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Mostrando postagens com o rótulo Honoré de Balzac

Um novato chamado Balzac

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Por Carlos Yusti O escritor que imitaria sem hesitar, e que de alguma forma constituiria, em meu museu pessoal de mitos, um ideal, uma fonte inesgotável de inspiração, poderia ser Honoré de Balzac. Embora não o Balzac perseverante, obstinado, incansável e disciplinado que escreveu (sob a pressão de dívidas, credores e editores) uma obra literária profusa, e que, em muitas de suas páginas, conseguiu alcançar, com gênio indiscutível, enorme versatilidade literária e uma grandiloquência mais realista do que metafórica. Não. Minha inclinação é para outro Balzac, aquele que, devido a um ansioso apetite, adquiriu uma adiposa constituição, aquele Balzac preocupado em ser um dândi, e que, por causa disso, gastou fortunas em ternos chamativos ou luxos extravagantes e desnecessários; aquele Balzac que ansiava acima de tudo por sucesso financeiro, por ser um burguês menos imbecil e insuportável do que o burguês retratado em seus romances ou na vida real, com quem sempre conviveu à distância devid...

O plebeu era o aristocrata

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Por Aida Míguez Barciela Modeste Mignon. Ilustração de Pierre Vidal (1849-1929).    Modeste Mignon exala juventude, é um broto febril. Não pode assumir a realidade da vida comum; ainda não aprendeu a suportar a miséria do mundo cotidiano em que temos de viver. Protesta. Diz em alto e bom som que não quer ter um tolo como seu amo e senhor ou suportar sine die sua estupidez; quer um homem de gênio que saiba escalar as montanhas mais altas e íngremes. Como Madame Bovary, Modeste aspira escapar da prisão medíocre e provinciana em que vive, e que parece uma prisão porque (como Emma) leu muita literatura, mas (é preciso dizer) não leu bem; os livros encheram sua cabeça de pássaros e sonhos ingênuos. Porque a vida parece prosaica comparada à literatura, com os sonhos que valem a pena sonhar, com fantasias reais, com amores genuínos e com os voos sempre improváveis ​​ao alcance de poucos.   Então ela quer escapar. Escapar-se como puder. Apaixonar-se por um poeta inatingível: Pa...

Bolor

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Por David Toscana Ilustração de P. Brissand para Eugénie Grandet   Em Eugénie Grandet , Honoré de Balzac descreve a casa do Sr. Grandet no distrito de Saumur com adjetivos nada lisonjeiros e diz que “As duas pilastras e a abóbada que formam a abertura da porta tinham sido, como a casa, construídas com tufo, uma pedra branca peculiar à região de Loire e tão mole que sua duração média é de apenas duzentos anos.”   A pedra é porosa e absorve uma boa quantidade de umidade, por isso pode ser péssimo isolante no inverno e tende a desenvolver mofo. Há uma grande quantidade de edifícios na área do Loire, incluindo muitos pequenos castelos ou châteaux , que usam este tufo. Alguns deles estão de pé desde o século XV, sugerindo que Balzac tem mais habilidade como prosador do que como pedreiro.   Mas não é meu desejo observar levantamentos rupestres, mas apontar que para Balzac havia um defeito em uma construção feita para durar duzentos anos. Caminhando por qualquer cidade, pode se...

O Balzac brasileiro de um húngaro

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Por Alfredo Monte A 4ª. edição de Balzac e A Comédia Humana 1 , de Paulo Rónai (1907-1992) reapareceu na esteira do relançamento dos 17 volumes de traduções da obra balzaquiana que ele coordenou nos anos 1940-50. Há todo um charme recôndito no pequeno volume, no qual o húngaro, que viveu no Brasil boa parte da sua existência, destila sua íntima convivência com os textos do autor de A Comédia Humana e nos faz relevar os aspectos datados, quiçá superados, das suas análises, principalmente as literárias, pois se o texto de Rónai é um manancial de informações valiosas e de conhecimento de primeira mão, por vezes soa esquemático demais, professoral e “quadradinho” (por exemplo, nele se fala em  “qualidades típicas do espírito francês”, em “ilustre gentil-homem”— e ele não está falando de um personagem de Balzac, não, mas de um estudioso de sua obra!; há também afirmações genéricas do tipo: “A Comédia Humana presta-se a todas as interpretações”). Como atualmente constata-...

A reedição da monumental A comédia humana, de Balzac

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Honoré de Balzac. Alguns ingênuos poderão dizer que A comédia humana terá sido a obra que colocou, definitivamente, Balzac entre os grandes escritores da literatura universal. É possível. Mas, o escritor francês não terá passado ao panteão apenas por esse feito incompleto, diga-se. Sabemos que sua literatura tem um forte poder de reinvenção do gesto linguístico de representação e significação da realidade a ponto de ser considerado por muitos dos estudos literários como um dos criadores do romance moderno, muito embora tenha passado aos olhos do seu tempo quase ignorado, apesar de alguns sucessos que obteve. A comédia humana é feito incompleto porque quando Balzac morreu, ainda aos 51 anos, o projeto que esperava alcançar os 137 livros só chegou a possuir 89; esses, juntos, somam mais de 10 600 páginas (tomando como contagem a reedição dos 17 volumes projetada pela editora Globo) e mais de 2 500 personagens.  A obra quis ser um inventário da França do século XIX,...