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Uma pasta de achados e perdidos

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Por Pedro Fernandes Roberto Bolaño. Foto: Giovanni Giovannetti    Tardou o tempo necessário para que os leitores brasileiros entrassem em contato com A Universidade desconhecida , de Roberto Bolaño, que nos chega através do exímio trabalho de tradução já reconhecido de Josely Vianna Baptista. Trata-se de um livro póstumo organizado pelos herdeiros responsáveis pelo arquivo do escritor, singularizado por Carolina López, a última mulher com quem ele conviveu. Embora, a generosa antologia reúna algum trabalho que Bolaño deu forma final, como os textos de “Gente que se afasta” apresentado como Amberes (Anagrama, 2002), e outros conjuntos tenham servido para pleitear algum lugar na concorrência dos vários prêmios literários que buscou, grande parte do material é inédita e foi organizada a partir de várias pistas deixadas por um homem assombrado com a morte e com o desamparo de um filho em criança.   Não tanto a crítica mais sistematizada pelos dogmas da teoria, mas se r...

Andrei Platônov: a ideologia e as paixões

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Por Geney Beltrán Félix Andrei Platônov na varanda do sanatório em Moscou, 1948.   Chamado por Sergio Pitol de “o escritor mais original das terríveis décadas” do stalinismo, considerado por Joseph Brodsky o melhor ficcionista russo desde Dostoiévski, Andrei Platônov morreu em 1951 num estado de completa ostracismo nos círculos literários, sem ter visto publicados seus dois mais importantes trabalhos. No início da década de 1920, o autor, um comunista convicto, não encontrou grandes obstáculos para divulgar seus textos, mas com o passar dos anos sua sorte foi virando de cabeça para baixo. Em seu país, A escavação só veio a público em 1987 e Tchevengur foi publicado, em sua primeira edição completa, em 1988.   — Você é um vigarista ou um patrão burguês? — Sou... sou do proletariado, respondeu Chiklin com relutância. — Ah! O czar de agora!   Este diálogo entre um velho e um trabalhador em A escavação reúne muitos exemplos nos quais a narrativa de Platônov apresenta uma v...

A palavra despida: O caderno rosa de Lori Lamby

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Por Leonardo Prudêncio Hilda Hilst. Foto: Pio Figueiroa   Este trabalho pretende analisar a simbiose que a autora Hilda Hilst provoca em seus leitores ao mesclar textos de diversas formatações e tipos mais o artifício das ilustrações, no romance O caderno rosa de Lori Lamby (1990). Embora as ilustrações tenham ficado a cargo de Millôr Fernandes, e eles não tenham trocado informações entre si sobre como deveria ser feito o trabalho, percebe-se que na edição original, onde a totalidade desse trabalho gráfico foi apresentada, há não apenas um diálogo entre imagem e texto, mas uma simbiose de signos linguísticos que começam no texto e perduram nas ilustrações.   O livro em questão foi elaborado dentro de um projeto de literatura obscena denominado, por alguns, como “Tetralogia obscena”. A reunião desses quatro trabalhos ( O caderno rosa de Lori Lamby ; Contos de escárnio — textos grotescos ; Cartas de um sedutor e Bufólicas ) se deu em um volume chamado Pornô chic (2014). Nessa...

Mishima ou a queda do herói (parte 2)

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Por Julio Tovar Yukio Mishima. Foto: The Asahi Shimbun.   エロース Eros   Este empréstimo aos japoneses da palavra grega ἔρως, pronuncia-se “erosu”, é em Mishima o caminho desfeito que o desejo sexual percorre até atingir o absoluto. Barthes lembra que o corpo, inclusive, é no Japão um sistema de significados às vezes incompreensível para o ocidental e “existe, atua, se mostra, se doa, sem histeria, sem narcisismo, e de acordo com um projeto puramente erótico, embora sutilmente descontínuo…”   Em Mishima, a ideia de perfeição física está melhor relacionada à ideia de tabu e violação dos mais belos personagens: suas figuras desejadas são transcrições de projeções infinitas no físico. Ele até associa “a personalidade robusta” com “músculos fortes, barriga definida e pele dura” em seu ensaio. O escritor e mais tarde político Shintarō Ishihara chegou a recebee um telefonema de Mishima rindo de sua “barriga” em uma foto de férias e oferecendo-lhe “um bom personal trainer”. E...

Boletim Letras 360º #460

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, divulgamos quais os três títulos da Pontoedita estão disponíveis para o sorteio no segundo bimestre do nosso clube de apoios: Ida Um romance , de Gertrude Stein; Faça-se você mesmo , de Enzo Maqueira (anunciado por aqui na edição anterior deste Boletim); e Desvio , de Juan Francisco Moretti.   2. Você pode se inscrever para sorteio que acontece em janeiro aqui . E caso busque algo mais sobre esses títulos pode consultar o site da editora ou visitar uma das publicações nas nossas redes sobre o clube: aqui , no Facebook, ou no Instagram .   3. Obrigado pela leitura e pelo apoio ao nosso trabalho! James Joyce visto por Robert Motherwell para uma edição de Ulysses  de 1988. Para marcar o centenário do romance, a Companhia das Letras publica nova edição do clássico com as ilustrações de Motherwell.   LANÇAMENTOS   E, por falar na editora Pontoedita, a casa disponibilizou a pré-venda do sexto livro no seu catál...