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Elias Canetti: evocação sem porquê

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Por Juan Malpartida Elias Canetti (1905-1994) pertence a uma tradição que não faz parte dos estudos literários. Esta tradição se caracteriza por um signo inquietante: seus autores escrevem sempre o mesmo livro, ainda que mudem de gênero e às vezes passem – como no caso de Canetti – da ficção ( Auto de fé , por exemplo) ao ensaio erudito e sério ( Massa e poder ), passando por obras de reflexão tão pouco demonstrativas que, em ocasiões, só parecem sustentar-se por sua enunciação ( A província do homem ). Pergunto-me se sua condição de judeu (descendia de uma família de origem sefardita) não teve algo a ver com essa atitude de alto compromisso, próximo ao fanatismo – o que chamaria de absoluto – na relação com a tarefa do escritor e com a obra em si, concebida como uma aposta contra a morte.   A Canetti, o autor de língua alemã de seu século o que mais lhe interessou, juntamente com Kafka, foi Musil, quem tratou nos anos de Viena. Mas, junto a estes autores, somari...

Sete romances sobre o 11 de setembro

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Aproximamos de uma década dos atentados terroristas de 11 de setembro e desde então esse fato, sem dúvidas um marco na história do novo século, começa a povoar narrativas da literatura produzida dentro e fora dos Estados Unidos. A lista resume a extensa quantidade de materiais do gênero livreiro (dentre HQ's, livro-reportagem, entrevistas) apresentada por outros editoriais. O critério escolhido na seleção foram, portanto, dois: um, textos literários; outro, que já tenha tradução no Brasil.  1. Homem em queda , de Don DeLillo (Trad. Paulo Henriques Brito, Companhia das Letras) Somente alguém que já escreveu sobre outras catástrofes tão ou mais dramáticas (lembramos de Cosmópolis ) poderia tomar parte nos acontecimentos do dia 11 de setembro de 2001. O tema do terrorismo também não é algo novo para DeLillo, mas com  Homem em queda  o romancista mergulha no coração da tragédia e busca criar um nova estética literária. A recriação do choque é tão potente como s...

Blade Runner - o caçador de andróides, de Ridley Scott

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Mistura de ação e filosofia diferencia visão pessimista do futuro de outras ficções científicas Los Angeles, 2019. Com o planeta transformado em sucata por causa da chuva ácida e de outros desastres ambientais, a humanidade migrou para colônias espaciais e a Terra abriga apenas os excluídos. Nesse cenário de caos, cinco replicantes (andróides extremamente desenvolvidos) desafiam a proibição de vir à Terra e são caçados por policiais chamados "blade runners". Um ex-caçador, Deckard (Harrison Ford), é convocado para eliminar os intrusos (cujas vidas duram apenas quatro anos), e acaba descobrindo segredos sobre a própria identidade. O que diferencia Blade Runner - O Caçador de Andróides , dirigido por Ridley Scott, de outras produções futuristas centradas centradas na ação é, em parte, seu conteúdo filosófico. Ao serem montados, os replicantes recebem memórias afetivas, o que lhes dá uma consciência quase humana, fazendo com que demonstrem emoções. O fato de serem mo...

O valor de 1984, de George Orwell

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Por Rafael Argullol Outro dia vi na estante o número 1984, que correspondia ao título do romance de George Orwell, e logo reparei no fato de que já passamos um quarto de século daquela data tantas vezes tida como simbólica. Como senti curiosidade por averiguar a vigência das profecias contidas no texto, fui reler o livro. Já havia se passado muitos anos desde minha primeira leitura e recordava mais o que fora dito sobre o romance do que sua narrativa. Nossa sociedade se parecia com algo do que Orwell desenhou como sociedade do futuro? Logo no início me surpreendeu certo tom ingênuo. Ficava claro que o autor, no momento de escrever o romance em 1949, estava completamente determinado pelas circunstâncias da época. Depois do trauma da Guerra Civil em Espanha, na qual havia participado ativamente, e da Segunda Guerra Mundial, Orwell se mostrava impressionado pelo clima apocalíptico que ia adquirindo a recém-estreada Guerra Fria. E assim, ao construir sua antiutopia, o romanc...

Estórias gerais, de Jaime Hipólito

Por Lindelillyan Fernandes Importante profissional do jornal e escritor de reconhecimento merecido. Como costumavam dizer a seu respeito: - Caicoense de Mossoró, publicou no ano de 1962 o livro de conto:  O aprendiz de Camelô , hoje metabolizado nessa obra:  Estórias Gerais . A qual merece seus confetes por trazer para ao público, um conjunto de momentos cotidianos, bem possíveis de realização. Fato que ele se orgulhara de comentar, por gostar de expor os acontecimentos em seus contos exatamente como eles aconteciam, fossem verídicos ou existentes somente no seu mundo particular de idéias. Isso provavelmente influência das rotinas jornalísticas, visto que ele preferia os bastidores dos jornais à vida literária. Estórias Gerais de Jaime Hipólito é uma obra tipicamente nordestina, pois trata contos como um gênero regional, trabalhando seus temas com a simplicidade da conversa na janela das vizinhas de um bairro popular. O autor busca , como ele mesmo afirma, e...

Mais dez filmes inspirados em clássicos da literatura brasileira

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No começo do mês de agosto organizamos uma lista com dez filmes que tiveram seu enredo adaptado a partir de alguns clássicos da literatura brasileiro. Mas, o leitor bem sabe que uma lista que dá conta de apenas dez títulos não abarca nem uma milésima parte da quantidade de trabalhos dessa natureza já apresentados; nem esgotaríamos se ampliássemos para uma centena deles. Bem, como toda lista é sempre injusta, mesmo depois dessas duas publicadas aqui no blog, certamente ficaremos sem mencionar outros filmes que caberiam aqui. E, com um tema vasto desses, o bom que poderemos voltar a ele quantas vezes acharmos necessário e escrever outras tantas e tantas listinhas de dez filmes. Por enquanto, fiquemos com esses. Nunca é demais lembrar que não é propósito estabelecermos um ranking  por melhor ou pior filme; os títulos foram se apresentando aleatoriamente e depois só organizamos por ano de lançamento. Grande Otelo em Macunaíma Macunaíma , de Joaquim Pedro de Andrade (1969): Quem n...