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A história do amor de Fernando e Isaura, de Ariano Suassuna

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Por Pedro Fernandes Ariano Suassuna. Foto: Arquivo O Globo .   Nos anos 1950, a versão de Tristão e Isolda reconstituída pelo filólogo francês Joseph Bédier circulou entre o grupo frequentado por Ariano Suassuna, o mesmo que cultivou o terreno fértil a partir do qual brotou o Movimento Armorial. Ao que parece, Francisco Brennand se sentiu motivado a compor uma série de ilustrações para o amor impossível de provável origem celta, interesse logo transferido para o amigo que naquela altura confessara o desejo de escrever um grande romance no porte da Pedra do reino , o livro de uma vida que o escritor paraibano não viu se cumprir inteiramente conforme foi sonhado.   Antes de se lançar ao esforço da grande obra, Brennand sugeriu que Suassuna se experimentasse com uma imitação de Tristão e Isolda , retrabalhando suas personagens e o motivo da narrativa, transpondo-os para o sertão nordestino. Em 1956, a proposta estava concretizada e seduzido com a conquista, o escritor pensou e...

Considerações em torno do Auto da Compadecida

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Por Pedro Fernandes Ariano Suassuna durante as filmagens da primeira versão de sua peça Auto da Compadecida , em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco, 1968. O Auto da Compadecida é um divisor no reconhecimento da obra de Ariano Suassuna (1927-2014). Continuamente encenada, a peça alcançou uma popularidade pouco comum para a literatura brasileira, ainda mais numa seara das mais áridas, o teatro. Um breve levantamento nos mostrará a pouca recorrência de criações neste gênero no campo de destaque em relação a formas como as da prosa e da poesia.   O dramaturgo concebeu este trabalho em setembro 1955, quando já havia escrito outras peças, como Cantam as harpas de Sião (1948), Os homens de barro (1949), Auto de João da Cruz (1950) e O arco desolado (1952). Este primeiro conjunto do seu teatro aponta para o modelo armorial e como tal se situa entre o épico e o narrativo seguindo as feições das expressões das formas antigas eruditas ou populares.   O próprio Ariano Suassuna assim...

Ariano Suassuna por Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna. Foto: Fred Veras (detalhe / reprodução) A paixão pela leitura “Eu comecei pela literatura, querendo ser escritor aos 12 anos de idade. Assim que me alfabetizei, senti a paixão pela leitura. Meu pai tinha deixado uma biblioteca, coisa que não é comum no sertão. Ele era um grande leitor, tinha uma memória prodigiosa, gostava de poesia popular, como eu. Um dos livros de Leonardo Mota, importante pesquisador do cancioneiro e dos cantadores, eu encontrei na biblioteca de meu pai. Era Sertão alegre, foi dedicado a seis pessoas e uma delas era meu pai. Meu pai deu vários versos a ele. Eu tive primeiro a experiência com a biblioteca do meu pai, da qual ainda tenho alguns exemplares. E não por acaso, os três folhetos que me baseei para fazer o Auto da Compadecida , estão todos três lá. Depois meus irmãos, que já estavam no Recife, começavam a levar livros quando ia passar as férias em Taperoá. Comecei a ler romances ilustrados e romances de aventura. Um deles o Escaram...

Até breve, Ariano

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Por Pedro Fernandes 1. “Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que vivo, morre” – a passagem é de Auto da compadecida , de Ariano Suassuna. 2. Sim, a morte é o único destino para o qual todos os seres se encaminham. Todas as explicações até hoje construídas em torno do termo são mera especulações. Mas um sentido se cumpre como verdade: perdas são perdas. E o que dissermos não substituirá o vazio delas porque cada ser é único. Talvez momentos dessa natureza devessem se cumprir sem quaisquer estardalhaços, apenas com o silêncio, condição que nos aproxima do sentido da perda e sobre nossas limitações no mundo. Mas, perdas insuportáveis como estas têm de vir mais que um nó na garganta; tem de vir a lágrima vertida pela palavra. 3. Quando José Saramago morreu numa data assim próxima ...

A lista de leituras de Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna numa de suas viagens. Recentemente um foto do gênero tornou-se viral na web , mas a prática há muito que já era comum do escritor: descansar para uma leitura. Registro do livro O decifrador , do genro Alexandre Nóbrega. Que obras estão na estante de um escritor ou lhe servem como espaço de construção de sua obra ou mesmo lhe serve ao deleite? Todo escritor terá suas obras prediletas seja qual for a especificidade da lista. Para o livro  Ariano Suassuna, um perfil biográfico  publicado pela Zahar Editora, de Adriana Victor e Juliana Lins, o próprio Ariano escreveu uma lista de obras da literatura, brasileira e mundial, que influenciaram a sua formação de escritor. São mais de 43 livros que vão desde as primeiras leituras aos 17, 18 anos. A ordem é cronológica: "do menino de Taperoá ao jovem estudante do Recife". Trata-se de uma lista um tanto extensa se pensarmos em algumas que já colecionamos por aqui, mas um itinerário fabuloso do escritor de Auto da...

Carta para Ariano

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Por Matheus Nachtergaele   Em cena de O auto da Compadecida  Selton Melo e Matheus Nachtergaele na pele dos eternos Chicó e João Grilo. Filme de Guel Arraes (2000) baseado na peça de Ariano Suassuna. Foto: Rede Globo. "Quem te escreve agora é o Cavalo do teu Grilo. Um dos cavalos do teu Grilo. Aquele que te sente todos os dias, nas ruas, nos bares, nas casas. Toda vez que alguém, homem, mulher, criança ou velho, me acena sorrindo e nos olhos contentes me salva da morte ao me ver Grilo.  "Esse que te escreve já foi cavalgado por loucos caubóis: Por Jó, cavaleiro sábio que insistia na pergunta primordial. Por Trepliev, infantil édipo de talento transbordante e melancólicas desculpas. Fui domado por cavaleiros de Sheakespeare, de Nelson, de Tchekov. Fui duas vezes cavalgado por Dias Gomes. Adentrei perigosas veredas guiado por Carrière, por Büchner e Yeats. Mas de todos eles, meu favorito foi teu Grilo. "O Grilo colocou em mim rédeas de sisal, sem fo...

Notas sobre a aula magna de Ariano Suassuna

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Revirando o baú das postagens do Letras in.verso e re.verso surpreendi-me com uma coincidência de datas. Há exatos dois anos, isto é, em agosto de 2009, eu havia escrito “Ariano Suassuna, os encontros que não tive” ( aqui ). À época o escritor de O auto da compadecida estava em Mossoró para a edição da Feira do Livro. Naquele ano eu estava cursando no meio de um turbilhão de coisas o meu mestrado em Letras e não pude vê-lo, mesmo sendo a Feira do Livro de Mossoró um evento do qual sempre participei assiduamente desde sua primeira edição. O fato é que agora, nesse ano, o encontro aconteceu. À distância de alguns metros, mas eu estava lá para ouvi-lo. Eu que tenho a impressão de que somente eu ainda não tinha assistido uma das suas famosas aulas magna. Primeiro devo contar da minha vizinha de plateia. Que não mediu elogios para dizer que o Agosto da Alegria – evento maior no qual se situa a abertura do seminário feita hoje por Ariano – estava muito organizado. Disse i...

Entrevista com Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna. Foto: Júnior Santos. Fonte: Tribuna do Norte O caderno Viver do jornal Tribuna do Norte aproveitou a estadia do escritor Ariano Suassuna no Rio Grande do Norte - o escritor veio para ministrar uma palestra na Semana Pedagógica em Canguaretama - e fez-lhe uma entrevista. À repórter Maria Betânia Monteiro, Ariano falou da infância, da paixão pelos livros, da internet como ferramenta de leitura e da cultura de massa. Parece que vejo o tom do escritor ao contar o fato que se segue: Não admito a massificação. Ela nivela pelo meio, o que é a pior coisa que pode acontecer. Pegam por exemplo, uma figura como Michael Jackson ou Madonna e apresentam como modelo de arte, ao mundo. Dei uma aula em Recife e estava presente um professor francês, ao final ele veio me dizer: “gostei muito de sua aula, mas tem uma coisa que eu discordo. O senhor falou de Michael Jackson e eu acho ele um grande bailarino”. Eu disse: “olhe, grande bailarino é Nureyev, aquilo ali é um débi...