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Três coisas sobre Octavio Paz

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Dentre os projetos literários conduzidos por Octavio Paz destaca-se a revista Vuelta  da qual foi editor durante largo tempo. Enrique Krazue chegou ao periódico na década de 1970 e construiu ao lado do escritor mexicano uma parceria que foi além do lado profissional - Enrique tornou-se um amigo pessoal de Paz e a ele foi confiada muita da correspondência que escreveu durante as suas viagens. Neste texto editado pela primeira vez em português numa tradução livre de Pedro Fernandes está registrado essa proximidade e como foi a amizade de Paz para a vida de Krazue. Ao fim da postagem, anexamos a tradução de três correspondências do autor de O arco e a lira  dirigidas a Krazue - também publicadas pela primeira vez em português. Cartão Postal de Octavio Paz para Enrique Krauze. Leia a transcrição do texto no fim dessa postagem. Imagem: Letras libres . Por Enrique Krauze Naqueles tempos imemoriais, anteriores ao correio eletrônico, Octavio Paz se comunicava conosc...

O arco e a lira, de Octavio Paz

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No dia 31 de março de 2013 completamos 99 anos com Octavio Paz e, por isso, estamos já caminhando para a casa do centenário de seu nascimento a ser fechado em 2014. No Brasil, a obra do escritor mexicano, um dos primeiros latino-americanos a receber um Prêmio Nobel de Literatura (foi em 1990), é mais conhecida na academia, entre os do estudo literário, o que faz ser quisto para o lado de cá mais como um prolífico ensaísta que melhor pensou a poesia moderna e um dos que mais influenciaram o pensamento e a produção escrita de alguns pensadores fora do seu país de origem. Mas, o autor de O arco e a lira , livro que temos interesse em comentar previamente neste texto, é sim, antes do estudioso das formas poéticas, um poeta, ainda que seu nascimento para a escrita tenha se dado pela composição ensaística, isso na década de 1950, quando publicou seu primeiro trabalho,  O labirinto da solidão . O reconhecimento do Octavio ensaísta antes do Octavio poeta não é obra do acaso: a...

Boletim Letras 360º #6

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Semana intensa. Fim de semana mais ainda. Por aqui sobram leituras empilhadas e faltam chocolates para acompanhar tudo. Mas, vamos indo – com se diz. Ontem fizemos mais um sorteio do ano na nossa página no Facebook: foram dois exemplares de Arqueologias do olhar , de Fred Spada, devidamente autografados sorteados. Os sortudos receberão os livros em breve. Os que não ganharam, não devem ficar tristes. Em breve, anunciaremos mais uma promoção. Basta está antenado com o que se passa por lá e por aqui para não perder a oportunidade. Agora, falando em perdas, quem por algum motivo cochilou e não viu as notícias que cruzaram ponta a ponta a nossa famosa página, se liguem aí que, está na hora de mais um boletim, o último do mês de março. Ah, Pessoa, Pessoa! O mundo fala (ainda e talvez sempre falará) de ti! Segunda-feira, 25/03 >>> Brasil: Documentarista quer levar Millôr Fernandes ao cinema O nome ainda provisório é Millores que te quero e quer ser um filme ...

Poeta em Nova York tal como foi concebido por Federico García Lorca

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Por Jesús Ruiz Mantilla Federico García Lorca na Universidade de Columbia, em 1929. Imagem: Fundação García Lorca. Quando Federico García Lorca foi, na véspera do dia 13 de julho de 1936, ao encontro de José Bergamín e não o encontrou, lhe deixou um bilhete: “Estive para ver-te e creio que voltarei amanhã.” Amanhã nunca houve. O poeta partiu para Granada poucos dias antes de estourar a guerra. Acreditava, inocente, de que aí se encontraria mais seguro. O que ele deixou ao seu editor sobre a mesa na redação da revista Cruz y Raya foi um original  manuscrito e datilografado, organizando por partes e estruturado em 35 poemas e 10 seções do que seria uma obra-prima que mudaria para sempre a literatura até então produzida: Poeta en Nueva York . O resto da história é conhecido: Lorca morreu, o original passou por toda sorte de vicissitudes e nunca, até agora, se havia publicado tal como recomendava o seu autor. O texto reapareceu desde 2003. Depois de um leilão basta...

O lado bom da vida, de David O. Russel

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Já foi comentário por aqui da grande gafe cometida nesta última edição do Oscar ao dar o prêmio a Jennifer Lawrence pela sua atuação neste filme. Não é que atriz não esteja bem. É que a atuação é simplória se formos ver o trabalho de Emmanuelle Riva, por exemplo, em Amor – comentávamos. Se a atuação é um caso à parte e houve injustiça, é caso de se perguntar se o filme não atende à expectativa do telespectador. Não, não atende. Tem um enredo bem construído, uma narrativa sem arestas, mas não atende a expectativa do telespectador. Talvez os arsenais que nos preparam para ver o filme, o trailer, boa parte das resenhas e aquela badalação feita em torno da produção de David O. Russel sejam os reais responsáveis pelo dissabor enfrentado por quem se senta quase duas horas para vê-lo. Agora, não é caso de dizer que seja este O lado bom da vida um péssimo filme. Também não. O diretor já cometeu coisas piores, mas não é este nada que decole do chão. Tudo é muito previsível e o dra...

Os 50 anos de O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar

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Julio Cortázar em 1963, mesmo ano em que publicou O jogo  da amarelinha . Foto: Arquivo do Jornal Clarín . Há uma parcela considerável da crítica literária que não tem em Julio Cortázar a imagem de um grande escritor no sentido extremo da palavra tal como é Jorge Luís Borges, Macedonio Fernández ou outro nome de igual envergadura da literatura produzida na América Latina. Natural, no mesmo nível em que se faz considerações do tipo ao escritor argentino também se faz a nomes como José Saramago, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade. Tenho lido. Duas linhas nascem aqui: uma sobre o entendimento do termo ‘grandiosidade’ e que considera a necessidade de renovação plena e constante de um escritor; assim, se um escritor constrói um estilo e não opera grandes alterações nele ao longo de sua produção literária, não se pode ‘taxá-lo’ de importante nome da literatura de um país; e a outra linha é ingênua, tem a ver com gosto pessoal e, assim, se determinado escritor não lhe ‘...