Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Lourenço Mutarelli

Masuaki Kiyota imprimia fotos com a mente e/ou Mutarelli escrevia uma vida com a literatura

Imagem
Por Felipe Vieira de Almeida Lourenço Mutarelli. Foto: Karime Xavier Por mais bem estabelecido que Lourenço Mutarelli seja como escritor, quando leio seu nome me vem à cabeça a capa do livro A máquina de fazer espanhóis , de Valter Hugo Mãe, de 2011, editado pela Cosac Naify. Nessa edição, a ficha catalográfica fica no final do livro e, só depois de ter lido tudo e ver por acaso quem assinava a capa, nunca esqueci a pertinência daquele trabalho. Mais de uma década depois, recebo um exemplar cedido por esse site para resenhar o livro mais recente do autor, Masuaki e/ou não deixe os cachorros latirem sozinhos , editado pela Companhia das Letras. Este é antes de tudo um frenesi de memórias, pesadelos, imagens, sobreposições e... fantasmas, tanto subjetivos quanto propriamente ditos no enredo. O livro começa como termina, logo após atingir uma voltagem altíssima, entretanto, o leitor também aprende a ler ao longo do processo. O início me pareceu lento e confuso, personagens que não são que...

Diomedes, de Lourenço Mutarelli

Imagem
Por Joaquim Serra   “Sabe por que as pessoas riem de mim?”, diz um dos personagens de Diomedes , o palhaço Chupetin, enquanto o detetive ri descontroladamente. Riem porque “por trás destas vestes existe um miserável que precisa humilhar-se a tal grau para poder ganhar a vida”. O riso trágico é o traço fundamental de Diomedes , quadrinho de 1999, de Lourenço Mutarelli. Na primeira parte da “Trilogia do Acidente”, um misterioso Hermes pede para que o detetive Diomedes encontre Enigmo, um ilusionista desaparecido há vinte anos. O motivo é um apelo pessoal; trazer de volta um momento de prazer da infância, quando Hermes viu o mago do ilusionismo em ação.   Diomedes aceita a proposta que o ajudaria a sair da lama financeira. Policial aposentado e tendo que trabalhar para suportar as contas que não param de chegar, Diomedes é um pícaro contemporâneo; nunca resolveu um caso — nem o caso extraconjugal da companheira com um conhecido seu —, mas exibe um Olho de Hórus na porta do escrit...

Duas separações: A arte de produzir efeito sem causa e Dias de abandono

Imagem
Por Joaquim Serra Ilustração: Matthew Saba As notícias são recebidas por seres de diferentes perspectivas. Coincidentemente, nas duas narrativas há uma Olga envolvida. A Olga de Ferrante em Dias de abandono é uma mulher que se refaz para viver os primeiros dias de aflição com todas as contas e filhos que agora pesam e forçam o cotidiano da mulher que foi trocada por outra. A Olga de Mutarelli em A arte de produzir efeito sem causa é a mãe já falecida do protagonista Júnior, mas que acaba por ser o centro de um drama familiar que é contado em segundo plano. Através do narrador em terceira pessoa, sabemos sobre a traição da mulher de Júnior e os primeiros dias após a separação que aparecem por meio das frases lacônicas e nas palavras repetidas que ao mesmo tempo repelem e encontram os personagens na narrativa vertiginosa de um dos grandes narradores da chamada “literatura underground ”. Mutarelli é um escritor visual, certamente fruto dos anos como quadrinista. Isso s...