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As rãs, de Mo Yan

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Por Pedro Fernandes Na minha muito recente vida de leitor, há dois instantes de aproximação com a literatura oriental que recordo neste texto porque são experiências frustradas possivelmente vencidas pela leitura das quase quinhentas páginas de As rãs , de Mo Yan. É, não fui logo à leitura do breve Mudança , publicado no Brasil assim pouco depois de sabermos que o Prêmio Nobel de Literatura em 2012 tinha sido para o escritor chinês. A aproximação com a obra de Yan, logo antecipo, se deu quando visitei com maior curiosidade sua biografia, assinalada por uma sorte de eventos capaz de inclui-lo, depois de alcançar o posto máximo na carreira literária, entre as figuras de interesse aos interessados por vidas próximas ao fato heroico. O primeiro instante de leitor da literatura oriental, é um episódio certamente pouco importante porque muito inocente, aconteceu quando era moda entre os jovens um anime japonês chamado Death Note . Por causa do vício na animação qua...

"Carla Lescaut" e a narrativa potiguar no inicio do século XXI

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Por Thiago Gonzaga “Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta/romancista já passou por ele antes de mim”. Sigmund Freud Na já famosa obra Literatura em perigo , o filósofo e linguista búlgaro radicado em Paris, Tzvetan Todorov, defende que, o texto literário tem muito a dizer sobre o ser humano, principalmente porque se permite incursionar para além do censurável, revelando assim o indivíduo, o particular, entre outras coisas. Esta é umas das capacidades de incursão que o escritor realiza, adotando o ponto de vista do outro e tentando desvendar os mistérios íntimos do ser humano. Ora, analisemos, apesar de a literatura não ter o compromisso de retratar a realidade, ela é desenhada a partir da verossimilhança, favorecendo a apreensão e compreensão de certo tempo, de um espaço, dos acontecimentos construídos e reconstruídos. Por conseguinte, levará o leitor a refletir, e modificar, a sua leitura de mundo e, de alguma forma, analisar a sua própria...

Julio Cortázar: “As coisas me chegam como um pássaro que pode passar pela janela”

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Por Emma Rodríguez Há muitas fotografias de Julio Cortázar que nos ajudam a situá-lo em seus lugares de trabalho, ante a máquina de escrever, armando as peças diversas de suas histórias, sempre jogando. Mas ao ler suas Aulas de literatura , livro que compila as aulas ministradas na Universidade da Califórnia, Berkeley, em 1980, a imagem emergente e viva em toda obra é a do professor. Andava a longos passos pelo espaço fechado da sala de aula, anotava palavras, frases, na lousa, convidava e se sentia à vontade conversando com seus privilegiados alunos? Sondemos, mas, sem dúvida, os alunos deviam sentir-se tocados com uma varinha mágica a pensarem na sorte que tiveram de escutar um professor nada comum, o professor “menos pedante do mundo”, como escreve no prólogo do livro Carles Álvarez Garriga. As aulas de Cortázar gravadas e depois transcritas, nos seduzem porque manifestam a capacidade do escritor na transmissão de conhecimentos e experiências, mas, sobretudo, porque...

Tristan Tzara: do caos à ordem

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Por Neiva Dutra Tristan Tzara, cujo verdadeiro nome era Samuel Rosenstock, nasceu em Moinesti, na Romênia, em 16 de abril de 1896. Começou a escrever poesia muito cedo e, aos dezessete anos, já era colaborador de uma das revistas de vanguarda de seu país, Simbolul . Em 1915, adotou o pseudônimo pelo qual ficou conhecido e que significa “triste em meu país”. No mesmo ano mudou-se para Zurique, para estudar ciências humanas e filosofia. Ali se converteu em um dos fundadores do Cabaré Voltaire, um clube artístico onde os dadaístas passaram a se reunir desde então; no espaço havia um teatro e uma sala de exposições e conferências. Junto a Jean Arp e Hugo Ball, foi um dos criadores e líder do movimento dadaísta. Em 1918, subscreveu o Manifesto Dadá, a declaração programática mais importante do movimento que revolucionaria a arte através da sua negação, buscando romper com todos os parâmetros estabelecidos ao longo da história da arte ocidental.  Autor de...

Boletim Letras 360º #142

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Mataram Pablo Neruda. Um documento do governo chileno admite, oficialmente, pela primeira vez, que o poeta pode ter sido mais uma vítima da ditadura de Augusto Pinochet. Mais detalhes ao longo deste boletim. É sempre com prazer que publicamos essas notícias porque dizem do universo do Letras in.verso e re.verso; mas, gostaríamos de deixar registrado que marca inesquecível ainda no fim de semana passado, foi a celebração de mais um aniversário de Carlos Drummond de Andrade, ou como se tem convencionado, o Dia D. Este ano, ainda mais porque é o primeiro em que o dia dedicado ao poeta, 31 de outubro, foi também Dia Nacional da Poesia. E, por falar num dos nossos mestres da poesia, ainda está aberta à participação dos leitores para concorrer aos dois exemplares da Nova reunião de poesia , uma antologia organizada pelo próprio CDA com poemas de 23 de seus livros; veja aqui . Segunda-feira, 02/11 >>> Brasil: Toda poesia de Orides Fontela e inéditas mais um livro sob...

Vá, coloque um vigia, o não-livro de Harper Lee

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Por Renato Fernandes Harper Lee é autora de apenas uma obra, O sol é para todos . E continuará sendo, mesmo depois da publicação de Vá, coloque um vigia – livro vendido mundialmente com a falsa ideia de ser uma continuação do romance de 1960, quando na verdade, é uma versão possível ou rascunho dessa obra. A história desde a aparição do manuscrito à publicação com esse apelo comercial é cruel, divertida ou triste (e talvez melhor do que a própria resultada desse imbróglio); sim é quase uma novela e com um desfecho sem grande fôlego para a principal inventora – Tonja Carter – a mentora de trazer a lume esses papéis e torcer para que entre O sol é para todos e Vá, coloque um vigia , ainda tivesse uma terceira versão publicável da obra. Não teve. Muito recentemente os avaliadores do espólio concordaram que o restante dos papéis que ainda existiam eram sim outra versão de O sol é para todos , mas sem qualquer valor para publicação. O romance que deu o Prêmio Pulitzer a ...