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O silêncio da água, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes Como aquele  A maior flor do mundo , que foi, inicialmente uma crônica e depois virou um conto infantil, organiza-se, agora  O silêncio da água , um conto infantil oriundo de um fragmento do romance  As pequenas memórias . Antecipo, entretanto, que essa caracterização de “infantil” é um tanto quanto discutível por natureza, mas mais ainda em José Saramago, que considera algumas separações um tanto quanto caducas e pensa nas crianças como sujeitos com capacidades tanto quanto de adultas para lerem sobre determinados assuntos e determinadas histórias em determinados formatos. E mais: que os adultos padecem de uma necessidade de ler tais histórias, para, lendo-as, possam se reencontrar com a criança que um dia foram e, nesse movimento, se redescobrirem, inclusive, enquanto adultos. E  O silêncio da água  está aí como prova disso. Nasce de um romance em que o exercício da escrita – nesse caso, memorialístico – é o de uma volt...

Guerra e Paz, de Tolstói

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Vista lateral de Guerra e paz publicado pela Cosac Naify em tradução direta do russo para o português feita por Rubens Figueiredo. A obra também traz um texto de apresentação do escritor. É sim um grande romance – em todos os sentidos. No tema, na forma e na dimensão do enredo, 2 536 páginas. É mais um objeto de desejo construído pela Cosac Naify e que chega ao Brasil, pela primeira vez, em tradução direta do russo para o português. O trabalho conduzido pelo escritor/tradutor Rubens Figueiredo levou três anos para concluí-lo. Agora, fazer o design de um livro nessas dimensões é coisa para poucos. Ou, coisa para a Cosac Naify. Em texto de Elaine Ramos, responsável pela arte da casa editorial, publicado no blog da Cosac, registra-se que a dificuldade foi fazer um livro desse porte se tornar um convite à leitura.  A inspiração veio olhando para as edições de bíblias – que conseguem condensar suas páginas em grandes volumes compactos e flexíveis; a partir daí, ...

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes

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Por Pedro Fernandes “Todos os tempos tiveram coisas boas; todos os tempos tiveram coisas más; mas como comunidade a espécie humana é um desastre. É um desastre. Então, é muito difícil dizer que todo o tempo passado foi melhor. Medo? Nada... Nada... Não... não... Não gosto nada, claro, evidentemente. E agora que, enfim, com a idade que tenho... Então, digamos, que já está claro que, que a porta de saída já está aí... Não, não tenho medo da... Medo, não. Há uma coisa de que, realmente, não gosto nada, que é quando se diz: Ah, estar vivo, morrer, e tudo isso... Para mim, a morte é... Não sei o que será depois... Ou, no momento em que estiver a morrer... como o entenderei... Mas, para mim, a morte, neste momento, é a diferença entre ter estado e já não estar. Isso é que... Isso, realmente, é o que me chateia muitíssimo...” É com este depoimento para uma emissora, que se abre o documentário José e Pilar – obra-prima, já me adianto, que põe o telespectador-leitor próximo ...

Feliz Natal

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Porque tivesse mais tempo ou porque estivesse mais propício a agradar meus leitores e transeuntes, ano passado comecei ainda no dia 20 de dezembro a destribuir nos correios eletrônicos de meus contatos um cartão elaborado para essa época do ano. Este ano as coisas não sucederam no mesmo rumo e limitei-me a postar o tradicional cartão de Natal por aqui*. Os votos de Bom Natal não irá diferir, isso eu aposto. * Para visualizar melhor basta clicar sobre a imagem; caso queira guardar como lembraça, depois de clicar sobre a imagem bastar salvar normalmente direto no seu computador.

Descobrir Pinóquio

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Amantes do livro-arte, a Cosac Naify publicou neste mês de dezembro uma obra digna de presente de fim de ano: As aventuras de Pinóquio . A proposta da editora em redescobrir a famosa história do boneco de madeira, vem numa caprichada edição com tiragem limitada a 3 500 exemplares impresso em papel importado GardaPat Kiara, capa dura e impressão em  hot stamping . Nessas horas correr é necessário.  A tradução do famoso texto ficou a cabo de Ivo Barroso, que manteve o mesmo ritmo de folhetim associado a uma linguagem refinada e límpida do original de quando o livro foi inicialmente publicado – sob o formato de folheto para jornal. Na luxuosa edição o leitor ainda se depara com um texto inédito no Brasil do escritor Italo Calvino em que comenta sobre o clássico.  Pinóquio é uma rica metáfora acerca do rito de passagem da infância para a adolescência. Como texto metafórico que o é, Ivo Barroso preserva o tom irônico e o jogo linguístico construído p...

Almada Negreiros

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Auto-retrato num grupo . Óleo sobre tela, 1925. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal. O painel foi realizado por Almada Negreiros para o café A Brasileira e com ele o autor participou do Salão de Outono de 1925. “A vocação de Almada foi a de dizer-se , de afirmar-se , de passar a vida a ser-se Almada. ” " —  Eduardo Lourenço “A Raça Portuguesa não precisa de reabilitar-se, como pretendem os tradicionalistas desprevenidos; precisa é de nascer pro século que vive a Terra.” —  Almada Negreiros Este é um poeta que a crítica o tem como a figura mais polêmica do Modernismo português e assim o foi nas mais diferentes manifestações artísticas – na prosa, no teatro, na poesia e nas artes plásticas. Mas, na definição de Carlos Queirós “em tudo, e sobretudo, poeta. Ele próprio, humanamente, poeta”. Sua inquietude ou rebeldia não são gratuitas. Almada, além do olhar aguçado do poeta forma-se poeta de um tempo também de inquietudes e de rebeld...