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“Angústia”, de Graciliano Ramos, por Antonio Candido

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Frontispício da 2ª edição de  Angústia , de Graciliano Ramos. A 1ª edição foi também publicada pela José Olympio Editora e quando o seu autor estava preso pelo regime de Getúlio Vargas.  Comparado a  Crime e Castigo , de Dostoiévski, o romance ganhou, em 2011, uma edição especial e um ciclo de debates em torno da obra que encerrou  em outubro desse ano. O motivo é que  Angústia , de Graciliano Ramos fez 75 anos.  A primeira edição foi lançada, portanto, em 1936, pela Editora José Olympio e é o terceiro romance do autor de Vidas secas . O ano e a obra são singulares: primeiro, Graciliano estava preso pelo regime ditatorial de Getúlio Vargas e segundo, o romance deixa-se (inevitavelmente) se levar por esse ambiente, estando nele visível a situação do autor com esse contexto, situação que deve ter sido a de muitos brasileiros que sofreram perseguições pela Ditadura. A data de 75 anos do romance não foi esquecida e o grupo editorial Record lançou uma ed...

Feliz Ano Novo

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É sabido de todos que Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que a essa época do ano costuma circular às pampas e que se chama  “ Receita de Ano Novo ” . O Letras in.verso e re.verso mesmo no cartão de Ano Novo de 2010 se utilizou de alguns versos. Esse ano, entretanto, quis  fazer algo que diferisse desse lugar-comum, mas sem perder o autor de A rosa do povo de vista.  É aí que me deparo com  “ Poemas de Dezembro ” , publicado na página do escritor mineiro no Projeto Releituras. Em 1963 Lázaro Barreto mandou para  o poeta um exemplar de seu livro Contos do Apocalipse Clube , já que estava dando seus primeiros passos no mundo das letras. Tocado pela situação de Barreto, que à época residia em uma pequena cidade mineira, Marilândia, Drummond, bem ao seu estilo, lhe escreve comentando a obra e começa uma troca de correspondências com o iniciante que durou mais de 20 anos. Os dois jamais se ...

O silêncio da água, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes Como aquele  A maior flor do mundo , que foi, inicialmente uma crônica e depois virou um conto infantil, organiza-se, agora  O silêncio da água , um conto infantil oriundo de um fragmento do romance  As pequenas memórias . Antecipo, entretanto, que essa caracterização de “infantil” é um tanto quanto discutível por natureza, mas mais ainda em José Saramago, que considera algumas separações um tanto quanto caducas e pensa nas crianças como sujeitos com capacidades tanto quanto de adultas para lerem sobre determinados assuntos e determinadas histórias em determinados formatos. E mais: que os adultos padecem de uma necessidade de ler tais histórias, para, lendo-as, possam se reencontrar com a criança que um dia foram e, nesse movimento, se redescobrirem, inclusive, enquanto adultos. E  O silêncio da água  está aí como prova disso. Nasce de um romance em que o exercício da escrita – nesse caso, memorialístico – é o de uma volt...

Guerra e Paz, de Tolstói

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Vista lateral de Guerra e paz publicado pela Cosac Naify em tradução direta do russo para o português feita por Rubens Figueiredo. A obra também traz um texto de apresentação do escritor. É sim um grande romance – em todos os sentidos. No tema, na forma e na dimensão do enredo, 2 536 páginas. É mais um objeto de desejo construído pela Cosac Naify e que chega ao Brasil, pela primeira vez, em tradução direta do russo para o português. O trabalho conduzido pelo escritor/tradutor Rubens Figueiredo levou três anos para concluí-lo. Agora, fazer o design de um livro nessas dimensões é coisa para poucos. Ou, coisa para a Cosac Naify. Em texto de Elaine Ramos, responsável pela arte da casa editorial, publicado no blog da Cosac, registra-se que a dificuldade foi fazer um livro desse porte se tornar um convite à leitura.  A inspiração veio olhando para as edições de bíblias – que conseguem condensar suas páginas em grandes volumes compactos e flexíveis; a partir daí, ...

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes

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Por Pedro Fernandes “Todos os tempos tiveram coisas boas; todos os tempos tiveram coisas más; mas como comunidade a espécie humana é um desastre. É um desastre. Então, é muito difícil dizer que todo o tempo passado foi melhor. Medo? Nada... Nada... Não... não... Não gosto nada, claro, evidentemente. E agora que, enfim, com a idade que tenho... Então, digamos, que já está claro que, que a porta de saída já está aí... Não, não tenho medo da... Medo, não. Há uma coisa de que, realmente, não gosto nada, que é quando se diz: Ah, estar vivo, morrer, e tudo isso... Para mim, a morte é... Não sei o que será depois... Ou, no momento em que estiver a morrer... como o entenderei... Mas, para mim, a morte, neste momento, é a diferença entre ter estado e já não estar. Isso é que... Isso, realmente, é o que me chateia muitíssimo...” É com este depoimento para uma emissora, que se abre o documentário José e Pilar – obra-prima, já me adianto, que põe o telespectador-leitor próximo ...

Feliz Natal

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Porque tivesse mais tempo ou porque estivesse mais propício a agradar meus leitores e transeuntes, ano passado comecei ainda no dia 20 de dezembro a destribuir nos correios eletrônicos de meus contatos um cartão elaborado para essa época do ano. Este ano as coisas não sucederam no mesmo rumo e limitei-me a postar o tradicional cartão de Natal por aqui*. Os votos de Bom Natal não irá diferir, isso eu aposto. * Para visualizar melhor basta clicar sobre a imagem; caso queira guardar como lembraça, depois de clicar sobre a imagem bastar salvar normalmente direto no seu computador.