidade emocional marcadas pela ausência de um pai que morreu prematuramente e não conseguiu sequer alcançar o primeiro aniversário da menina Bishop e de uma mãe que, marcada pela dor da perda, logo foi internada num manicômio e desapareceu por completo da sua vida. A partir de então, Elizabeth ficará às vezes sob responsabilidade da famí...

Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares

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Por Telma Amaral Gonçalves Elizabeth Bishop, grande poetisa norte-americana, viveu durante quinze anos uma intensa história de amor com a brasileira Lota Macedo. Foi um período marcado por muita alegria, mas também permeado por inúmeras dificuldades que acabaram por separar o casal. Lota era oriunda de uma família aristocrática que viera para o Brasil no tempo da colonização.  Nascida em Paris, falava fluentemente francês e português e dominava menos o inglês. No âmbito familiar era vista como intelectual, anticonvencional e homossexual. Apesar de não ter cursado uma universidade, tinha conhecimentos profundos em vários campos, como arte, arquitetura e urbanismo e era considerada pelos amigos como uma mulher inteligente, espirituosa, sofisticada, generosa e determinada.  Desgastada emocionalmente com a separação dos pais, resolveu morar sozinha aos vinte e cinco anos, o que já significou um pequeno escândalo na alta sociedade da época. Retornando de um per...

Elizabeth Bishop: tinha um caju no meio do caminho

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Por Patricio Pron  Elizabet Bishop com seu gato Tobias, Rio de Janeiro. Sabe-se que não existem acontecimentos triviais, ou melhor dizendo, que mesmo os que poderíamos considerar triviais têm consequências enormes e de uma duração prolongada. Se Elizabeth Bishop não sabia, descobriu pouco depois de completar 40 anos, quando, durante uma escala no Rio de Janeiro num percurso de viagem, a poeta estadunidense mordeu um caju e sofreu uma reação alérgica que lhe deformou o rosto e esteve a ponto de sofrer uma asfixia. “É uma fruta sinistra. Ninguém deveria combinar fruto e castanha dessa forma indecente”, escreveu mais tarde. Fez do Brasil, porque nunca continuou viajando; e ficou nesse país durante 20 anos. Bishop não estava só quando padeceu da crise alérgica, o que foi uma sorte não só para ela: estava acompanhada de Carlota de Macedo Soares, Lota, uma herdeira que havia conhecido havia pouco tempo em Nova York. Era uma personagem singular: uma mulher rica, interessada e...

Flores raras, de Bruno Barreto

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Por Pedro Fernandes Não estamos diante de uma obra de arte que quer provocar rompimentos estéticos – afinal o que é isso mesmo se toda obra de arte não traz ela própria já esse sentido como prova de que a normalidade nunca lhe pertence? Mas, é um filme, digo logo, que deve ser visto e paparicado pelo público brasileiro. Não é isso uma previsão, mas um modo de pedir. Lá fora, sim, suspeito que a produção possa também não ter a repercussão necessária. A conclusão futurista vem do fato de que este foi um trabalho que teve seus empecilhos ainda quando o diretor estava no processo de captação de recursos para sua realização – coisa que não é nova em se tratando de qualquer produto artístico, mas este tinha um quê que deu balbúrdia: algumas empresas se recusaram a fornecer patrocínios para não ter o belo e tradicional nome (empurre o leitor aqui toda carga de ironia que a expressão possa ocupar) a uma história recebida grosso modo com uma penca de lesbianismo do princípio ao fim d...

Os desenhos de Elizabeth Bishop

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Já tem algum tempo que prometemos apresentar os desenhos da poeta Elizabeth Bishop por aqui. Demorou, mas aqui estamos para isso. Antes de falarmos desses trabalhos é importante lembrar as situações em que foram produzidos. Boa parte de seus trabalhos do gênero foram produzidos na sua estadia no Brasil por quase duas décadas – Bishop veio para cá em 1951, com o objetivo de ficar só duas semanas num itinerário pela América do Sul para depois ir a Europa. Ficou por aqui em circunstâncias casuais: reencontrou-se e apaixonou-se por Lota de Macedo Soares e só foi embora quando do suicídio da amante em 1967. Do Brasil, manteve uma intensa correspondência com o seu país de origem. Escreveu constantemente para o The New Yorker e em 1956 recebeu o Pulitzer pelo seu livro North & South – a cold spring . Viveu intensamente os extremos: o próprio país foi lugar de amor e ódio; sentia-se livre por está longe de tudo e todos, sem raízes, na companhia de Lota, e sentia-se presa pel...