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Mostrando postagens com o rótulo lista de filmes

Querelles des femmes: bruxas, corpos de mulher e fogueiras no século XXI

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Por Cristina Aparicio  Como dar conta do fato de que, durante mais de dois séculos, em distintos países europeus, centenas de milhares de mulheres tenham sido julgadas, torturadas, queimadas vivas ou enforcadas, acusadas de terem vendido seu corpo e sua alma ao demônio e, por meios mágicos, assassinado inúmeras crianças, sugado seu sangue, fabricado poções com sua carne, causado a morte de seus vizinhos, destruído gado e cultivos, provocado tempestades e realizado muitas outras abominações? — Silvia Federeci, em Calibã e a bruxa Cena de A bruxa , de  Robert Eggers Feminicídios A caça às bruxas, o massacre de mulheres que atingiu seu auge na Europa e na América entre os séculos XIV e XVI, é um dos mais atrozes feminicídios registrados na história. Em seu livro Calibã e a bruxa , Silvia Federici explora as causas e analisa os diversos fatores políticos, sociais, econômicos, jurídicos e religiosos que levaram milhares de mulheres a serem julgadas, acusadas de bruxaria e, por fim,...

Simbolismos vanguardistas no cinema

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Por Diego Moldes Recorde de Fausto , de Alexander Sokurov   O que é o simbolismo? Ao contrário do que se lê em milhares de livros, o cinema não nasceu em 1895, com os irmãos Lumière, mas em outubro de 1888, em Leeds, quando Louis Le Prince realizou o primeiro filme da história. Cento e trinta e seis anos de história cinematográfica se passaram, portanto. A cinematografia ainda é uma forma de arte jovem em comparação com outras artes antigas, mas já possui tempo e uma produção vasta, fértil e diversa o suficiente para afirmar que suas linguagens heterogêneas e seus períodos de crise e esplendor, de vanguarda e decadência, são maiores do que aquilo que os historiadores do cinema podem registrar ou conhecer. Estamos falando de mais de meio milhão de longas-metragens e mais de um milhão de títulos, se incluirmos curtas e médias-metragens. Ninguém viu nem cinco por cento dessa produção: em uma longa vida, nenhum pesquisador consegue ver sequer cinquenta mil filmes. Em outras palavras, d...

O Quixote vai ao cinema

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Recorte de Dom Quixote de Orson Welles . Em 2018, por ocasião da estreia de O homem que matou Dom Quixote , seu diretor, Terry Gilliam disse que a obra e a personagem criadas por Cervantes possuem a mesma atualidade de quando foram trazidas a público em 1615. É verdade. A história do engenhoso fidalgo é também tão universal e em todas as épocas serviu de prisma para observar o mundo. E o cinema, que desde sua origem se interessou por enfrentar poderosos gigantes, encontro nas aventuras de Quixote e Sancho uma referência valiosa para a grande tela.   Em 1898, a produtora Gaumont, a mesma que gravou seu nome na história da sétima arte transformando o invento dos Lumière em negócio comercial, filmou um curta em preto-e-branco intitulado Don Quixote . O cavaleiro, evidentemente, era mudo e os gigantes se movimentavam de forma acelerada. Essas imagens, como tantas outras dessa arte perecível, se perderam. Assim, o primeiro filme recontando o livro de Cervantes ficou sendo Les Aventures ...

Cormac McCarthy e o cinema

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Por Javier Yuste   Considerado como um dos melhores romancistas estadunidenses de sua geração, Cormac McCarthy teve uma relação estreita com o meio audiovisual, ele mesmo escrevendo roteiros para o cinema ou acompanhando como seu trabalho se adaptava às telas. Diretores como os irmãos Coen, Ridley Scott ou Billy Bob Thornton trataram de capturar o véu poético de sua literatura, adentrando-se num mundo que gravita entre o noir e o western . Matt Damon e Henry Thomas na adaptação de All the Pretty Horses .   Todos os belos cavalos (2002), de Billy Bob Thornton   O primeiro dos romances da Trilogia da Fronteira de Cormac McCarthy é o mais romântico, o que ajudou o escritor a ganhar leitores e dois prêmios importantes: o National Book Award e o National Book Critics Circle Award. O ator Billy Bob Thornton, que estreou na direção uns anos antes com Na corda bamba (1997), foi encarregado de dirigir esta adaptação meio descafeinada e plana em relação ao material original. ...

Os livros de Gabriel García Márquez adaptados para o cinema e para a televisão

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Por Luis Manrique Rivas O universo literário de Gabriel García Márquez não teve muita sorte no mundo audiovisual. Traduzir não tanto suas histórias-roteiros, mas a maneira poderosa, original e exuberantemente literária como são contados é uma tarefa difícil porque, além disso, suas narrativas fazem com que cada leitor crie seu próprio mundo imaginário. A penúltima adaptação é Notícia de um sequestro , apresentada em 13 de agosto de 2022 como uma minissérie de seis episódios transmitida para 240 países (Prime Video da Amazon), dirigida pelo chileno Andrés Wood, com o apoio dos filhos do escritor. Este talvez seja o livro do Prêmio Nobel colombiano menos complicado de levar às telas, no sentido de que tem menos da imaginação maravilhosa de García Márquez e está mais próximo de uma realidade terrível de seu país relacionada ao narcoterrorismo entre as décadas de 1980 e 90. Foi publicado em 1996 e sua história real parece uma ficção vivida por todo um país onde o autor foi mais um jornalis...

Os melhores de 2020

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Ilustração: Ilya Milstein   Será repetir o óbvio ao dizer que este 2020 guardou o pior das expectativas que levantamos todo final ano para o tempo por vir. O mais doloroso, entretanto, é descobrir a esta altura, com quase todos os doze meses de reclusão, que pioramos um pouco mais como cidadão e como humanidade. Esses duros tempos podem ter produzido uma ou outra variação de ritmo em nós, mas, no geral, as perspectivas são nada animadoras. Não é um discurso fatalista, mas custa ser positivista numa ocasião quando assistimos a vigarice, o mau-caratismo, a desumanidade, o cinismo, o negacionismo gratuito, o medíocre, a parvoíce triunfarem. Ao mesmo tempo, toda a carestia desse tempo cobra o que mais nos falta: um desvio para a civilização e para o humano. Mas, este outro caminho se mostra, mais ou menos visível, não com expectativas e sim com atitude. O possível se realiza pela ação.   E, uma alternativa para melhor, consiste numa reeducação dos sentidos; aguçá-los para a crític...

Os melhores de 2020: cinema

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―  Paterson , de Jim Jarmusch Parece então que Paterson cobrar do seu espectador uma modificação dos sentidos para alcançar esse tempo outro que se perde na pressa do dia. A poesia nunca é mediada pelo tempo do relógio, mas não é puramente efeito contemplativo, tampouco superior ao rotineiro ou preso a uma dinâmica da qual tenhamos que abdicar do que somos. Essas qualidades, o filme parece inquirir, somam-se às vivências dos aspirantes à criação mas incapazes dela, tarefa que sobra na narrativa para os idealistas como companheira de Paterson. Leia mais aqui . ―  Suk Suk , de Ray Yeung A grandiosidade desse filme reside em parte no trabalho de equilíbrio entre as várias frentes assumidas pela narrativa. Todas as entregas passionais são determinadas pelo mesmo tom soturno que conduz os dois amantes. Para uns, isso pode se parecer uma integração aos modelos vigentes, mas não é. Retratar os sutis movimentos situados no bulício do mundo não é uma das tarefas mais fác...

Os melhores de 2019

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  Por Pedro Fernandes Ilustração: Rachel Gannon O ano que agora termina foi de árduo trabalho. Mas, a melhor das sensações para momentos como esse, de retrospectiva com sublinhado para o marcante, é a de dever cumprido. Não que tenha estabelecido metas de leitura. Não. Tenho verdadeiro pavor ao termo quando me refiro a escolhas de livros, filmes e quaisquer outros objetos artísticos. Não deixo de imaginariamente construir minhas listas. Agora, metas nesse sentido, quase sempre resultam em frustração e angústia, porque não se é possível obedecer a um ritmo mecânico, puramente. Bom, talvez esse motivo se justifique pela minha própria vivência com a leitura: sempre dividida entre a liberdade e a obrigação de ler. É que, quando o assunto é ler para estudar, o ritmo nunca se impõe como espontâneo. Muito do que li e gostaria de recomendar nas listas, sobretudo na prosa, não aparece aqui. É que, diferentemente das listas anteriores, em 2019, utilizei com um critério, d...