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O que é a poesia?

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Apolo e as musas. A pergunta assim posta não é tão fácil de responder. Pelo menos com o mesmo nível de sintetismo que a indagação é feita. Em torno da pergunta, quaisquer poeta ou crítico literário já terá se debruçado à cata de uma resposta. E, acreditem: por mais estapafúrdias que possam ter sido as respostas, como as que insistem em negar a existência da poesia ou as que vêem a sua presença em quaisquer coisa, todos estão certos. Tudo passa pelo lugar que assumimos na leitura do mundo. O que estou antecipando, com isso, é que um conceito fechado para o que é poesia é, necessariamente, uma visão particular que indivíduo tenha da existência. Ou como há dito Victor Hugo: "um poeta é um mundo preso num homem". Isso a coloca como eternidade, cujo princípio, meio e fim têm um sentido inesgotável em si própria.  Que faríamos sem a poesia? Viveríamos do mesmo modo? Os céticos dirão que sim; os que têm alguma crença sobre a existência dirão que melhor nem pensar. Com...

poeminha antropofágico

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há dias que como você estou satisfeito * Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

O grande livro sobre a Mona Lisa

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Leonardo Da Vinci começou a pintar a Mona Lisa em madeira 73cm x 73cm em 1503. Mona é abreviação de madonna . Lisa Gherardini, a Mona Lisa, nasceu em junho de 1479, e se casou com Francesco del Giocondo quando ela tinha ainda 16 anos e ele 19 a mais. Quando Da Vince a pintou já tinha seis filhos e um deles havia morrido.  O retrato entrou para a coleção do Museu do Louvre em 1797, quando o museu completava quatro anos de sua abertura. Napoleão a levou para uma temporada em seu dormitório. E, até meados de 1800, essa não era a obra mais famosa do pintor italiano e sim A última ceia - a mais reproduzida. A fama da Mona Lisa é uma criação romântica. A obra estava no lugar e no momento oportunos: a Paris do século XIX - um tempo burguês que se mirava no espelho de outro tempo burguês, o Renascimento. O suficiente para um tal de Théophile Gautier convertê-la em protótipo de mulher misteriosa. Em agosto de 1911, Vicenzo Perugia, antigo empregado do Louvre, roubou o q...

A literatura e suas transmutações - "O corvo", de Poe

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Não são novidades duas coisas: a abertura da literatura para o diálogo com outras artes e a recente quantidade significativa de adaptações de livros para o cinema. Para se ter uma ideia, seis dos nove indicados para o Oscar 2012 são adaptações de obras literárias. Agora, o que não é comum dos textos adaptados aí é adaptação de poemas. A conclusão ou o porquê disso é óbvio: a narrativa já possui em si os mesmos elementos constituintes do cinema e aquilo que o cineasta deverá se preocupar em fazer é uma tradução de semioses.  Mas, para breve, chega aos cinemas uma nova releitura do poema  O corvo, de Edgar Allan Poe. A primeira versão para as telas desse poema foi em 1915, dirigida por Charles Brabin. Agora, a readaptação traz novamente Poe, como no de Brabin, vivido aqui pelo ator John Cusack. E pelo que o trailer divulgado no início desse mês sugere, a transmutação do poema em trama é mais evidente. O filme de Brabin se dispunha muito mais a biografar o escritor no...

Poetar o amor

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Atalanta e Hipómenes  de Guino Reni Nesta semana dei-me, por obrigação interna de leitura, embrenhar-me na Odisseia – tarefa que, dizia ontem à noite a um amigo, não pensei nunca em enfrentar. Mas, deuteronomicamente, há tempo para tudo – e o tempo para ler mais um clássico chegou. Estou no instante em que Telêmaco é convencido à busca de Odisseu. Aqui chamo atenção para Atena, a que parece trazer consigo um amor pleno e adormecido pelo herói terreno. Isso vai se configurando à medida em que a deusa vai atuando com favorecimento às ações da grande empreitada do filho de Penélope. As conformações desse amor de Atena estão num campo da admiração loquaz. Mas, se configura aí em gestos uma expressão que virá ser lapidada ao longo da produção poética universal – expressão, aliás, que deve ser a mais cantada na poesia. Assume, inclusive, protocolos de poético, ainda que saibamos não ser a poesia algo reduzido a um tema em específico. Antes da relação de simpatia entre A...

O fantasma do facilitismo

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Por Pedro Fernandes Num texto escrito pelo professor Marcos Bagno , o conhecido autor dos estudantes de Letras por obras como Preconceito linguístico  e a novela A língua de Eulália , sobre a atual situação dos cursos de Letras atualmente, ele denomina de catástrofe o nível dos alunos formandos e formados. Reitero. Não é de hoje que venho percebendo isso e nem sou o único que reconhece o problema. Apenas o fato de ter sido dito por que foi, alguém do porte do professor da UnB, é que reforça a visão que é já corriqueira entre os professores de graduação em Letras.  A primeira vez que assumi uma sala de aula no Ensino Superior foi no estágio para o Mestrado. Na época eu era bolsista CAPES e logo, quando do andamento das aulas notei a deficiência ou o esforço hercúleo que alguns alunos têm de fazer para conseguir imaginar aquilo que está sendo dito por quem está conduzindo a discussão, no caso aqui, o professor.  A fala de Bagno traduz ipsis literis  ...