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José Paulo Paes

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O poeta José Paulo Paes. Foto: Jornal do Brasil. “Pode-se ler a poesia de José Paulo Paes, breve e aguda a cada lance em sua tendência constante ao epigrama, como se formasse um só cancioneiro da vida toda de um homem que respondeu com poemas aos apelos do mundo e de sua existência interior”. (Davi Arrigucci Jr.) José Paulo Paes nasceu em Taquaritinga, São Paulo, a 22 de julho de 1926 e faleceu a 9 de outubro de 1998, na capital paulista, onde fez parte importante da sua vida. Poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta. Toda essa vida dedicada à literatura foi dividida com outra área, muito distinta. Tendo estudado Química Industrial entre 1945 e 1948, em Curitiba, passou a trabalhar num laboratório farmacêutico. Ainda nos tempos de aluno na capital paranaense colaborou com a revista dirigida por Dalton Trevisan,  Joaquim , e publicou seu primeiro livro,  O aluno , fortemente influenciado pela poesia de Carlos Drummond de Andrade. a poesia está mor...

Uma visita à intimidade de Oscar Wilde e Lord Alfred

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“É uma maravilha pensar que o vermelho rosa de seus lábios deve ter sido feito não apenas para a música e o canto mas para a loucura do beijo” Oscar Wilde e Alfred Douglas em 1893 A frase assim solta pode ser atribuída a qualquer um que num momento de paixão aguda pode escrever sobre a pessoa amada. No entanto, tudo muda de figura quando somos dado a conhecer quem é seu autor e para quem foi escrito: Oscar Wilde comentando sua paixão por Alfred. Uma daquelas paixões proibidas que viraram amor e arrastou definitivamente a vida dos envolvidos para outro rumo. No caso do escritor inglês terá cumprido um itinerário de dupla face – deu-lhe sustento para ser quem é hoje Oscar Wilde e lhe deu também a descida de sua vida para o calabouço. Quando a homossexualidade ainda era crime e a perseguição aos gays era mais evidente que hoje, um amor do gênero era mais que transgressor, era também uma condenação. Wilde conheceu Lord Alfred Douglas em junho de 1891, quando o rapaz tinha ...

Agnon, o homem de três sombras

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Por Amós Oz Por vezes, depois de termos nos despedido de tio Yossef e tia Tzipora, se ainda não era muito tarde, visitávamos, por vinte minutos ou meia hora, o vizinho da frente. Entrávamos furtivos na casa de Agnon, sem nada dizer a tio Yossef e tia Tzipora, para não deixá-los tristes. Às vezes, à saída da sinagoga, o sr. Agnon nos encontrava a caminho do ponto de ônibus da linha 7. Agnon então puxava meu pai pelo braço e ameaçava ― se recusar a ir à casa de Agnon e iluminá-la com a beleza da radiosa esposa, entristecida ficará a casa pela ausência da radiosa esposa. E assim Agnon conseguia um leve sorriso dos lábios de minha mãe, e meu pai concordava, dizendo: “Mas só por alguns minutos, desculpe-nos, senhor Agnon, não ficaremos por muito tempo. Temos de chegar ainda hoje a Kerem Avraham, o menino está cansado e deve acordar amanhã cedo para a escola”. “O menino não está nem um pouco cansado”, eu dizia. E o sr. Agnon: “Ouça bem, meu caro doutor: dos lábios ...

Dossiê James Joyce: um guia para entender Ulysses

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capa da 1ª edição de Ulysses Ulysses tem lá suas dificuldades, claro. Isso significa que o leitor que não estiver preparado para enfrentá-las corre o risco de se decepcionar. É preciso conhecer o caminho a se trilhar, sob pena de se perder. A sinopse a seguir abre uma picada na densa floresta literária de Joyce. Conduz o leitor, capítulo a capítulo, à essência do enredo e das técnicas narrativas. Joyce é parcimonioso na indicação de pistas. A única referência que serve mais ou menos de guia é o título do livro: o nome latinizado do herói da Odisséia , de Homero. A leitura de Homero seria enriquecedora, embora não obrigatória, porque os paralelos com a epopéia grega servem sobretudo de base estrutural, funcionam como metáfora profunda – estabelecida com ironia, humor e seriedade – do heróico no homem comum na era moderna. A idéia de um guia não era estranha ao próprio Joyce. Reconhecendo a complexidade do livro, ele elaborou um diagrama explicativo “para uso doméstico”...