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Allen Ginsberg: o homem que destruiu o sonho americano

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Por Neiva Dutra Um dos escritores mais respeitados e aclamados da Geração Beat, Allen Ginsberg ocupa um lugar destacado na cultura americana do pós-guerra. Nasceu em 3 de junho de 1926, em Newark, Nova Jersey, filho de um professor de inglês expatriado da Rússia. Sua postura, sempre avessa a convencionalismos, somada à sua pública homossexualidade, o converteram em um pária, mas também em um personagem cujo culto estendeu-se para muito além dos limites de sua passagem pela vida. Em 1943, enquanto estudava na Universidade de Columbia, tornou-se amigo de William Burroughs e de Jack Kerouac e o trio, posteriormente, estabeleceu-se como a essência do Movimento Beat. Conhecido por seus pontos de vista não convencionais e por um comportamento frequentemente revoltada, Ginsberg, assim como os amigos, também realizou experimentos com drogas e, em certa ocasião, utilizou seu quarto na universidade para guardar objetos roubados adquiridos por um conhecido. Perseguido por...

Boletim Letras 360º #138

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Semana de Prêmio Nobel de Literatura. Era exatamente 8h03 quando escutamos o nome Svetlana Aleksiévitch(imagem) e escrevemos esta post em nosso Facebook ; talvez um dos primeiros registros nas redes sociais brasileiras sobre a ganhadora. Bom, estas e outras notícias estão copiadas neste boletim que tem, entre outras coisas, reunir o que se passou em nosso mural nessa badalada rede social. Estamos próximos dos 21 mil! Por falar nisso, está participando de nossa promoção? Se não, dá um pulo aqui . Segunda-feira, 05/10 >>> Brasil: A Companhia das Letras assegura a publicação de mais cinco títulos de Karl Ove Knausgård A informação vem dos bastidores pré-Feira de Frankfurt e foi divulgada na coluna Babel do Estadão. Num futuro sem data estão garantidas a publicação de The morning star , um romance publicado na década de 1990, e de uma série de quatro livros de não-ficção que será uma espécie de enciclopédia pessoal sobre tudo. O escritor tem sido reconhec...

Amor literário

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Por Rafael Kafka   Por esses tempos, dei uma aula sobre o conto   "No Moinho", de Eça de Queirós. Há nesse conto uma interessante cena a qual, se eu fosse o escritor português, teria explorado mais: a ruptura existencial causada pela leitura. Maria da Piedade era uma moça até então fechada em seu universo existencial regido pelos filhos e marido doentes. Tudo muda quando ela se depara com Adrião, espírito romântico e vivaz, típico de escritores que não se afundaram demais na angústia das palavras. Por não poder concretizar o amor com Adrião, Maria passa a devanear por meio dos livros do amado, para de alguma forma sentir-se vivendo uma realidade desejada por ela e mostra em sua conduta algo muito comum a todo leitor apaixonado: o espírito sonhador. O fator mais importante do ato de leitura é essa revolta nascente em nosso espírito quando passamos a ler com maior frequência. Vislumbramos outras realidades, outros modos de existir e passamos a sonhar com aqui...

Short movies, de Gonçalo M. Tavares

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Por Pedro Fernandes “Eu, da minha janela consigo ver tudo” A imagem antes da imagem. Assim poderíamos definir este livro que rompe com a própria natureza enformadora da ideia de livro; o objeto que o leitor tem em mãos é lógico que se trata de um livro, mas o seu conteúdo, capaz de nos obrigar a reinventar o gesto da leitura, requer pensarmos em outros objetos, como um catálogo que coleciona cenas ou um álbum de fotogramas verbais. Essa constatação é sugerida desde o título que, se traduzido ao pé letra para o português indicaria estarmos diante de um conjunto de “filmes curtos”, ou “curta-metragens”. Ante o adjetivo que acompanha o substantivo, a brevidade é outro elemento caracterizador dos textos aí reunidos. Mas, a qualidade das reflexões construídas por cada uma das quase sete dezenas de textos que constituem a obra, rompe com o senso comum de que a brevidade é signo de uma sociedade que perdeu a capacidade de se aventurar por textos cuja densidade esteja atre...

Nobel 2015: algumas proposições

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Por Alfredo Monte Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes. É a hora do infinito desacerto-acerto. O vulto da nossa singularidade viaja por palavras matéria insensível de um poder esquivo. Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação. Há uma embriaguês de luto em nossos atos-chaves. Aspiramos à alta liberdade um bem sempre suspenso que nos crucifica. Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária. Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma perfeição especialista em fracassos. Estrangeiros sempre agudamente colhemos os frutos discordantes (Ana Hatherly) Wislawa Szymborska: não fosse o Prêmio Nobel, quais as oportunidades, para o leitor comum de língua portuguesa, de ter acesso à obra da poeta polonesa? Depois do impacto que teve para mim a leitura de Wislawa Szymborska e Ivo Ándritch, desejo de coração que o Nobel deste ano mais uma vez seja...

Saul Bellow

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Saul Bellow nasceu num bairro pobre de Montreal, Canadá, em 1915, no interior de uma família de origem russa e ascendência judia. Em sua adolescência a família se mudou para Chicago, a Chicago dos anos trinta, brutal e pobre. Seu pai vendia maçãs pelas ruas. Depois desses começos um tanto pícaros, de menino da rua, estudou na Universidade de Chicago; cresceu lendo Shakespeare, os clássicos da literatura russa do século XIX e o antigo testamento. Foi então que conheceu outros escritores de sua geração; nomes como Nelson Algren. Homem turbulento, viveu sua vida passando por tudo. Uma primeira época como trotskista, outra com os poetas em Greenwich Village, outros períodos na Europa. Embora tenha vivido em Nova York, Paris e por pouco tempo em Madri, a maior parte da vida foi em Chicago, cidade que deu uma visão sobre o homem e sua luta por se manter numa vida digna, principalmente durante os graves anos da Grande Depressão. “Não posso superar o que vejo. Igual ao historia...