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A um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann

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O beijo acalorado entre Burt Lancaster e Deborah Kerr, rolando na areia da praia, é uma das cenas mais românticas da história do cinema No começo da década de 1950, os Estados Unidos já começavam a se recompor dos traumas da Segunda Guerra Mundial, mas algumas feridas ainda não estavam cicatrizadas. Entre elas, o ataque sofrido em Pearl Harbor, um assunto dolorido para os americanos e exorcizado em A um Passo da Eternidade , filme baseado no best-seller de mesmo nome de James Jones e uma das maiores bilheterias da época. A direção é de Fred Zinnemann, que já havia cutucado a caça às bruxas do senador Joseph MacCarthy em Matar ou Morrer (1952). Em seu outro grande trabalho, o cineasta de origem austríaca filmou o cotidiano de uma base militar americana no Haví, alguns dias antes do ataque japonês. Montgomery Clift vive Robert Prewitt, um soldado que acaba de ser transferido. Boxeador talentoso, Prewitt largou o esporte após um acidente e recusa-se a voltar a lutar. Acaba ho...

Notas de viagem

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Por Pedro Fernandes 1.  Na primeira viagem a Mossoró há duas semanas, um pequeno desgosto, porque não pude acompanhar na noite de 19 de março, o lançamento da 3ª edição do Jornal Trabuco e o lançamento do Projeto Caderno Sarau. O que rolou foi apenas uma curta conversa com o poeta mossoroense Gustavo Luz. Na pauta desse encontro não programado estavam assuntos pessoais e assuntos que dizem respeito à organização do Caderno de Poesia Sarau – projeto que terá lançamento junto com a quarta edição do Jornal Trabuco , prevista para maio – e ao seu livro de poesia, agora em segunda edição, sem data para relançamento, o Das máquinas . 2. A reedição de Das máquinas  tem o texto da quarta capa escrito por mim, depois de uma leitura na íntegra do conjunto de poemas; abaixo tomo a liberdade de transcrever alguns inéditos da obra. Tão logo o livro seja publicado copio por aqui o referido texto que escrevi. 3.  Desta conversa com Gustavo, outra novidade: as publicações da edi...

Tempos Modernos, de Charles Chaplin

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Tempos Modernos tornou-se um dos filmes mais conhecidos de Charles Chaplin muito por causa das cenas da primeira parte da história, nas quais o personagem Carlitos aparece como empregado de uma linha de montagem que acaba sendo engolido pela máquina. O trabalho de apertar parafusos é tão repetitivo que produz no protagonista comportamentos obsessivos mesmo fora do ambiente da fábrica. Amalucado, ele passa a apertar qualquer botão que encontra pela frente, como os que vê no vestido de uma senhora que cruza a rua. A crítica à forma mecânica da exploração do trabalho em linhas de produção é evidente, mas não é a única que o filme faz. Na rua, Carlitos vê passar um caminhão, de onde cai uma bandeira, possivelmente vermelha (o filme é em preto-e-branco). Ele a pega para devolver e logo aparece, atrás dele, uma manifestação de trabalhadores. O personagem é então preso e acusado de ser comunista. Por esta e outras o filme, supostamente de conteúdo socialista, foi proibido na Alema...

José de Alencar

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Em 1856 saía publicado A confederação dos Tamoios , poema do escritor Gonçalves de Magalhães. Quase que em paralelo saía uma crítica de um desconhecido. Assinava-se Ig. “[...] se algum dia fosse poeta, e quisesse cantar a minha terra e as suas belezas, se quisesse compor um poema nacional, pediria a Deus que me fizesse esquecer por um momento as minhas idéias de homem civilizado. Filho da natureza embrenhar-me-ia por essas matas seculares; contemplaria as maravilhas de Deus, veria o sol erguer-se no seu mar de ouro, a lua deslizar-se no azul do céu; ouviria o murmúrio das ondas e o eco profundo e solene das florestas. E se tudo isso não me inspirasse uma poesia nova, se não desse ao meu pensamento outros vôos que não esses adejos de uma musa clássica ou romântica, quebraria a minha pena com desespero mas não a mancharia numa poesia menos digna de meu nobre país.”* Ig era José de Alencar. E esse texto daria início a uma das mais acaloradas polêmicas da ainda nascente lite...

O hábito da leitura

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Por Pedro Fernandes Ser culto é não ser curto Imaginemos viver um só dia apenas como analfabeto. Sem ler. Será que conseguiríamos? Num mundo como este, em que a leitura é fundamental, seria possível passar por tal experiência? Bom, creio que não há como ou necessidade de passarmos por essa experiência se ao menos não formos atingido por alguma dessas fatalidades neurológicas. Entretanto, conhecemos os que ainda não tiveram a oportunidade de aprender a ler e são pessoas que vivem essa experiência diariamente. Não saber ler devia ser considerado deficiência. O analfabeto vive preso apenas a um mundo e os múltiplos mundos feito com palavras só acessa pela intuição. É como andar no escuro. Agora, o Brasil padece de uma deficiência outra. Os que sabem ler não sabem o que leem. Não tiram proveito da leitura. Nesse grupo, estão aqueles que quando leem alguma obra literária, por exemplo, não sabem ou não conseguem construir um sentido que valha sobre o que leram.  Ler não ...

Crise, crises (parte II)

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Por Pedro Fernandes Por esses dias saiu neste espaço uma fala minha sobre uma crise que anda a assolar o mundo inteiro, conhecidamente de todos, porque tem sido sobre que a maior parte dos jornais e telejornais tem falado ultimamente, a crise econômica. Haveremos de concordar que esta é uma das muitas crises que vem atormentando a tão frágil organização humana. Mas junto com ela vem ou já estavam várias outras crises. Há a crise financeira. Há a crise política, a crise religiosa, a crise energética, a crise ambiental, a crise... Há crise para todos os gostos. Devo ter enumerado parte significativa delas. Ou senão as mais faladas ao lado da econômica. Umas não tão recentes assim, outras tão velhas quanto à existência humana nesse planeta. Houve crises, há crises e crises ainda haverá. Crises. A história humana é, pelas crises, permeada. Mas, tenhamos calma, isso ainda não é o fim dos tempos, como muitos fanáticos religiosos querem – uns até mesmo pedem em suas orações pela volta...