Sobre meninos e o fantástico em A estranha máquina extraviada, de José J. Veiga
Por Douglas Sacramento No livro O menino na literatura brasileira (Perspectiva, 1988), Vânia Maria Resende dedica um capítulo à presença da criança na obra de José J. Veiga. A autora aponta que a criança, inserida no universo fantástico das narrativas do escritor goiano, está em contextos opressores, cerceada da liberdade que se espera nesta fase da vida. O realismo fantástico surge como escape, destoando de uma realidade tão crua e, por vezes, violenta. Assim, essas especificidades são caras ao projeto literário de Veiga. Essa relação, além de outros temas, é encontrada na literatura de José J. Veiga, reconhecida três vezes o Prêmio Jabuti (1981, 1983 e 1993). Com uma obra vasta, que transita entre o romance e o conto, ele é considerado um dos principais nomes do realismo mágico no Brasil. Desde 2014, os livros de Veiga, , outrora esgotados nas livrarias do país, têm sido reeditados. A publicação mais recente é A estranha máquina extraviada (2026), que, aliás, já integrava...