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Selma Lagerlöf, a ficção como uma forma de espiritualidade

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Por Elena Enríquez Fuentes Selma Lagerlöff em cena de documentário dirigido por Gardar Sahlberg. Quem nunca se deparou com uma situação sem saída? A garganta fica obstruída, o estômago grita, os olhos lacrimejam, as mãos se fecham em punhos, a vulnerabilidade é dor corporal. Selma Lagerlöf diz, através da voz de uma de suas personagens: “O ser humano é mais forte do que acredita e mais frágil do que imagina.” À medida que mergulhamos na biografia e na obra dessa escritora, percebemos profundas conexões entre ficção, fantasia e experiência de vida.   Lagerlöf nos lança um feitiço e, por meio de sua magia, convida-nos à transformação. Todos nós sabemos sobre perdas, mas as mulheres, os homens, as crianças e os animais na sua obra usam o sofrimento como uma maneira de expandir os limites corporais, ampliarem a consciência, tornarem-se mais sensíveis, perceberem mais e melhor estar abertos à compreensão.   Talvez as maiores paixões da escritora sueca fossem escrever e sua te...

Selma Lagerlöf e Astrid Lindgren. Que todos saibam seus nomes

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Por David Gumbarte Selma Lagerlöf As vidas dos grandes escritores estão marcadas por situações corriqueiras. Uma aula de ginástica, arrumar-se para um primeiro encontro, pagar contas, a dor pela perda, uma infância ao sol, lama nos sapatos. Numa entrevista publicada no jornal Clarín em 2011, o escritor brasileiro João Gilberto Noll defendia que “a literatura busca transcender a mediocridade do cotidiano. A literatura é uma forma de resistir”. Como na literatura, Selma Lagerlöf e Astrid Lindgren foram um tanto diferentes e tiveram suas vidas comuns salpicadas de acontecimentos extraordinários. Selma Lagerlöf publicou quase quarenta títulos, entre romances e antologias de contos, de temática muito diversa. Sua obra mais conhecida é A viagem maravilhosa de Nils Holgersson através da Suécia (tradução portuguesa), traduzida para mais de sessenta idiomas. A escritora ostentou a honra de ser a escritora sueca mais traduzida até o aparecimento de Astrid Lindgren com Pippi...

O anel do general, de Selma Lagerlöf

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Por Pedro Fernandes “Tinham se embebido de medo de malfeitores com o leite de suas mães; tinham sido ninados até dormir com cantigas sobre bandidos. Consideravam todos os ladrões e assassinos como abominações e demônios, que não deviam mais ser considerados seres humanos. Não achavam necessário lhes mostrar qualquer compaixão” – a reflexão é do narrador de O anel do general na altura em que acompanha, pelo levantamento dos ânimos do pequeno povoado de Broby, o julgamento de três acusados de assassinato de um jovem para o roubo da peça de extrema valia que ocupa do título ao núcleo principal da narrativa. O excerto é trazido aqui porque justifica em parte uma compreensão dos elementos motivadores da obra. Noutra passagem, como se num arroubo metanarrativo, o narrador interpõe: “A caneta cai de minhas mãos. Não é inútil tentar escrever essas coisas? Essa história me foi contada ao crepúsculo à luz de uma fogueira”. Selma Lagerlöf é, por assim dizer, quem se embeb...

A escritora Prêmio Nobel de Literatura que salvou do nazismo outra escritora Prêmio Nobel de Literatura

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Por Tereixa Constenla A poeta Nelly Sachs No dia 10 de dezembro de 1966 a poeta alemã Nelly Sachs (1891-1970) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo, compartilhado com Shmuel Agnon. Em seu discurso havia mais que agradecimentos. No verão de 1940 a amiga alemã veio à Suécia visitar Selma Lagerlöf para lhe pedir um refúgio para ela e sua mãe. Na primavera de 1940, depois de meses difíceis, Sachs e a mãe chegaram a Estocolmo. Já havia acontecido a ocupação da Dinamarca e da Noruega. Mas, a grande romancista já não estava. Lagerlöf havia morrido pouco antes da chegada das duas. Selma Lagerlöf, “a grande romancista”, a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel de Literatura (foi em 1909), a autora traduzida para meia centena de idiomas, morreu no dia 16 de março de 1940 sem saber se sua intervenção havia sido suficiente para salvar a poeta e sua mãe, ambas de raízes judaicas, da máquina de extermínio nazista. Graças à sua mediação, fugiram de Berlim no últ...