Postagens

Willa Cather

Imagem
  Por Luis Ramoneda Willa Cather, 1921. Foto: E. O. Hoppe   Wilella Sibert Cather nasceu a 7 de dezembro de 1873 em Back Creek (hoje, Gore), no estado da Virgínia. Seus ancestrais vieram da Irlanda do Norte e alguns parentes próximos participaram da guerra civil (1861-1864) com os sulistas. Sua infância foi passada na fazenda de seu avô paterno em Willow Shade, até que, em 1883, a família se mudou para Nebraska. Esta era uma terra de imigrantes, vindos em grande número do centro e do norte da Europa e também do sul dos Estados Unidos, onde os efeitos da guerra civil foram catastróficos. Apesar de tudo, recebeu uma boa educação, conhecendo os clássicos gregos e latinos, bem como a literatura romântica europeia e frequentou as apresentações dramáticas no teatro da sua pequena cidade. Willa Cather foi educada na Igreja Batista, mas em 1922 entrou na Igreja Episcopal com seus pais. Em suas obras mostra respeito e até admiração pela Igreja Católica.   De jornalista a escritora...

“Platero e eu”: pedagogia e ternura

Imagem
Por Rafael Narbona   A primeira edição de Platero e eu foi publicada em 1914, com 63 capítulos que mostravam uma experiência muito pessoal da língua espanhola, sem traços de retórica, aspereza ou exotismo. Nascia uma das grandes obras da literatura mundial e um dos clássicos mais recentes e comoventes. Três anos depois surgiria uma segunda edição, com os 138 capítulos definitivos. Cada capítulo de Platero e eu é um pequeno poema em prosa. O estilo cuidadoso e requintado coexiste com um ritmo narrativo ágil, fluido e altamente emocional.   Juan Ramón Jiménez (Moguer, Huelva, 1881-San Juan, Porto Rico, 1958) iniciou sua carreira literária sob a influência do Modernismo, mas não demorou muito para se tornar independente de qualquer tendência estética, construindo uma obra dinâmica, mística, autocrítica e profunda. Ele nunca se sentiu confortável com os postulados da Geração de 98. Não compartilhava de seu pessimismo ou de sua angústia vital, e os campos de Castela apenas nele p...

Boletim Letras 360º #407

Imagem
    DO EDITOR   1. Saudações, leitores! Como estão? Abaixo, encontram as notícias que fizeram a semana em nossa página no Facebook. A invenção denominada Boletim Letras 360º foi criada há 404 semanas, quando os algoritmos da rede social mais frequentada da casa passou a esconder (como faz cada vez mais abruptamente nos dias de hoje) nossas posts.   2. A poucos dias de outro centenário importante nas letras brasileiras, as seções da segunda parte desta edição são dedicadas a Clarice Lispector. A escritora nasceu a 10 de dezembro de 1920 e é desde sua primeira obra, entre nós, autora de uma parte mais singulares da nossa literatura. Boas leituras! Clarice Lispector. Arquivo Instituto Moreira Salles. LANÇAMENTOS   Giorgio Agamben e a arte arrancada de seu contexto museográfico.   Nos palácios renascentistas, Studiolo era o nome dado ao pequeno quarto no qual o príncipe se retirava para meditar ou ler, rodeado pelos quadros que amava de modo especial. Para o ...

O amor à beira abismo. Uma entrevista com o escritor Adriano de Paula Rabelo

Imagem
Por Márcio Rodrigues  “Não acreditamos em reumatismo nem em amor verdadeiro até o primeiro ataque”. Esta constatação bem-humorada foi feita pela escritora austríaca Marie von Ebner-Eschenbach, que produziu grande parte do seu trabalho na segunda metade do século XIX. Ao longo dos séculos, muitas criações literárias têm se concentrado em retratar, de maneira triunfal, o momento em que ocorre esse “ataque”, com todo o encantamento e o desassossego que ele produz. Há toda uma vastíssima literatura folhetinesca, fartamente recriada no cinema e na televisão, cujas histórias terminam sempre num momento em que o casal protagonista supera todas as dificuldades e pode seguir junto. E todo mundo se lembra dos contos infantis que acabavam invariavelmente com um “E foram felizes para sempre...”. Será que foram mesmo? É o que parece questionar o escritor mineiro Adriano de Paula Rabelo em O amor é um abismo furtivo , livro de contos que acaba de ser publicado pela editora Aglaia. Vejamos o que ...

O Decameron, o livro de novelas que atravessa uma pandemia

Imagem
Por Joaquín León O Decameron . Salvatore Postiglione A peste bubônica desembarcou na Sicília de navios vindos da Síria e se espalhou pela Europa, semeando morte, ruína e paralisando o frenético ritmo social das cidades. Em 1348, o mundo de Giovanni Boccaccio e o destino da cidade de Florença mudaram dramaticamente.   O então centro mercantil, condenado pelo fluxo de viajantes e mercadores, tornou-se o centro da pandemia e seus muros tornaram-se o símbolo de uma cidade sitiada e afligida pela doença. Cessou o comércio, cessou a comunicação entre municípios e regiões, e os florentinos adotaram o distanciamento social como medida que se mostrou, na época, ineficaz diante de uma doença pouco conhecida, que não se sabia como se transmitia, não pelo contato humano, mas pela picada de pulgas, roedores ou parasitas; e com o aparecimento de bubões negros no corpo, matava suas vítimas logo após o terceiro dia.   Quase vazia de habitantes, a cidade viu seus cidadãos adoecerem e morrerem ...

Máquina Kafka

Imagem
Por Gabriela Massuh © Yosl Bergner Kafka. Por quase um século, essas cinco letras serviram para parafrasear ― se não explicar ― uma multiplicidade de fenômenos. Não só literários, mas também políticos, psicológicos, teológicos, filosóficos, existenciais e outros. O simples adjetivo kafkiano se apresenta sempre que determinada situação não tem saída, ou quando é fatal e só se permite ser remediada por uma parábola do mal. As estatísticas apenas destacam a profusão do fenômeno Kafka: desde 1960, a fábrica acadêmica que produz versões sobre o autor de A metamorfose gera, em média, um livro por semana.   As respostas que uma mesma tradição acadêmica oferece para explicar a euforia exegética em torno de uma obra tão monumental quanto breve são variadas e, na maioria das vezes, insatisfatórias. Diz-se que é justamente a fragmentação da produção de Kafka que abre sua obra a múltiplas interpretações. Na verdade, muito do que lemos hoje não foi publicado durante a vida do escritor. Outra...