Boletim Letras 360º #705

DO EDITOR

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Cora Coralina. Três livros com inéditos da poeta em fase de publicação.



LANÇAMENTOS

Em novo livro de poemas, Geraldo Carneiro constrói um percurso em que experiência pessoal, criação e consciência da forma convivem sem hierarquias.

Sua poesia não se alimenta de fumaças metafísicas; ao contrário, zomba disso ― ainda que se permita alternar o tom meditativo e o viés irônico, tão característico do autor. O poeta brinca com a passagem do tempo, o envelhecimento e a finitude, amparado quase sempre por uma dicção que evita a solenidade e o sublime, preferindo o humor elegíaco e a inflexão coloquial. O autor evoca, aqui, densa rede de referências literárias, musicais e míticas, incorporadas, muitas vezes, ao ritmo do texto. No entanto, figuras como Odisseu, ou Camões, ou Afrodite não constituem mero ornamento erudito, mas são convocadas como contraponto para pensar a experiência contemporânea da linguagem e a vida cotidiana, marcada pela sobreposição de tempos, vozes e tradições. Ensaio sobre o mar reafirma algumas das marcas centrais da poesia de Geraldo Carneiro e convida o leitor a mergulhar num texto em que vida, imaginação e invenção verbal se renovam no fluxo desse mar de metáforas. Publicação da Nova Fronteira. Você pode comprar o livro aqui.

A celebrada autora Han Kang investiga a perda, a violência e a frágil relação de nossos sentidos com o mundo para nos oferecer uma carta de amor à literatura e à linguagem. Uma obra magistral sobre a essência da conexão humana.

Esta é a história de um professor de grego que está perdendo a visão e de uma aluna que está perdendo a voz. Ambos descobrem, porém, que existem dores ainda mais fundas a uni-los: em questão de meses, ela tornou-se órfã de mãe e ficou sem a custódia do próprio filho após uma penosa batalha judicial; já ele vive com o medo constante de perder a autonomia e sofre o incômodo de, por ter crescido entre a Coreia do Sul e a Alemanha, estar sempre dividido entre duas culturas e duas línguas tão diferentes. Lições de grego fala de um homem e de uma mulher comuns que se conhecem num momento de angústia privada ― a perspetiva da cegueira dele encontra-se com a realidade do silêncio dela. Mas são justamente estes traços que os atraem um para o outro, levando-os a encontrar uma saída da escuridão para a luz, do silêncio para a mais pura expressão. Com uma estrutura em espiral e a sensibilidade a que Han Kang já nos habituou ― com ecos particularmente de uma obra como O livro branco ―, esta é uma terna carta de amor à intimidade humana, além de um texto que desperta os nossos sentidos e reflete sobre a essência do que realmente significa estar vivo. Publicação da editora Todavia; tradução de Natália Okabayashi. Você pode comprar o livro aqui.

Com um mosaico de contrastes, Carnés cria em romance um retrato feminista do mundo do trabalho que reverbera até os dias de hoje e, por fim, questiona: “quando será ouvida a voz da nova mulher?”

Na Madri dos anos 1930, em meio à tensão que antecede a ditadura franquista, um salão de chá renomado abre suas portas para mais um dia. Nele, jovens balconistas limpam bandejas, organizam doces nas vitrines e anotam os pedidos da clientela sob o olhar minucioso da gerente. Ao descrever a rotina precária dessas funcionárias e denunciar a exploração do trabalho, a escritora Luisa Carnés, uma das maiores vozes de sua geração na Espanha, soube narrar como poucas os anseios e impasses das mulheres no século XX. Exilada em 1936, ela teve sua obra redescoberta e chega ao Brasil pela primeira vez em tradução de Mariana Sanchez. A protagonista Matilde estava em busca de um emprego como datilógrafa quando aceitou a vaga no salão, já extenuada pela fome e pela pobreza de sua família. Ali conhece a veterana Antônia e a beata Francisca, além de Trini, a mais combativa de todas. Logo entende que os comentários irônicos da faxineira Esperanza têm bastante lastro na realidade, sobretudo quando direcionados à gerente e ao amante dela, que trabalha como garçom no local. Também compreende que as regras não servem para todas, uma vez que Laurita, afilhada do proprietário do estabelecimento ― “o ogro” ―, come quitutes e conversa o dia inteiro com clientes sem ser repreendida. Além disso, a novata Marta acaba de ser contratada sem ter referências anteriores. Privilégios à parte, nenhuma delas escapa à injustiça e ao salário de parcas pesetas. Tudo decorre num ciclo infinito de dias abafados, e enquanto algumas trabalhadoras vestem o uniforme em uma cabine imunda, vivenciam greves e perdem seus direitos, convictas de que apenas a solidariedade poderá levá-las a uma vida melhor, outras não se abalam, pois têm por objetivo principal arranjar um casamento que as salve da miséria. Tea rooms: mulheres trabalhadoras é publicado pela editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.

Um romance que uma radiografia — e um teste de esforço — da mente de uma das autoras mais celebradas da Espanha na atualidade.

“O médico de família me encaminha ao ginecologista, ao pneumologista, ao cardiologista, ao reumatologista. Me fazem muitos exames, que depois aproveitarei para escrever livros, por exemplo, este. Fazem um exame de sangue, uma citologia, uma mamografia, uma radiografia de tórax, uma espirometria, um eletrocardiograma, um teste de esforço, um ecocardiograma, mais exames de sangue, uma densitometria. Vou às consultas e sorrio, pensando no quão caras somos nós, as loucas, para a previdência social.” Marta Sanz está em uma viagem de trabalho quando sente, pela primeira vez, uma dor aguda na clavícula. Sem um diagnóstico definitivo para o sintoma que persiste, a autora explora esse espaço de indeterminação para refletir sobre a dor, a ansiedade, o envelhecimento, a vulnerabilidade econômica e a finitude da vida, navegando com liberdade ensaística pelas zonas de atrito entre a medicina, a psicologia e a literatura. Imaginativo, mordaz e particularmente bem-humorado, Minha clavícula e outros imensos desajustes é publicado pela editora DBA com tradução de Silvia Massimini Felix. Você pode comprar o livro aqui.

Um romance de estreia hipnótico sobre o poder arrebatador da amizade.

Após perder a mãe aos seis anos de idade, Marissa segue com o pai para a Tailândia. Biólogo marinho, ele decide dar continuidade às pesquisas da esposa naquele cenário, ideal para a vida que agora os espera, entre ilhas, recifes e investigações sobre o mar. É nesse ambiente paradisíaco que Marissa conhece Arielle, com quem, aos poucos, cria um elo profundo de amizade. Logo as duas estabelecem uma rotina conjunta: durante a semana, vivem no resort dos pais de Arielle, entre hóspedes e funcionários; nos fins de semana, seguem para a ilha onde trabalham o pai de Marissa e a equipe responsável pelo projeto de pesquisa. Ali não há turistas, e somente os dois barcos do projeto têm permissão para acessar os recifes que margeiam a costa. Além, é claro, das duas amigas, que passam a descobrir as maravilhas do mundo submarino e a fragilidade das florestas e praias desertas. Juntas, aprendem a mergulhar em águas profundas e a segurar a respiração por minutos a fio, movendo-se com a mesma fluidez das raias-manta, que conhecem pelo nome. Vivem no paraíso, um estado que não durará para sempre ― o surgimento de uma onda gigantesca, no tsunami que arrasou o país em 2004, apaga brutalmente esse mundo. Anos depois daquela catástrofe, Marissa, já adulta, está de volta a Nova York. Desorientada e assombrada pelas lembranças do passado, perambula por Manhattan como quem sobreviveu sem jamais voltar à superfície. Enquanto outro desastre se aproxima ― o furacão Sandy, de 2012 ―, o passado retorna com violência, obrigando-a a confrontar aquilo que perdeu e aquilo que ainda lhe resta. Embaixo d'água se move entre duas catástrofes naturais, mas sua verdadeira força está no modo como Tara Menon transforma amizade, luto e devastação ecológica em matéria literária. Com uma prosa de rara intensidade sensorial, capaz de alternar assombro e devastação, delicadeza e ferocidade, a autora constrói uma estreia hipnótica, já traduzida para mais de trinta idiomas, a respeito de tudo o que persiste depois da destruição. Publicação da Todavia; tradução de Débora Landsberg. Você pode comprar o livro aqui.

O romance de estreia da escritora romeno-suíça Aglaja Veteranyi e o único publicado em vida

Lançado em 1999, Por que a criança cozinha na polenta tornou-se um sucesso imediato de público e crítica, foi traduzido para diversas línguas, adaptado para o teatro e recebeu importantes distinções literárias. Hoje é reconhecido como um dos romances mais marcantes da literatura contemporânea de língua alemã. Filha de artistas de circo que fogem da ditadura romena, uma menina cresce entre lonas, caravanas, malas de viagem e fronteiras que nunca param de mudar. Sem jamais conhecer o que é ter uma casa, ela atravessa a Europa e a América Latina acompanhando a família, enquanto a mãe desafia a morte em um número de circo suspensa pelos próprios cabelos e o pai, um palhaço circense, oscila entre o afeto e a imprevisibilidade. Nessa infância errante, uma imagem se torna obsessiva: a criança que cozinha na polenta. Entre as ameaças da mãe e as histórias contadas pela irmã mais velha para amenizar o medo durante as apresentações, essa fábula cruel dá título ao romance e se transforma em uma poderosa metáfora da violência, do exílio e da fragilidade da infância. É a partir dela que a narradora tenta compreender um mundo em que amor e abandono, maravilhamento e terror coexistem de forma indissociável. Com uma prosa fragmentada, de aparente simplicidade e extraordinária força poética, Aglaja Veteranyi transforma elementos de sua própria experiência em uma narrativa singular sobre o desamparo, a imaginação e a sobrevivência. Entre o lirismo e o horror, o humor e a tragédia, Por que a criança cozinha na polenta revela como a fantasia pode ser o último refúgio diante de uma realidade marcada pelo desenraizamento e pela ameaça constante. Um romance breve, mas de impacto duradouro, hoje reconhecido como um dos grandes clássicos contemporâneos da literatura de língua alemã. Com tradução de Fernando Klabin, o livro sai pela Relicário Edições. Você pode comprar o livro aqui.

Resultado de anos de investigação, Robson Viturino narra a longa história da família Safra, de suas origens na Síria do século XIX à consolidação de um dos maiores impérios financeiros do mundo

Em 20 de dezembro de 1999, na escola Magen David Yeshivah, em Nova York, é feita uma homenagem a Edmond Safra após sua trágica morte dezessete dias antes. Esse é o ponto de partida de Os Safra, que explora os desdobramentos do episódio e a reestruturação da família nos anos seguintes. Com base em ampla pesquisa e apuração jornalística, Robson Viturino recua no tempo e reconstitui a história da instituição financeira, desde o seu surgimento em 1850, em Alepo, atual Síria, sob o comando do patriarca Jacob Safra, até a formação dos sucessores José, Moise e Edmond, e suas atividades nos dias atuais. Entre disputas, rivalidades e negociações controversas, os Safra atravessam as turbulências com aparente controle e discrição. Numa narrativa de fôlego, Viturino perpassa bastidores pouco conhecidos, quando recentes contendas irrompem entre os membros do clã pelo domínio dos negócios. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Nova tradução do aguardado livro de poemas As aventuras de Tom Bombadil, em uma edição ricamente ilustrada por Pauline Baynes.

Uma das figuras mais intrigantes de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, o divertido e enigmático Tom Bombadil aparece em versos que, segundo se diz, foram escritos por Hobbits e preservados n’O Livro Vermelho. As aventuras de Tom Bombadil reúne esses e outros poemas que compõem as lendas, cantigas e quadras enigmáticas do Condado no final da Terceira Era. Em nova tradução e com ilustrações de Pauline Baynes (que também ilustrou As crônicas de Nárnia), esta edição também inclui versões anteriores de alguns poemas, um fragmento em prosa de um conto inacabado com Tom Bombadil, e notas dos aclamados estudiosos de Tolkien Christina Scull e Wayne G. Hammond. Com tradução de Reinaldo José Lopes, o livro é publicado pela HarperCollins Brasil. Você pode comprar o livro aqui.

Um ensaio autobiográfico que entrelaça a história do Líbano à história de uma família na diáspora.

Entrelaçando as memórias de sua família com a história do Líbano, Safaa Dib reconstrói o caminho de sucessivas gerações marcadas por guerras, migrações e recomeços, desde o fim do Império Otomano até as crises mais recentes. O livro vai além da geopolítica e mergulha no lado humano da diáspora ― da fuga dos conflitos no Oriente Médio ao desafio de fincar raízes em Portugal ―, revelando o esforço diário de se adaptar ao novo lar sem romper os laços com a terra natal. Uma obra ao mesmo tempo ambiciosa e sensível, que costura com maestria uma trajetória coletiva e uma trajetória individual. Líbano: uma biografia sai pela Tinta-da-China Brasil. Você pode comprar o livro aqui.

Em livro irreverente e despudorado Edmund White transforma suas sete décadas de aventuras sexuais em um retrato da liberdade, do desejo e da história da vida gay a partir da segunda metade do século XX.

No seu último livro publicado poucos meses antes de sua morte, Edmund White faz uma homenagem às pessoas com quem se relacionou ao longo de mais de setenta anos e oferece um relato deliciosamente espirituoso de uma vida assumidamente gay e apaixonada pelo amor em todas as suas formas. Da repressão dos anos 1950 e da liberação pós-Stonewall à devastadora epidemia de Aids e à conquista por direitos civis igualitários, White foi ao mesmo tempo ator e testemunha da história do movimento LGBTQIAP+.  Sem seguir uma cronologia linear, o autor parte da intimidade dos seus encontros para revelar uma historiografia mais ampla da vida queer na segunda metade do século XX. As primeiras paixões, os relacionamentos duradouros, os amores de uma noite e as experiências que inspiraram sua obra compõem uma homenagem ao sexo como espaço de autodescoberta, afeto, liberdade e, sobretudo, generosidade. Com tradução de Luciano Brito, Os amores da minha vida: memórias sexuais é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES

Romance que projetou Antônio Torres como um dos grandes nomes da literatura brasileira ganha uma nova edição pelos 50 anos de seu lançamento

Publicado originalmente em 1976, Essa terra permanece como um dos grandes romances da literatura brasileira contemporânea. O livro acompanha a saga de uma família camponesa de Junco, pequeno povoado do sertão baiano, e o drama vivido por Nelo, o filho mais velho, que deixa a terra natal rumo a São Paulo em busca de uma vida melhor. A narrativa é conduzida pela voz de Totonhim, o irmão mais novo, que reconstrói a trajetória de Nelo à distância, entre lembranças, silêncios e expectativas da família ― sobretudo da mãe, que sonhava vê-lo voltar rico e vitorioso. No entanto, nem tudo ocorre como o planejado, e o protagonista encontrará muitos obstáculos e amarguras no caminho.
Dividido em quatro partes, o romance alterna vozes narrativas e saltos temporais para compor um retrato ao mesmo tempo íntimo e coletivo do êxodo nordestino para o sudeste. O tema também atravessa a segunda parte do livro, centrada na expulsão do pai da roça pelo avanço do capitalismo no campo. Com linguagem simples e cativante, a obra tornou-se um clássico da literatura brasileira sobre migração. O próprio autor, nascido na pequena cidade de Junco, interior da Bahia, percorreu os mesmos caminhos dos seus personagens, deixando o Nordeste para buscar a sorte nas metrópoles do Sudeste, onde a encontrou. O livro é também sucesso no exterior, com traduções na França, Alemanha, Itália, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos, Israel e Cuba. Ao longo de cinco décadas, a obra mantém intactos seu vigor e frescor iniciais, ocupando lugar de destaque na literatura brasileira. O livro é reeditado pela editora Record. Você pode comprar o livro aqui.

Outro marco da literatura brasileira recente, romance de Joca Reiners Terron é reeditado com versão revista pelo autor mais de duas décadas após a primeira edição.

Curva de Rio Sujo mergulha nas zonas turvas da memória, “entre interiorano e urbano, entre realista e estranho”, como afirma o próprio autor em texto inédito para esta edição. Inspirado pelo provérbio matogrossense “curva de rio sujo só junta tranqueira”, o livro constrói uma narrativa fragmentária e inquieta, na qual o movimento é constante. Tendo como cenário as cidades em que o autor viveu — seu “mapa da infância” —, a obra evoca aquilo que é “mais realista que a própria realidade”, como pressente um dos personagens. Republicado pouco mais de duas décadas após sua primeira edição, o livro retorna acrescido de um posfácio de Regina Dalcastagnè e revisto pelo próprio autor, com novas narrativas, supressões e sutis deslocamentos. Esta reedição da editora Todavia reafirma um dos pontos altos da produção inicial de Joca Reiners Terron. Você pode comprar o livro aqui.

Nova edição dos contos de A estranha máquina extraviada, livro de José J. Veiga publicado originalmente em 1967 que combinam crítica social a um estilo envolvente e poético.

Este livro apresenta duas facetas de José J. Veiga. Se por um lado os contos mostram a brutalidade de uma sociedade erigida sobre a exploração e os jogos de poder — em uma possível resposta ao autoritarismo da ditadura militar e às diversas formas de opressão social —, por outro revelam o olhar vibrante das crianças, que enxergam o mundo com a curiosidade de quem vê pela primeira vez. O resultado é uma obra profundamente atual, questionadora e aberta a diferentes interpretações. Como observa Fabiane Guimarães, autora do posfácio desta edição, “uma das maiores qualidades desta reunião de contos e de toda a obra de José J. Veiga é a capacidade irretocável de criar imagens simbólicas, deixando espaço para a reflexão e o pensamento crítico”. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Reedição de Modo de apanhar pássaros à mão, coletânea de contos de Maria Valéria Rezende, acompanha o novo projeto gráfico para a obra da escritora.

Depois da morte de sua vizinha, uma aspirante a escritora cogita assumir a autoria de um manuscrito deixado pela falecida. Percorrendo as ruas de São Paulo, um pai desesperado sai em busca de uma fruta desconhecida para saciar o desejo da esposa. Com a idade já avançada, uma prostituta é atormentada por uma lembrança de infância. No texto que dá nome ao livro, um fotógrafo não esconde sua arrebatadora fixação pela modelo Íbis. Quando uma colega dela lhe pede ajuda, ele impõe uma única condição: que seja apresentado a Íbis. Não satisfeito com o breve encontro e cegado por sua obsessão, recorre a uma receita do século XVIII, retirada de um livro antigo, para atraí-la a qualquer custo. Desdobrando-se com fluidez e perspicácia, a coletânea chega ao fim com o conto “Melodrama ou a noiva da noite”, uma tragédia sobre desejo, que mostra como as nuances e ambiguidades da alma humana podem ser representadas sem maniqueísmo quando a tarefa está nas mãos de uma escritora tão singular e habilidosa como Maria Valéria Rezende. Reedição da editora Alfaguara. Você pode comprar o livro aqui.

RAPIDINHAS
 
Três livros com inéditos 1. De Cora Coralina, pela Global. O primeiro é Não me dê seu café frio. O trabalho é resultado de uma cuidadosa pesquisa em manuscritos e documentos originais da autora.

Três livros com inéditos 2. Os materiais de Cora Coralina agora reunidos em livro são textos em prosa e poesia que revelam uma autora ainda pouco conhecida: mais ampla, crítica, inquieta e profundamente atenta às questões de seu tempo.

Três tragédias. Hipólito de Euripides, Fedra de Sêneca e Fedra de Racine aparecem reunidas em livro publicado pela editora Iluminuras com tradução, notas e estudo de Joaquim Brasil Fontes. 

Duas vezes Machado. A Carambaia reedita no âmbito da coleção Acervo duas joias da casa. São os romances Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. As reedições trazem as ilustrações de Heloisa Etelvina e Carlos Issa, publicadas respectivamente nas edições da Coleção Numerada.

Duas vezes Gógol 1. Em verbo e ópera. A Zain reúne na Coleção Libro & Libreto uma nova tradução de Irineu Franco Perpetuo para O nariz. O livro sai junto com a ópera de Dmitri Shostakovich. 

Duas vezes Gógol 2. A obra reúne texto crítico de Caetano Vilela, entrevistas com Irina Shostakovich, viúva do compositor da ópera, e com Kirill Serebrennikov, encenador e cineasta russo, ex-diretor do Teatro Gógol, em Moscou e ilustrações de Rico Lins. 

Um volume só. A poesia completa de Stephen Crane sai com tradução e apresentação de Marcelo Nunes pela Editora Nauta. 

Um marco da literatura portuguesa. Húmus, de Raul Brandão também é reeditado no Brasil e pela Editora Nauta. 

Oito vezes Conceição Evaristo. Uma caixa traz em edição de luxo a obra completa da escritora mineira. Feito das editoras Malê e Pallas para marcar os 80 anos de Evaristo. 

DICAS DE LEITURA

1. Os deuses têm sede, de Anatole France (Trad. Jorge Coli, Editora da Unesp, 244p.) Um pintor idealista é recrutado para o júri do tribunal que após a queda da Bastilha tinha autonomia para mandar qualquer um à guilhotina. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. O último movimento, de Robert Seethaler (Trad. Karina Jannini, Zain, 120p.) No convés de um navio que partiu de Nova York, um dos maiores músicos de seu tempo passa em revista os últimos anos de sua vida. Você pode comprar o livro aqui

3. Tebas do meu coração, de Natsu Miyashita (Record, 200p.) Entre sonho e realidade a história dos habitantes de Santíssimo, uma pequena cidade do interior do Brasil habitada por uma variedade de tipos humanos. Você pode comprar o livro aqui

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

E, por referir os inéditos de Cora Coralina, vale recordar esta entrevista com a poeta do Goiás para o programa Vox Populi, da Tv Cultura, em 1983. Este é um dos poucos e também um dos últimos registros em vídeo; Cora morreu em 1985. 

BAÚ DE LETRAS

No dia 19 de agosto de 2026 fechou os 90 anos do assassinato de Federico García Lorca pela ditadura franquista. Aqui no Letras o leitor encontra uma variedade de materiais à volta da biografia — incluindo as circunstâncias do desfecho trágico de sua vida — e as múltiplas vertentes da obra: o poeta, o dramaturgo, o desenhista. Fica o convite para este pequeno dossiê

DUAS PALAVRINHAS 

Nada nos fala com tanta força quanto um livro.

— Herta Müller

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