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Há romances ruins de quem escreve romances bons?

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Por Pedro Fernandes José Saramago, sempre acusado de ter escrito alguns livros que não deviam sequer sido publicados.  Já postei  neste blog algumas notas   acerca de  A Caverna  (2000). Aos que me conhecem ou me leem vez por outra neste espaço, ou mesmo aqueles que passam de relance por aqui, sabe que tenho me tornado leitor da obra de José Saramago há alguns anos e parte disso tem sido registrado por aqui. Ultimamente, tenho atualizado essas leituras com uma certa velocidade, principalmente depois que escrevi minha monografia de fim de graduação intitulada  O Ser em O conto da ilha desconhecida Diante do Ser Sartriano , em agosto de 2008, sob orientação do professor e poeta Leontino Filho. E agora que me dedico a uma nova fase acadêmica, a do mestrado, não é mais que minha obrigação cumprir com essa necessidade uma vez que a obra do escritor português  permanece no centro de interesse e nas minhas preocupações de pesquisador.  ...

In Nomine Dei, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes “Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d’Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?” Este fragmento pertence à nota introdutória de In nome dei , edição de 1993, publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Este livro trata-se de um texto escrito por José Saramago para o teatro. Uma encomenda, como foram todos os seus outros textos do gênero, como ele próprio lembrou em várias ocasiões. Trata-se de um texto que poderíamos dizer, vem compor uma revisão acerca do fio ideológico do discurso religioso, juntamente com O evangelho segundo Jesus Cristo , romance de 1991 e A segunda vida de Francisco de As...

Cruz e Sousa

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“Tem poetas que interessam mais pela obra, artistas cuja peripécia pessoal se reduz a um trivial variado, sem maiores sismos dignos de nota, heróis de guerras e batalhas interiores, invisíveis a olho nu. Tem outros, porém, cuja vida é, por si só, um signo .” Assim inicia Paulo Leminski a apresentação que faz da vida de   Cruz e Sousa, considerado, desde cedo um importante nome da poesia brasileira pelos opositores do parnasianismo e que dividiu a opinião crítica desde sua dupla estreia literária, com a publicação dos livros Broquéis  e Missal , em 1893. Ivan Teixeira esclarece que críticos como José Veríssimo e Araripe Júnior foram insensíveis ao modelo de poesia desenvolvido pelo poeta, estavam, provavelmente tomados dos modelos poéticos da chamada nova geração. Dos nomes conhecidos da época, Teixeira cita que Adolfo Caminha, impulsionado talvez por dividir o mesmo teto da casa editorial — no mesmo ano de 1893, Magalhães & Cia. também publica A normalista ...

Arménio Vieira, Prêmio Camões 2009

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Depois de João Ubaldo Ribeiro, brasileiro nosso, que recebeu ano passado o Prêmio Camões, neste ano, o galardão ficou com o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, escolhido vencedor no último dia 2 de junho. Ele é o 21º a receber a premiação   que é a mais importante da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Arménio Vieira nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de janeiro de 1941. Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o Boletim de Cabo Verde , a revista Vértice , Raízes , Ponto & Vírgula e  Fragmentos .   Algumas das obras do primeiro escritor cabo-verdiano a receber o Camões, são: Poemas  (1981), O Eleito do Sol  (1989), No Inferno  (1999) e  Mitografias (2006). Recentemente, publicou O Poema, A Viagem, O Sonho . "Labiríntica poesia, fascinante leitura. A sonhadora viagem proporcionada pelos poemas deste Vieira, dito Arménio, refirma-o entre os melhores da lusografia con...

Minhas tardes com Décio Pignatari

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Por Pedro Fernandes Décio Pignatari ao lado do professor e poeta Francisco Ivan em conferência de abertura da edição de 2009 do Colóquio Barroco. 1. Este pode ter sido um momento que não se repetirá mais, devido a idade avançada e a já frágil saúde de Décio Pignatari que, apesar de tudo, segue ativo, revisando parte de sua produção intelectual e produzindo novos materiais. Nos dias em que estive em duas longas conferências com um dos fundadores do movimento concretista, relatou-nos do trabalho de construir algumas peças de teatro, como a que contará a história (de um ponto muito inusitado) da escritora potiguar Nísia Floresta. 2.   Décio veio a Natal para ficar boa parte dos dias em que acontece a XVII Semana de Humanidades, evento promovido anualmente pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Os dias aos quais me refiro foram 3 e 4 de junho de 2009. As duas tardes possuíam o título muito genérico de F...

Gregório de Matos, o Boca do Inferno

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Esta cidade acabou-se, pensou Gregório de Matos, olhando pela janela do sobrado, no terreiro de Jesus. “Não é mais a Bahia. Antigamente, havia muito respeito. Hoje, até dentro da praça, nas barbas da infantaria, nas bochechas dos granachas, na frente da forca, fazem assaltos à vista.” Veio à sua mente a figura de Góngora y Argote, o poeta espanhol que ele tanto admirava, vestido como nos retratos em seu hábito eclesiástico de capelão do rei: o rosto longo e duro, o queixo partido ao meio, as têmporas raspadas até detrás das orelhas. Góngora tinha-se ordenado sacerdote aos cinqüenta e seis anos. Usava um lindo anel de rubi ao dedo anular da mão esquerda, que todos beijavam. Gregório de Matos queria, como o poeta espanhol, escrever coisas que não fossem vulgares, alcançar o culteranismo. Saberia ele, Gregório de Matos, escrever assim? Sentia dentro de si um abismo. Se ali caísse, aonde o levaria? Não estivera Góngora tentando unir a alma elevada do homem à terra e seus sofrimentos c...