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Pedro Lemebel

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Na madrugada de sexta-feira (23) em Santiago do Chile morreu o escritor Pedro Lemebel aos 62 anos; trazia consigo um câncer de laringe contra o qual lutava desde 2011. Apesar disso, a notícia foi recebida com certa surpresa pelos mais íntimos e pelos leitores e admiradores de sua obra. Sim, a morte dos que dedicam sua vida à construção de outras possibilidades de habitar o mundo será sempre uma surpresa. E triste surpresa. Ainda mais quando leva de nós alguém que poderia estar ainda apenas no princípio de uma travessia. O estado de saúde de Pedro já o impossibilitara de ir à Feira do Livro de Santiago, em outubro; e o fim de ano foi num hospital entre a recuperação de cirurgias e tratamentos medicamentosos. Parecia, entretanto, que o escritor estivesse nas mãos com a capacidade de decidir quando partiria – essas foram, mais ou menos, as palavras usadas pelo amigo e porta-voz da notícia que correu o mundo em língua espanhola, Héctor Núñez González. Lemebel informara sobre sua ...

Boletim Letras 360º #102

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Lewis Carroll, um pedófilo enrustido? A polêmica volta à tona depois de a BBC de Londres apresentar um documentário que revelaria novos indícios da grande questão em torno do autor de Alice no país das maravilhas . Mais detalhes ao longo deste Boletim. Foto: ABC Aqui chegamos a mais um fim de uma semana intensa. 2015 parece que traz consigo tantos grandes desafios quanto 2014; janeiro já tem demonstrado, em parte, o que pode estar reservado a nós. Muitas leituras. Também queremos muitos leitores. Bons leitores. E escritas. Escritas de excelência. Por isso, estamos trabalhando nas redes sociais uma campanha para que os bons leitores que produzem escritas de excelência nos envie seus textos, antes de ir bater à porta de qualquer outro blog ou portal literário. Queremos vê-los figurar entre as principais matérias editadas no Letras. Queremos ser com os leitores protagonistas de boas histórias. E, cf. dissemos no Boletim Letras 360º da semana anterior, não é nada difícil enviar se...

Um estranho no lago, de Alain Guiraudie

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Trata-se de um título recente (2013) que não deverá se inscrever em qualquer lista menor de cinema cult, mas deve, certamente, servir a listas sobre a temática gay. Não que o filme de Alain Guiraudie se reduza a isso; olhando bem, a temática é apenas um adendo para se tratar sobre uma extensa diversidade de outros temas caros à comunidade humana na contemporaneidade. Alguns desses temas poderão ser mencionados no desenvolvimento desse texto que cumpre não o propósito de listá-los e discuti-los de maneira aprofundada. Sua demarcação visa, entre outras funções, justificar porque este é um filme que, numa lista maior de cinema cult pessoal, merecia estar presente. Como é comum da cinematografia francesa, se há algo que não há nas produções é certo malabarismo de efeitos para simplesmente fazer o que um filme deve fazer: contar uma história. Gostos à parte, mas já, entre a leva de títulos que comentei mesmo por aqui, falei da capacidade de sobra que os franceses têm de prod...

21 poemas inéditos de Pablo Neruda

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Tus pies toco en la sombra y otros poemas inéditos (Teus pés toco na sombra e outros poemas inéditos, em tradução livre) é o título do último livro de Pablo Neruda, publicado agora, quarenta anos depois de sua morte. São 21 poemas publicados pela primeira vez. Essa informação já havíamos partilhado por aqui em 2014. Dos poemas não há rascunhos ou outras variantes e a fundação que leva o nome do prêmio Nobel diz que o trabalho é resultado de uma minuciosa catalogação entre os manuscritos do poeta. São textos escritos entre 1956 e 1973 e, portanto, contemporâneos aos recolhidos em obras como Cem sonetos de amor , Memorial de Isla Negra e A barcarola . Os poemas inéditos da edição trazem ainda fac-símile dos originais   (veja alguns no fim desta post).  Num texto publicado no El País e escrito por Jorge Edwards, responsável por com Matilde Urrutia organizar edições póstumas como O rio invisível, que traduzimos abaixo, ele é taxativo em não concordar com o trabalho ora pu...

Merlin revive: nova edição da trilogia de Mary Stewart

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Por Alfredo Monte “Por terra e água voltará ao lar e ficará escondida numa pedra flutuante até ser erguida novamente pelo fogo. Assim tinham dito os antigos e teriam reconhecido aquele lugar como eu; ou como o pescador que voltara do Sobrenatural, admirado com os salões do rei das sombras. Ali a espada ficaria segura até a chegada do jovem que teria o direito de erguê-la (...) Larguei-a ainda enrolada no pano sobre a mesa de pedra e voltei pela lagoa. Os ecos encheram o ambiente e parei um pouco enquanto diminuíam, tornando-se um murmúrio. Naquele silêncio até minha respiração era ruidosa demais e parecia uma intrusão. Deixei a espada em sua longa espera silenciosa e voltei rapidamente à luz do dia...” (trecho de As colinas ocas ) A inglesa Mary Stewart, nascida em 1916, chegou bem perto dos cem anos, mas foi um dos muitos nomes importantes da literatura a falecer em 2014. Sua obra de maior prestígio, a Trilogia de Merlin, está sendo reeditada pelo selo Hunter ...

O concerto interior – evocações de um poeta, de António Osório (Parte I)

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Por Pedro Belo Clara O próprio autor esclarece, em antevisão: «O título devia ser “Breve Autobiografia”». E estamos, de facto, perante uma obra bastante próxima de tal género. No entanto, devido à compressão dos conteúdos, muitas vezes abordados sob o condicionamento das súmulas, questionamos se “autobiografia”, ainda que se diga “breve”, seria um justo epíteto. O autor, sensato, decidiu em bom momento colocar a hipótese de parte. Devido à corrente poética que atravessa o livro, poderíamos também pensar em algo como “antologia anotada”. Mas a prosa prevalece diante da poesia, e logo a sugestão perde sentido – «(...) a poesia procurou sempre tornar mais clara a minha vida, e a prosa revela a verdade dos versos e das pessoas invocadas». Marcando estas, as «pessoas invocadas», presença em dezenas de trabalhos anteriores, compreende-se a resenha que constitui cada capítulo deste livro. Pois, como admite Osório, as ditas «disseram já muito do que tinham a dizer». Não ...