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Fazes-me falta, de Inês Pedrosa

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Por Pedro Fernandes Nada é tão contemporâneo quanto a liquidez (que diga Bauman) dos relacionamentos. Nada é tão caro à literatura quanto temas como a morte. E à literatura portuguesa como a saudade. Palavra essa, aliás, sem tradução direta para outro idioma. Pois são sobre esses três temas principais que Fazes-me falta , de Inês Pedrosa, publicado em 2002, em Portugal, pela Dom Quixote, e em 2010, pela Alfaguara, no Brasil, melhor tratam. Um dos temas, o primeiro, poderá não ser notado logo à primeira vista, ou mesmo numa leitura rápida do romance. Afinal, o que aí se encena é uma ligação amorosa que sobrevive à conta-gotas da saudade, num fim interposto pela morte. Mas, o exacerbado apego porque a personagem masculina vai demonstrando ao longo do livro parece se guiar por uma incapacidade afetiva, ou por um sentido de culpa, que parece ter posto fim o amor ou não tê-lo vivido com plenitude ou exacerbada plenitude. Está aí um homem mais velho que se sente viúvo mesmo nu...

2 poemas de Marize Castro

Duelo Quando em ti transbordo te fazes alheio a minha nudez. Sou vulnerável e nem te ouso atacar moço do março submerso em mim. Ainda é cedo para te proclamar livre. Já é tarde para adiar teu vôo. Não renuncio a ti ao teu montanhoso dorso onde em cada curva travo uma luta. Às vezes ganho. Às vezes sou vencida pelo teu silêncio de granito. O que há na vida que eu não te sirva? Pretensões felinas, não tenho. Aparo as garras que alcançam as margens. Estou destinada a este vão combate. Mas continuarei a te amar como um invento meu. Com toda a firmeza e fragilidade que inquieta os desafios. Quando chegarmos ao limite mais árido das nossas carnes te repudiarei de mim. Salvar-me-ei do fim. Deslizarei pelos trilhos do teu corpo de narciso. Entre lendas e amêndoas Menino narciso vacilo sempre que cintilas. Entre lendas e amêndoas oculto teu bastão. Além do alvo jaz uma inviolável paixão? _______________ In marrons crepons e marfins...

O embargo, de António Ferreira

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Por Pedro Fernandes Não sou acompanhador do cinema português para traçar alguma linha se esse, em relação à produção cinematográfica daquele país, apresenta alguma novidade estética em relação ao já produzido. Mas, uma coisa é fato. Se se pode gostar e desgostar simultaneamente de uma coisa, garanto, que essa foi a sensação que tive ao ver Embargo , de António Ferreira. Se não, fica a sensação um tanto inusitada posta como possibilidade de ocorrer. Se me pareço contraditório, deixem antes que me explique.  Lançado em 2011, o filme é a adaptação do conto homônimo de José Saramago, publicado em 1973, sob o título de O embargo . Mais tarde, em 1978, sem o artigo definido, o texto seria incluído na coletânea de contos Objecto quase . A perda da forma lexical em questão destituiu, em parte, o texto da relação direta que mantinha com o contexto de escrita. Sabe-se que o escritor português tomou como questão de fundo a crise petroleira naquele ano, originada do conflito en...

Francisco Miguel de Moura

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Por Pedro Fernandes Há escritores que lemos uma única vez duas linhas e não esquecemos dele nunca mais. Adormecemos a lembrança, mas basta um spleen e trazemos de volta para nós. Assim foi quando li pela primeira vez o português José Saramago em seu Evangelho segundo Jesus Cristo . Assim foi também quando li pela primeira vez o poeta brasileiro Francisco Miguel de Moura em seu Poesia in completa ainda quando da Graduação em Letras. Há nesse livro um poema cujo título não me vem à cabeça agora, mas que as imagens nele evocadas me marcou o suficiente para, mais tarde, eu compor um outro poema intitulado "cadáveres adiados", que está no e-book Palavras de pedra e cal .  O fato de citar Francisco Miguel Moura por aqui é que à cata de alguma novidade na mesma biblioteca em que me deparei com Poesia in completa reencontrei esse livro. E relembrei disso tudo que comentei anteriormente. E vi ainda que, por ser esse um poeta que tanto me marcou, é uma injustiça não te...

A Biblioteca Nacional de Portugal e o empréstimo de e-books

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Saíram à frente. E a ideia é ótima. Principalmente aos leitores necessitados ou ávidos por literatura portuguesa. É que agora, a Biblioteca Nacional de Portugal, passa a oferecer, por meio de venda ou empréstimo, e-books. O catálogo ainda é curto e os títulos muito se resumem a historiografia. Mas a ideia, repito, fabular. Acesse aqui .

Virginia Woolf: a medida da vida, de Herbert Marder

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Nos 130 anos de nascimento da escritora Virgina Woolf quero fazer a indicação aos interessados por biografias ou aos que querem se dá a curiosidade de conhecer mais da vida da escritora, do livro Virginia Woolf - a medida da vida , de Herbert Marder, publicado recentemente pela conceituada editora Cosac Naify. Diferente das biografias comuns, que levam o seu escritor a um chafurdar a vida pessoal do biografado, Herbert parte da própria obra de Virginia - claro que, principalmente seus diários e cartas - para olhar, não pela primeira, afinal, outras biografias já houveram, mas olhar, sob novo ângulo a vida da escritora. O livro concentra-se nos últimos dez anos de sua vida até seu suicídio, em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. Em observação redigida para o catálogo da editora, o resenhista comenta que a obra de Marder "destaca a participação da escritora nos acontecimentos políticos da época, sua revolta contra a discriminação das mulheres e a interação com os...