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Boletim Letras 360º #339

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Bem-vindo leitora e leitor do Letras in.verso e re.verso! Esta postagem reúne todas as informações de interesse de nossa linha editorial que foram apresentadas durante a semana em nossa página no Facebook. A ideia para o Boletim Letras 360º que chega à sua semana n.326 nasceu quando aquela página começou a limitar a quantidade de acessos das publicações aí apresentadas. O registro no blog se mostra como uma garantia de acesso aos leitores que perderam a notícia divulgada. Boa leitura! As livrarias brasileiras recebem nova edição de um dos clássicos da poesia moderna: As flores do mal , de Charles Baudelaire.  Segunda-feira, 12 de agosto Depois da reedição de A sucessora , novo título de Carolina Nabuco volta às livrarias pela Editora Instante . Em Chama e cinzas , Carolina Nabuco mais uma vez faz um retrato da posição da mulher burguesa, agora no final da primeira metade do século XX, apresentando os valores e os tabus que orientavam o lugar social da mulhe...

O esforço de assimilação em Pastoral americana

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Por Rafael Kafka Philip Roth. Foto: Philip Montgomery. Em seu Modernidade e ambivalência , Zygmunt Bauman fala de regimes totalitários, em especial o nazismo movido por ideias de pureza racial, como um sistema de pensamento ligado à ideia moderna de homogeneidade. Para o pensador polonês, sistemas como o nazismo encontram suas fontes nos ideais de harmonização de intelectuais como Kant, obviamente em uma interpretação motivada por ressentimento, complexo de inferioridade e desespero. O nazismo e outros totalitarismos, inclusive o soviético, são formas de eliminação do outro. O desejo aqui, mesmo que contido apenas no campo da ideologia mais rasa para disfarçar interesses mais profundos, é criar um ambiente social em que a ambivalência não existe, a contradição e o choque de ideias deixem de ser uma problemática para os sistemas políticos. Nesse sentido, elementos como o nacionalismo, já tão destacado por Stuart Hall em seu curto, porém seminal, A identidade cultural na ...

A uruguaia, de Pedro Mairal

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Por Pedro Fernandes “Conto isso porque ultimamente andei pensando bastante no tema família e casamento. Pode parecer que estou dando uma de liberado, mas te digo com toda a sinceridade: precisamos pensar de um jeito novo. Crescemos imersos numa ideia de família que nos encheu de angústia quando vimos as rachaduras.” Este excerto integra a segunda parte de A uruguaia . Está situado nos instantes finais da narrativa e o seu estilo é o de uma assertiva resultada de uma ampla investigação sobre o tema discorrido; o desfecho do romance assume propriamente o tom de uma crônica conclusiva sobre a extensa parte das ações registradas por esse narrador/ cronista. Mas, o leitor não está diante de um romance-tese ou de um ensaio sobre uma questão e sim de uma história que recria um drama recorrente desde sempre para os literatos: o das relações amorosas falidas. A uruguaia se constitui por pelo menos três principais linhas viandantes: uma viagem de ida e volta da Argentina ao Uruguai...

Elena Garro, uma escritora contra si mesma

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Por Jan Manrtínez Ahrens Elena Garro (1916-1998) nunca encontrou a paz. Hipérbole de si mesma, sedutora e delirante, a vida da mais enigmática escritora mexicana do século XX é ainda uma ferida aberta no México e na América Latina. Falar sobre ela é sempre falar de quem o foi o lado contrário, obsessivo e doloroso, de Octavio Paz. Ela viveu contra ele e contra ele escreveu. Mas não reduziu sua biografia na luta contra o totem. Sua aproximação com o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e seu serviço secreto e, sobretudo, seus enganos ante à matança de Tlatelolco, não a transformaram numa escritora maldita. Romancista, dramaturga e poeta, Garro fez de sua existência um conto fantástico, mas deu ao mundo uma literatura que só agora começa a ser contemplada em toda sua imensidão. Há um dia na vida da escritora que marca toda sua vida. Foi o 24 de maio de 1937. Ante quatro testemunhas, Elena Garro, uma estudante que sonhava em ser bailarina, casou-se com o po...

Controle, de Natalia Borges Polesso

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Por Amanda Lins Natalia Borges Polesso recebeu o prêmio Açorianos 2013, na categoria contos, com seu primeiro livro, Recortes para álbum de fotografia sem gente . Amora , seu segundo trabalho, lançado em 2016, foi vencedor do prêmio Jabuti e novamente do prêmio Açorianos, ambos na categoria contos – também recebeu o prêmio Jabuti na categoria “escolha do leitor”, neste mesmo ano. Agora, em 2019, a Companhia das Letras publica o seu primeiro romance – Controle . Maria Fernanda, a protagonista da história, se arrebenta numa queda de bicicleta. O leitor se arrebenta ainda mais, do começo ao fim, porque o livro trata, com a leveza característica da narrativa da autora, sobre vários dilemas existenciais que se seguem à queda. E, aqui, nem falo sobre o diagnóstico de epilepsia, porque não é apenas isso. Aliás, na escrita de Natalia, nunca é apenas isso.   “A música mastigada na fita it’s a strange day and the people around me o mofo e uma colônia de bactérias, ouvi ...

A literatura do desejo

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Por Ian McEwan Os processos lentos e cegos da evolução descobriram por tentativa e erro que o melhor meio para impulsionar os seres humanos e outros mamíferos a fornecer cuidados parentais, comer, beber e procriar é oferecer-lhes um incentivo na forma de prazer ligado a cada atividade. Há nisso uma maravilha cotidiana que não apreciamos como se deve. Satisfazer a fome comendo não só elimina uma sensação desagradável. O que comemos é “requintado”, “delicioso” ou “saboroso”. Se estamos com muita fome, até mesmo uma refeição simples nos dá alguma satisfação. Há muito tempo, a neurociência localizou e descreveu o local de onde fluem esses dons, bem como seu complexo funcionamento, na base do cérebro. A fonte de deleite é conhecida como o sistema de recompensa. Sua função é motivar e gratificar. A motivação para o sexo é chamada desejo. Quando o desejo cumpre seu propósito no sexo, esse sentimento transbordante e indescritível é a nossa r...