Postagens

A memória no museu

Imagem
Fachada do Museu Câmara Cascudo A direção do Museu Câmara Cascudo, Sônia Othon, critica a falta de interesse dos que trabalham o turismo na cidade para incluir os patrimônios culturais e históricos nos roteiros dos visitantes.“O que se fala é que eles só levam aos locais que pagam comissão”. As palavras da diretora fazem referência ao roteiro montando pelos guias turísticos de Natal. A falta de “acordo” entre o museu e os guias estaria afastando o público de fora da cidade. A procura que há na instituição por parte dos turistas é apenas espontânea, portanto tímida, e não existe incentivo das agências de turismo ou do poder público para incluir o patrimônio nos roteiros dos visitantes. Na opinião da diretora, falta vontade política para que o acesso aos museus aconteça, já que a maioria deles é do Governo do Estado. Segundo Sônia Othon, outras instituições também sofrem com a situação. É o caso do Museu de Cultura Popular, a Casa de Câmara Cascudo e até mesmo o Forte ...

Um Estranho no Ninho, de Miloš Forman

Imagem
Ambientada num hospital psiquiátrico, comédia dramática ganha peso de libelo contra a repressão Apesar de ter perdido seus pais tragicamente no campo de concentração de Auschwitz, Miloš Forman nunca abandonou o humor em seus filmes. Foi com graça que ele construiu sua filmografia na Tchecoslováquia, nos anos 1960, em pleno movimento de renovação do cinema (a Nouvelle Vague deles). Desta fase, destacam-se pelo menos dois longas, Os Amores de uma Loira  (1965) e Baile dos Bombeiros  (1967), ambos sobre inquietações da juventude. Com a invasão soviética no país, em 1968, Forman partiu para os Estados Unidos. Lá, freou a estética mais arrojada que fazia na terra natal, mas manteve o olhar crítico sobre as instituições controladoras. Nessa pegada, alguns de seus filmes mais renomados são Amadeus  (1984) e O Povo Contra Larry Flint  (1996), que trazem homens lutando contra o conservadorismo do sistema. Neste aspecto, a prisão-manicômio de Um estranho no nin...

Avatar, de James Cameron

Imagem
Por Pedro Fernandes Um filme de riqueza visual sem precedentes. O cenário fictício de Pandora, onde se processam as cenas de Avatar , do diretor de Titanic , James Cameron, é a marca central do filme. Não há um enredo muito elaborado; do contrário, é leve, simples e comum - típico de roteiros hollywoodianos para pequenos filmes: a rivalidade entre bem e mal, sem lugares delimitados; um romance que desabrocha do meio para o fim da película; e só. Mas o que chama atenção no filme além da avalanche visual e também sonora está fora dos efeitos especiais e do caudal de cenas de aventura. Reside no que muitos chamarão de mensagem pedagógica  e que eu prefiro chamar de alerta  que este filme transmite: num eventual fim de nossa civilização, como cada vez mais se confirma, o grande responsável de tudo é o próprio homem. Avatar  é uma narrativa sobre a descrença na capacidade humana de reversão de seu estágio atual. Num momento em que parte da ciência não acredit...

Notas sobre o encontro com O dom, de Jorge Reis-Sá

Imagem
Por Pedro Fernandes A primeira vez que encontrei o livro do Jorge Reis-Sá estava numa das minhas visitas à livraria em busca de novos nomes da literatura portuguesa contemporânea. Tem sido, assim, desde quando leitor apaixonado pela obra de José Saramago, decidi-me não apenas ficar restrito à obra do Prêmio Nobel de Literatura. Pode ser um gesto de curiosidade do pesquisador, sempre atento a alguma novidade (outro possível Nobel de língua portuguesa) ou ainda certo esforço por encontrar, depois de ter lido grande parte da obra saramaguiana, outro nome da sua envergadura. Até agora não encontrei. É bem verdade que enredo-me (e mais adiante talvez mais ainda tão logo venha me adequar  à nova forma) por António Lobo Antunes, outro que, merece, sem pestanejar receber o galardão mais importante na vida de um escritor. Mas, tenho encontrado surpresas agradáveis, além desse autor. Jorge Reis-Sá é uma delas. Ao topar com este  O dom  fiz o teste de reconheci...

Chico Xavier, de Daniel Filho

Imagem
Por Pedro Fernandes Seguindo a moda do cinema brasileiro (que quando não põe nas telas um filme sobre a condição marginal, ou uma comédia, põe cinebiografias) eis que chegou às telas  Chico Xavier , de Daniel Filho. O que veio agora, como escrito no título, é uma leitura sobre a biografia (ou uma encenação dela) do maior líder do Espiritismo no Brasil. Este foi um título que tomei um interesse de vê-lo porque, queimando a tarde na visita rotineira à livraria no shopping, fui catar se havia algum filme na programação. E pelo conteúdo do que já tinha assistido (de novo o trailer!) e diante das opções bisonhas que tinha fui, como voto numa eleição dos dias de hoje, no que parecia menos ruim. Bom, se meia-palavra basta, então sabem do resultado dessa decisão. Confesso que esperava mais do filme (sempre esperamos!), mas, novamente, me deparei com um drama simples, sem enredo, e povoado de diálogos clichê. Como se Daniel Filho apenas tivesse transposto uma de suas sopas ralas...

Ana Luísa Amaral: sentou-se ao meu lado e subiu à tribuna

Imagem
Por Pedro Fernandes 1. Os leitores que por acaso gostarem de frequentar este espaço já deverão está cansados de ler essas notinhas sobre nomes da literatura ou dos estudos literários com os quais travei contato ou pude apreciar durante o Congresso da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa realizado em setembro de 2009, em Salvador. Sim, porque antes de Ana Luísa Amaral falei aqui sobre Maria Teresa Horta, Cleonice Berardinelli e Manuel Rui. 2. Assim, como os dois primeiros nomes sobre os quais redigi notas para o Letras , já conhecia alguma coisa da poeta portuguesa a partir da obra Entre dois rios e outras noites. Mas, sempre desatento a associar obra à face dos autores, o encontro com Ana Luísa Amaral diferiu do contato com Maria Teresa Horta e Manuel Rui. É anedótico até, mas vou registrar porque se trata de uma grata surpresa. 3. Num dos dias do congresso uma senhora me pergunta, gentilmente, se na cadeira do meu lado não havia alguém. N...