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Para tempos de isolamento: Uniões, de Robert Musil

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Por Paula Luersen “Deveríamos todos estar sozinhos com aquilo que acontece e, ao mesmo tempo, deveríamos estar juntos, mudos e fechados, como um recinto de quatro paredes e sem janelas que formam um espaço onde tudo pode acontecer realmente.” Gravura do livro Uniões                  Descrever o que o leitor encontrará em Uniões , de Robert Musil, é um grande desafio. Textos e livros costumam ser apresentados a partir de alguns modos já bastante conhecidos do público e os contos do livro resistem à maioria deles. Eu poderia dizer, por exemplo, optando por inserir Uniões entre as obras do autor, que o volume apresenta dois contos que constituem algumas das experimentações mais ousadas feitas pelo escritor austríaco. Diferentemente de O jovem Törless ou O homem sem qualidades , o autor parece abrir mão aqui de toda a mediação entre a visão das personagens principais e sua compreensão objet...

A massa e o indivíduo de Elias Canetti

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Por Javier Aranda Luna Os vivos que se conhecem bem sempre há algo que censurar. Os mortos, entretanto, agradecem que não proíbam a recordação. Elias Canetti Todos os homens lutam em algum momento contra a morte. Poucos convertem essa luta em militância e resistência. Elias Canetti foi um deles. Seus romances, obras de teatro, ensaios e aforismos facilmente revelam isso. Enquanto exista a morte, nada belo será belo e nada bom, bom, escreveu certa vez. Se a forma mais elementar que adquire essa luta é a simples sobrevivência, os dias de Canetti foram um preciso exemplo: esteve com sua mãe e seus irmãos por vários países em busca de melhores oportunidades para desenvolver-se e para fugir do antissemitismo da Alemanha nazista. Poliglota desde tenra idade, adotou, o alemão para escrever sua obra. Para ele, essa língua foi “a língua de meu espírito porque sou judeu e desejo conservar em mim, como judeu, o que resta de um país devastado”. De acordo com a...