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Gabriela Mistral: a vanguarda arcaica

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Por Hernán Bravo Varela Gabriela Mistral. Arquivo Biblioteca Nacional do Chile. Antes de dar origem à estética modernista, Rubén Darío anunciou, a partir do final do século XIX, as vanguardas poéticas que viriam na América Latina. Seguindo esta lógica, o segundo Darío — esse renovador nostálgico de tanto prever o futuro — antecipará a produção mais íntima dessas vanguardas. A distância entre Azul (1888) e Canções de vida e esperança (1905) é semelhante à que haverá, por exemplo, entre Altazor (1931), de Vicente Huidobro, e Residência na Terra (1935), de Pablo Neruda: por um lado, a pirotecnia; de outro, a sisudez.   Assim, e na medida em que foi precursora, a própria obra de Darío separará a vanguarda oficial daquela “outra vanguarda” que, segundo José Emilio Pacheco, se caracteriza pela sua “poesia antipoética”, “realista e não surrealista”, escrita não para “bancar o pequeno deus” de Huidobro, mas para exibir “uma fraqueza e uma vergonha que, no entanto, pode ser expiada descr...

Boletim Letras 360º #559

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DO EDITOR   1. Olá, leitores! Até o fechamento da edição deste Boletim contamos oito inscritos para o último sorteio do ano entre os apoiadores do Letras que será realizado no próximo dia 11 de novembro.   2.   O sorteio contemplará quatro leitores que levarão um livro entre títulos disponíveis: Por que ler os clássicos , de Italo Calvino, edição especial capa dura com acabamento em tecido da Companhia das Letras; Mulherzinhas , de Louisa May Alcott, na lindíssima edição de luxo da Zahar; Orgulho e preconceito , também no mesmo projeto da mesma casa editorial; e Um, nenhum e cem mil , reedição da obra-prima de Luigi Pirandello pela Penguin, a que foi publicada pela extinta Cosac Naify.   3. Se interessa por algum desses títulos ou se quer apostar com a ajuda para presentear alguém, você envia PIX a partir de R$20 ou R$30 para incluir um nome de sua afeição.   4. Qualquer coisa, estamos sempre disponíveis nas redes ou através do e-mail blogletras@yahoo.com.br, qu...

A vida à margem: crime e delito na literatura

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Por Juan Camilo Rincón Ilustração: Kiki Kogelnik.   Em 1929, o escritor argentino Roberto Arlt descreveu o que representavam os crimes de periferia: “Mas todos estão, no fundo, satisfeitos de que a vida é assim; essa vida que, para eles, só é suportável pelos crimes que a tornam vermelha.”   Os pequenos meliantes urbanos que alimentavam “a vida dramática, a existência sórdida” nas favelas marginais são os protagonistas de artigos que o autor publicou no jornal portenho El Mundo e depois compilados no livro Tratado de la delincuencia. Aguafuertes inéditas (1996).   Arlt, considerado hoje um dos escritores mais importantes do seu país, retratou nessas curtas colunas a inutilidade das leis, o trabalho da polícia e dos advogados, a indignação social e as formas de perpetrar um crime.   Essas questões também alimentaram sua ficção, na qual “explorou muito bem a fronteira, as irmandades criminosas, com objetivos disparatados e que ao mesmo tempo são tão típicos da l...

Sozinha e sem asas: o caminho de Ida

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Por José Montelongo Há cartas que se abrem com uma emoção incomum, como a que Ida Vitale recebeu em Montevidéu no final de 1948, assinada por Juan Ramón Jiménez. Ela o considerava então, e ainda o considera, o poeta espanhol mais importante do seu tempo, aquele de lição mais duradoura e fecunda. Era uma apreciação recorrente entre leitores e poetas, e logo endossada por acadêmicos que concedem um famoso reconhecimento anual em Estocolmo. Ida tinha acabado de completar vinte e cinco anos, Juan Ramón, 68. Ele lhe disse três coisas nessa carta: espero que algumas diferenças de caráter e de opinião não destruam a existência de Clinamen , a revista literária animada e sustentada pelo trabalho de Ida e de outros jovens ocupados em renovar a poesia e a crítica no Uruguai. Perguntava a sua opinião sobre a poesia recente de Jorge Guillén. E eu dizia: recebi seus poemas, referindo-se aos de Ida, e essa seria a parte do texto que ela, jovem poeta, mais aguardava. Juan Ramón elogiava os sonetos, “...