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Frank O'Hara. Seis dos “Vinte e cinco poemas à hora do almoço”

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Por Pedro Belo Clara Frank O’hara. Foto: Fred W. McDarrah        POEMA   Café instantâneo com natas ligeiramente amargas e um telefonema para o além que não parece estar a aproximar-se. “Ah pai, quero ficar bêbado muitos dias” da poesia de um novo amigo a minha vida precariamente sustida nas mãos videntes de outros, as suas e minhas impossibilidades. É isto amor, agora que o primeiro amor finalmente morreu, no qual não havia impossibilidades?     A UM PASSO DE DISTÂNCIA   É a minha hora de almoço, vou pois passear por entre os táxis pintados de ruído. Primeiro, pelo passeio onde trabalhadores alimentam os troncos sujos brilhantes com sanduíches e Coca-Cola, usando capacetes amarelos. Acho que os protegem da queda de tijolos. Depois pela avenida em que saias rodopiam nos calcanhares e levantam voo sobre os gradeamentos. O sol queima, mas os táxis agitam o ar. Observo pechinchas em relógios de pulso. Há gatos que brincam na serradura.   ...

Boletim Letras 360º #458

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DO EDITOR   1. Caro leitor, neste dia, iniciava este blog. Era uma web totalmente diferente dos dias que correm — basta dizer que os inferninhos das redes sociais, nossas praças para autos-de-fé neste século, ainda era apenas o sonho de algum ocioso jovem do Vale do Silício.   2. O blog nunca foi um espaço-brincadeira de jovem estudante de Letras, como pareceu a alguns. Era parte de uma necessidade que se modificou continuamente nesses 15 anos online.   3. Como grande parte das coisas que inventamos, isso aqui também se tornou um monstro; perturba-me um tanto e leva algumas horas de uma vida atribulada que poderiam ser gastas com outras coisas (papagueando pelas casas dos srs. do Vale, talvez).   4. Mas se o blog ainda acontece é porque carrego algum interesse contra a maré de desesperança fixada num país acusado de ser um mau-leitor e desinteressado da cultura literária — e já agora sei que não estou sozinho pela sempre renovada chegada de amigos e apoiadores. Não...

Cinco ideias fixas sobre crítica literária

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Por Jorge Téllez Ilustração: Hanna Barczyk    O crítico e o escritor são espécies diferentes   Com frequência, a escrita e a crítica aparecem no imaginário literário como práticas antagônicas. Talvez seja verdade que o escritor e o crítico, embora compartilhem do mesmo instrumento e objeto de trabalho, utilizem a linguagem de maneira diferente. Mas, a maioria das vezes a diferença demonstra duas necessidades entre as aparências básicas no mundo cultural: a autoafirmação e o rebaixamento do outro. Assim, que se qualifique um crítico como “escritor frustrado” e que se afirme que os escritores sabem pouco sobre literatura — para citar apenas dois dos lugares comuns a respeito — diz pouco do exercício da escrita ou da crítica e muito da vontade do interesse de polemizar da pessoa que reproduz essas insensatezes frequentemente.   Escrever resenhas me converte em crítico literário   Antes de comentar sobre isso, a pergunta é: por que alguém quereria se converter em cr...