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Inferno, de Dante Alighieri

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Por André Cupone Gatti   Saiu pela Companhia das Letras, no segundo semestre do ano passado, uma nova e muito aguardada tradução para o Inferno , primeira parte da Comédia , de Dante Alighieri. Muito aguardada porque, além de apresentar ao público brasileiro mais uma dentre algumas traduções para o português de um dos textos mais notáveis da literatura ocidental, foi empreendida por três tradutores, a seis mãos (fato, até onde sei, inédito por aqui no que diz respeito às traduções dantescas), e não quaisquer três tradutores: Emanuel França de Brito, Pedro Falleiros Heise (ambos pesquisadores da obra de Dante no mestrado e doutorado) e Maurício Santana Dias, um dos mais prolíficos e talentosos tradutores do italiano ao português, premiado no Brasil e na Itália por sua atividade como tradutor.   Qualquer nova tradução de um texto tão geometricamente conjecturado e tão rico de inventividade verbal como é a Comédia já causaria alguma curiosidade nos amantes da boa literatura; ess...

Boletim Letras 360º #468

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DO EDITOR   1. Caro leitor, devido a alguns probleminhas técnicos não foi possível realizar o segundo sorteio do clube de apoios ao Letras na prevista data de 29 de janeiro de 2022, mas logo na manhã do dia seguinte isso se resolveu e a Pontoedita, parceira que disponibilizou os três títulos para nossos leitores, colocou o pacote a caminho do ganhador.   2. O terceiro sorteio é, como anunciado nas redes sociais do Letras  durante esta semana, oferecido pela editora Bandeirola. São mais três livros escolhidos do catálogo também incrível desta casa. A divulgação dos títulos acontece na semana seguinte. Fique atento  — às redes  e  a esta seção do blog . Nela, é possível encontrar ainda caminhos sobre os sorteios anteriores e saber como participar.   3. Desde já, em nome do Letras, registro os agradecimentos e a alegria das parcerias, da companhia e do apoio de editores e leitores ao trabalho livre e gratuito que aqui desempenhamos.   4. Antes um re...

Brasília 5.5, de Tatiana Nascimento — corte e montagem

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    Por Wagner Silva Gomes     BRASÍLIA 5.5   sujo demais novo demais escuro demais feridas demais na   pele quase ultimato   um corpo a mais no vagão errado no século errado no continente errado   presença quase desacato   incomoda demais a polícia as pessoas de bem o ar metropolitan chic a                                  pressa                                          do                                       tre...

Joan Didion, a escritora dos instantes comuns

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Por Juan Tallón Joan Didion. Foto: Tina Barney.   Joan Didion (1934-2021) nasceu em Sacramento, no oeste, e morreu no extremo oposto, em Nova York, nas vésperas de Natal, devido ao mal de Parkinson, segundo informou sua editora, Knopf, ao The New York Times . Toda a sua vida foi passada entre mudanças bruscas, às vezes geográficas, às vezes emocionais. No meio, restaram livros e crônicas que fizeram dela uma das jornalistas mais inovadoras e fascinantes, donas de uma prosa objetiva, poderosa, arrumada, fria e ao mesmo tempo comovente. John Leonard, um de seus editores, dizia que suas frases “chegam a você, se não como emboscada, então como pequenos haicais, como picadores de gelo a laser, com a força das ondas”.   As mudanças de cidade, de estado, até as simples mudanças de endereço, dentro de uma mesma cidade, eram uma tônica. Em sua casa, nas décadas de 1960 e 1970, quando era repórter com mais regularidade, havia uma lista colada na porta do armário, com tudo o que sua mala...

As Índias Galantes, de Philippe Béziat

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Por Solange Peirão   As Índias Galantes  é um documentário de Philippe Béziat que registra o processo de criação do espetáculo adaptado da obra Les Indes Galantes , uma ópera-balé de Jean-Philippe Rameau, com libreto de Louis Fuzelier, e que estreou em Paris em 1735.   Essa nova montagem foi revolucionária. Como esclarece o diretor Clément Cogitore, se o texto original trata dos embates entre colonizadores europeus e os povos originários de todos os cantos do mundo, a proposta da nova versão foi fazer, da cidade, o mundo, e das diversas culturas urbanas que nela convivem, a sua matéria.   O espetáculo esteve em cartaz no braço da Ópera Nacional de Paris, situado na Place de la Bastille, entre setembro e outubro de 2019.   A ópera   Em síntese, a ópera pode ser expressa pelas peripécias, de toda ordem, que envolvem colonizadores europeus e os povos de além-mar, tanto à ocidente como à oriente, aqueles que genericamente foram classificados como as Índias. ...

O duplo, Fiódor Dostoiévski

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Por Marcelo Jungle Dostoiévski, 1876. Foto: N. Doss.    O duplo sempre enfrentou dificuldades em ser aceito na obra dostoiévskiana. Desde o seu lançamento (1846) sofreu a inevitável comparação com Gente pobre , o primeiro e aclamado romance de Fiódor Dostoiévski, lançado em janeiro do mesmo ano.   Coincidentemente, o livro trata exatamente disso, a necessidade e a impossibilidade de ser aceito do protagonista Yákov Pietróvitch Golyádkin, o que acaba por levá-lo à loucura. Interessante é que a narrativa não trata desse movimento em direção à insanidade, mas tem início quando esta já se revela definitivamente instalada. Desde o começo temos a nítida impressão de que o sujeito não bate bem da cabeça e isso vai se confirmando sem muita dificuldade já na primeira parte da novela. E talvez por isso a renitência em ser compreendida, ou talvez, aceita, pois a loucura vista por dentro não revela o ser humano em sua melhor versão. Normalmente os leitores se aborrecem com as repeti...