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Joker

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Por Davi Lopes Villaça Parece inevitável comparar o Coringa de Joaquin Phoenix em Joker com o Coringa de Heath Ledger em Batman: the dark knight , embora as propostas das duas personagens sejam completamente diferentes. O Coringa de Phoenix parece ser, na verdade, o perfeito antípoda de seu antecessor. No dizer de algumas pessoas na internet: “o coringa do Ledger era um fodão. Esse aí é um perdedor”. Acho interessante refletir sobre essas categorias. Em português, coringa significa indivíduo versátil, capaz de desempenhar múltiplas funções; daí o nome da carta do baralho, que pode substituir qualquer outra. Esse sentido cai bem à personagem dos quadrinhos, mas mais ainda versão de Ledger: um homem sem identidade, que não é ninguém mas pode ser qualquer um. O vilão se define menos pela loucura e pelo sadismo do que por sua astúcia. É a expressão de um poder caótico e demoníaco, que dificilmente pode ser agarrado ou previsto. Nós o amamos e torcemos a seu favor em parte p...

Livros para ampliar o Boom Latino-Americano

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A lista a seguir foi apresentada na edição do caderno Babelia editado semanalmente no El País espanhol. A ideia de um conjunto de escritoras a construir uma sequência de obras literárias escritas por mulheres no intuito de ressaltar a presença delas no âmbito universo da criação literária latino-americana é apresentada numa ocasião marcada por uma sorte de divergências e avanços tal como sublinha Laura Fernández em “Um novo mapa literário” , texto que acompanha a lista em questão. Recentemente, a Cátedra Mario Vargas Llosa esteve envolvida numa polêmica por ocasião da realização da 3ª Bienal do Romance; o evento reuniu um número muitíssimo superior de escritores, escolhidos então, exclusivamente pelo critério da “qualidade literária”, motivo vago às vistas de outros escritores e escritoras que aproveitaram a ocasião para divulgarem o manifesto “Contra o machismo literário”. O documento assinado por personalidades como Rosa Montero e Juan Villoro destaca que “é inadmissível ...

Gertrude Stein, feita de vínculos

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Por Sofía Viramontes Gertrude Stein é um dos nomes mais importantes da história da arte moderna. Sua literatura e mecenato mudaram a maneira como a arte era percebida no início do século XX. Sua biografia pode ser contada a partir da arte, da literatura (escreveu romances, poesia e teatro) e das ideias (do feminismo, sua posição sobre invasão nazista da França ou libertação sexual). Mas todas as etapas de sua vida também foram marcadas pelos relacionamentos – emocionais, intelectuais e de trabalho. Gertrude nasceu depois de quatro irmãos em 3 de fevereiro de 1874, em Allegheny, Pensilvânia. Aos três anos, a família se mudou para Viena – todos falavam inglês e alemão por causa da ascendência judaico-alemã do pai – e logo em seguida para Paris. Naqueles anos, os pais Daniel e Amelia Stein trabalharam para incutir nos filhos os modismos culturais europeus. Depois, voltaram para os Estados Unidos, para a Califórnia. A mãe morreu em 1888 e o pai em 1891. Michael, o irmão m...

Boletim Letras 360º #349

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Para o universo editorial do livro o fim do ano começa agora em novembro, quando pouco ou quase nenhuma nova edição é anunciada; de agora, o Boletim Letras 360º começará a aparecer mais magro e com mais pautas sobre os livros por vir. E, como o mundo literário não se resume ao mercado editorial, o que o mantém em rotação todos os dias do ano, e esta é uma publicação que perscruta vários dos seus lugares – seguimos. Com matérias e dicas de leitura. Obrigado pela companhia e boas leituras! Antecipações ao centenário de Clarice Lispector. Editora publica três edições especiais para três romances da escritora. Segunda-feira, 21 de outubro De olho no centenário de Clarice Lispector, editora publica edição especial para três romances da escritora . 1. O lustre Apesar de sua absoluta beleza, O lustre  talvez seja, entre as excepcionais obras de Clarice Lispector, a menos comentada. Dele, quase não se pode falar (e sim absorvê-lo), pois não contém aquelas matéri...

Doris Lessing ou a liberdade da palavra

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Por Alicia García Ruiz Existe uma lista de pensadoras de caráter indomável que há algum tempo ocupam muitos dos meus exercícios de leitura. A mais recente de todas elas foi Doris Lessing, e fiquei particularmente impressionada com sua defesa ardente de um tipo de temperamento político cujo cultivo consiste em exercer uma inabalável liberdade de julgamento, liberdade com a qual a autora, cuja biografia é tão complexa em nuances políticas e morais, atira tanto à esquerda quanto à direita, tanto tiranos quanto a troianos.  A voz de Lessing atrai inevitavelmente por sua grande distância daquelas que atualmente são celebradas ou autoproclamadas como vozes críticas, porque muitas vezes são carregadas de traços infantis e narcisistas, quando não ultrapassados e reacionários, que fazem com que a palavra “crítica” pareça algo imposto, quase um disfarce de opereta. O verdadeiro crítico raramente na história gozou da possibilidade de se mostrar como um estilo de vida d...